Miscelânea

Educação em debate

Publicado em 08/05/2017

Nesta última semana estreou pela rede de televisão via Internet, D + TV, o programa WTC 60 MINUTOS, produzido pelo World Trading Coaching, que irá ar semanalmente todas às terças-feiras, às 10hs da manhã e que visa debater temas relevantes para o país, assim como divulgar o Coaching e o processo de formação de lideranças, que esta intimamente ligada ao processo educacional. Neste primeiro encontro o tema focado foi à educação. Mediado por este jornalista que vos escreve, especialista em Coaching e Educação e que a pouco lançou 2100, um alerta ambiental, o programa debateu o tema contando com a experiência das professoras e Mestres Raquel Cassoli e Ana Paula Correa.

Para mim, que pisei por muito tempo os assoalhos das salas de aula compartilhando conhecimentos com alunos da rede publica em regiões de extremo risco, na capital paulista, e coleciono ainda horas aulas em faculdades particulares no interior de São Paulo, foi um alento ver que jovens professoras ainda guardam grande entusiasmo e energia, verdadeiramente acreditando na possibilidade de um ensino de qualidade para nossa população.

Nas palavras das especialistas presentes ao programa, temas hoje ainda tabus, como educação sexual e outros que vão à mesma linha, além dos assuntos como integração, por vezes por questões de preconceito como o de cor, raça ou credo, ainda são uma realidade em nossas escolas e a família tem cada vez mais uma posição preponderante na inclusão de todas para se chegar a uma educação almejada. Em minha experiência pessoal em sala de aula, com faixas etárias diferentes e, por vezes, em regiões com uma frequência de alunos oriundos de outros países posso afirma que esta é uma realidade irrefutável. A título de contextualização em um case que exemplifica bem o fato, há alguns anos atrás, quando lecionava em uma escola estadual no bairro da Liberdade em São Paulo, em uma sala do ensino médio, havia uma aluna recém-chegada da China e frequentava minha aula, mais por socialização, e por uma questão de integração do que mesmo de aprendizado, pois ela fala muito pouco do nosso idioma. Durante a aplicação de uma avaliação ela ficou sem saber meio o que fazer e percebendo que a aluna estava confusa fui até ela e falei-lhe que ficasse a vontade para participar ou não a avaliação. Qual foi minha surpresa quando a aluna sorridente me pediu para participar, pois ela entendia o que dizíamos, só tinha dificuldade para escrever o que entendia. Então me pediu para realizar a prova no idioma nativo dela. Ascendi e até hoje guardo entre os meus pertences à prova dessa aluna, pois ela a fez inteiramente em mandarim, sinceramente, não entendo um traço sequer de seus ideogramas. O fato, no entanto, de maior relevância em tudo isso, foi não ter alijado essa aluna do processo, no qual, ela estava se inserindo e tenho certeza, de que muito representou para ela no que diz respeito ao processo de integração e socialização esse momento vivido em sala de aula. Assim como ela salas de aula estão cheias de descendentes de índios, negros, liberdade assistida, que são menores infratores que estão em processo de ressocialização e demais minorias, sejam elas religiosas ou mesmo, de opção sexual e a interação desses alunos na sociedade passa pelas salas de aula e mais da interatividade mantida pelas escolas co seus familiares. Quanto a minha aluna chinesa, pedi que trouxesse seus país ou parente próximos para conhecê-los, mas, infelizmente pouco tempo depois migrei para outros setores. Espero que ela o tenha feito e que a direção e a orientação pedagógica do estabelecimento tenha dado pleno andamento ao processo de inclusão de uma imigrante que se tornava brasileira.

Assim, docentes e discentes, familiares, e toda a sociedade tem um papel crucial no desenvolvimento de nossos jovens e no futuro dessa nação que, passada a borrasca do livramento de tantas mazelas ocasionadas por uma educação que busca a luz e que formou mentes iluminadas mais ainda necessita de socorro para tirar da escuridão os que mergulharam o país no atraso e na corrupção, nascerá com os matizes de um dia de Primavera. A Primavera de uma educação que constrói!

 Para acessar o programa WTC 60 MINUTOS, que debateu a Educação em nosso país é só acessar o link:

https://l.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DGMvqej5x9HE%26t%3D391s%26list%3

DPLgZXifX_kPKtyRB66KejvyxQeV6hFNuOU%26index%3D1&h=ATPcraLsmjrp-7ihhf3LBpeRIUPJo5DlNZhQP0MhgRrUX-TAz6NuYJ_NZl3fHuWgFxGUt6rOw16MevZK5X-TdnA2cokR5h5Ct1aSfXddbc_j3NA7h1lelOhi8YWWfPLcHBf9MMP_

 

Armando Barreto – Jornalista – MTB 23108

 

Escritor, Especialista em Educação, Coaching e Liderança

www.worldtradingcoaching.com

asrbarreto@hotmail .com.

2100! Educação ambiental e a preservação da vida no planeta

Publicado em 10/04/2017

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

 “O meio ambiente é tudo que não sou eu”. Essa frase é de um dos maiores cientistas, se não o maior, que já habitou Gaia em todos os tempos, Albert Einstein; Apenas para elucidação Gaia era o nome dado ao planeta Terra ou a “mãe Terra”, em outros tempos pelos antigos gregos. Indo um pouco mais além diria que o meio ambiente é o que nos cerca e nós como parte dele, muito embora para a maior parte dos que aqui habitam isso é apenas uma alusão a algo que ouviram falar, ou seja, estão pouco se lixando.

Só para se ter uma ideia dados recentes sobre o desmatamento na Amazônia dão conta que desde 1970 uma área de floresta tropical do tamanho da frança veio abaixo, seja por motivos econômicos, seja por questões culturais ou simplesmente porque a cobiça dos homens falou mais forte. Quem sofre com esse quadro de desmando e irresponsabilidade? Todos nós.

De imediato podemos citar os povos da floresta, populações indígenas que vem sendo dizimadas em nome de um suposto progresso que começa a cobrar seu preço e a conta está alta. Basta olharmos ao nosso redor para vermos o desequilíbrio climático ceifando vidas e provocando grande sofrimento com epidemias pessoas ao relento. Qual o caminho seguir?

Dentro das propostas mais coerentes está a que nos remete ao desenvolvimento de uma consciência sobre a importância de preservamos o lugar onde vivemos. E para que essa consciência tome corpo e conquiste mentes e corações o único caminho é a educação.  Educação que constrói pontes entre os homens ao invés de muros que os separem. Que planta o bem e reverencia a vida e não cultua a morte e a intolerância, pois que o bem estar de toda forma de vida que habita o planeta é condição única para a própria sobrevivência humana. Sabemos e de muito, que o equilíbrio é à base da existência de todo ecossistema que nos sustenta.

Assim é na educação que temos a luz que irá iluminar o futuro e propiciar que continuemos por aqui evoluindo em harmonia com o meio no qual habitamos e fazemos parte.

Em 2100, romance ambiental que acabo de publicar pela editora carioca autografia, traço um perfil dos dias atuais e do descaso de nossos governantes com as questões ambientais, sobretudo o das nações que mais poluem e de suas implicações para o futuro da humanidade. Uma história recheada de fatos e na qual não faltam muita imaginação para concebermos um mundo que, embora sobrevivam o aqueles que querem ainda sua destruição pela própria incompreensão do lugar que ocupam na escala da vida e do privilégio que tem, respeitam e honram a natureza que restou, após uma grande catástrofe ambiental, e a vida que só pode ser possível graças a essa consciência que mais do que ambiental tem que ser humanitária.

 

Ficou interessado, copie o  link: https://www.kobo.com/br/pt/search?query=Armando%20Barreto&fcsearchfield=Author

 

 

Armando Barreto – Jornalista – MTB 23108

 

Escritor, Especialista em Educação, Coaching e Liderança

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asrbarreto@hotmail .com.

Progressão Continuada ou Sistema Seriado: o que convém ao Brasil

Publicado em 25/03/2017

 

Se falar em Progressão Continuada é falar em sistemas de ciclos, ou seja, o aluno cumpre uma etapa ou um ciclo que é de três ou quatro anos para concluir o ciclo, dessa forma durante esse período a turma, que nunca é muito extensa, girando em torno de 45 ou menos, tem a possibilidade de receber, por parte dos professores uma atenção maior e fixar mais os conteúdos. Já no sistema seriado o aluno cumpre um cronograma curricular anual sendo promovido de série mediante avaliações que tem um caráter punitivo, ou se apreende os conteúdos ministrados durante o ano ou a punição vira através da retenção, o que acaba desaguando em grande evasão escolar. A questão é que no Brasil fez-se um mix dos dois modelos e o que acabou acontecendo foi um “samba do criolo” doido, ou seja, não vale um e nem o outro e os alunos acabam se “beneficiando” dessa situação e são promovidos anualmente de uma forma automática sendo os conteúdos ministrados relegados a um segundo plano, assim  esse mix gera o que se convencionou chamar de analfabetismo funcional, pois a clientela escolar vai sendo promovida sem saber sequer escrever direito o próprio nome.

O que tem que ficar claro é que o Sistema de Ciclos é uma experiência pedagógica, apesar de estar demonstrando resultados positivos nos países em que foi devidamente implantada, ainda em andamento e requer empenho e capacitação dos professores que acompanharão a turma ao longo desses anos o que para nossas escolas e nossos educadores é uma realidade ainda muito distante. Implantado em países desenvolvidos como a Noruega, primeira nação, em qualidade de vida e Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, segundo o PNUD, Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento, lançado essa semana, a Progressão Continuada, ou sistema de ciclos, encontra muita resistência no Brasil, 79 classificado, segundo a mesma pesquisa, mais pela forma com que foi implantado bem como o desconhecimento generalizado do que venha a ser e os reais benefícios que possa trazer quando devidamente realizado. Assim sendo a educação na Terra Brasilis, que no momento passa por mais uma reviravolta com a proposta de mudança na grade curricular do governo Temer, da qual já falamos a respeito anteriormente, parece ainda longe de ter uma hegemonia no que diz respeito a seus paradigmas pedagógicos.

Recentemente participei de uma palestra em uma universidade com educadores brasileiros e latinos americanos que realizaram extensa pesquisa sobre o tema e os impactos que varias situações, como renda familiar, escolaridade do país e assim por diante, tem na formação de nossos alunos, não só no Brasil, mas também em toda a America Latina que tem situação econômica e governamental semelhante. As conclusões apontam para uma dura realidade a ser enfrentada em nossas escolas e nos trás a certeza de ainda estamos distantes do dia em que poderemos ser vistos como o país e mesmo o continente, onde a educação é prioridade e prospera apesar de nossos políticos de plantão alardear o contrario.

Atualmente afastado das salas de aula, pisei o chão dessa fabrica cujo principal objetivo é a formação de nossos jovens cidadãos para a vida. A avaliar pelo sucateamento de boa parte de nossas escolas, a baixa remuneração de nossos professores e as idas e vindas dos responsáveis por uma área de tamanha importância para qualquer nação, ainda estamos longe de realizarmos o sonho de sermos, como queriam alguns, uma “Pátria educadora”. Porém esse objetivo tem que estar presente na pauta de todo governante e um caminho seria a abertura de uma assembleia que reúna país, alunos, professores e educadores em um amplo debate nacional, guardadas as peculiaridades de cada região, a principio sem prazo definido para  encerrar, pois que para se assegurar um consenso que repercuta na qualidade de nosso ensino leva tempo, sobre a educação que queremos para nossos filhos e que formatará o futuro de nosso país.

 

Armando Barreto – Jornalista – MTB 23108

Especialista em Educação, Coaching e Liderança

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A mulher na educação

Publicado em 08/03/2017

 

Desde tempos imemoriais a mulher tem tido papel de relevância na vida de todas as sociedades. Diametralmente em oposição a sua posição de provedora da vida e de sua principal cuidadora, à mulher tem sido relegado um segundo plano na existência humana, também desde de tempos dos quais não temos a mais tênue lembrança. Para se ter uma idéia e nos atermos em épocas mais recentes, nas varias obras sobre o papel que o sexo feminino desempenha no processo de evolução social vamos encontrar, desde o Brasil colônia, a mulher mãe, dona de casa, esposa, filha, concubina e muito recentemente a mulher educadora, professora, artista e profissional.

No campo da educação propriamente dito, no Brasil, o sexo feminino começa a ter participação na formação de nossas crianças, enquanto alfabetização das mesmas, depois da chegada da corte portuguesa em 1808, até porque é a partir daí que começam a surgir as primeiras escolas para meninas, e mesmo assim era um privilégio das moças abastadas, filhas de senhores de engenho e membros da realeza, que começavam a ter acesso a um modelo educacional mais voltado para, o que a sociedade da época, pressupunha ser uma educação mais vocacionada para os pendores femininos, na maior parte das vezes prepará-las para um casamento promissor.

Todo modelo educacional em qualquer país ou nação do globo sempre reflete o seu tempo e, sobretudo, as propostas e anseios do governo que as implantam. Assim, a inserção da mulher na esfera educacional deu-se por imperativos religiosos e da evolução do modelo de sociedade que começava a se implantar no país, e no qual a mulher ascendia a uma condição que transcendia seu papel de coadjuvante e começava a se impor como protagonista ao lado do homem.

Processo este que está longe de sua concretização, pois apesar das conquistas que o gênero feminino coleciona ao longo de todos esses anos, seja na educação, lugar aonde elas hoje são preponderantes, ou em outro setor qualquer da sociedade, a paridade entre homens e mulheres segue a passos lentos. Elas ainda ganham menos que os homens, são forçadas a jornadas duplas, quando senão triplas para dar conta da vida profissional, família, etc. Além da violência a que estão expostas, são vistas, ainda, por boa parcela da população como inferiores, embora essa face cruel da discriminação contra a mulher seja maquilada e suavizada pela pratica do politicamente correto.

Recente pesquisa realizada na Finlândia da conta de que a igualdade naquele país entre homens e mulheres, seja no mercado de trabalho, seja na participação feminina na vida pública daquele país, está rapidamente se igualando a do homem. Em um paralelo com o Brasil, no ritmo de conquistas que vão no mesmo sentido, levaremos cerca de 90 anos para alcançarmos os finlandeses. E o que dizer então da condição da mulher em países do Oriente Médio que por miopia religiosa e ideológica as mulheres são proibidas de frequentarem as escolas?

O mundo é muito dispare e desigual em vários assuntos, e em relação à igualdade de gênero então nem se fale. Se para o Brasil se equiparar a um país como a Finlândia no quesito igualdade entre os sexos, levaria quase um século, diria que para que todos os países do globo possam chegar a uma condição de plena igualdade de gênero, talvez, quem sabe, uns mil anos? A pergunta é: agindo como estamos agindo em relação à vida que nos cerca, terá a humanidade esses mil ano?

A resposta e a verdade é que o homem precisa urgentemente rever seus valores em relação a tudo o que o cerca e, sobretudo, a forma como representa essa realidade, seja em relação a sua companheira ou simplesmente do papel que ele ou ela representa na sociedade e no mundo que quer legar para os seus filhos, e a educação é o único caminho para que isso aconteça e que mudanças ocorram para que haja um futuro para a humanidade.

Armando Barreto – Jornalista – Mtb 23108

Especialista em Educação, Coaching e Liderança

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Com uma medida provisória o governo Temer impõe novas regras para o ensino médio

Publicado em 01/03/2017

A pergunta que não quer calar é: será legitimo impor, através de uma medida provisória, novas regras para a educação de nossos jovens? Que os paradigmas pedagógicos que norteiam a educação no Brasil, sobretudo o ensino médio, necessitam de mudanças e atualização é fato, porém sendo a educação uma área aberta e de constante evolução, não seria mais lógico se abrir um diálogo com a população, pais, mestres, professores, educadores e alunos para, a partir daí, se estabelecer as premissas necessárias para essas mudanças.

Há um ditado popular que diz que durante grandes borrascas se o timoneiro de uma embarcação parar e ouvir opiniões de como deve conduzir o barco este fatalmente afundará e ninguém será salvo, pois não haverá consenso. Se transposto para as mudanças que passam a valer para o Ensino Médio Temer, como o timoneiro mor do país, sequer olhou para os lados dos embarcados mais interessados, decidiu com seu staff que assim seria e ponto.

Se esse é o caminho certo a ser seguido o tempo dirá. No entanto várias são as indagações que estão no ar e devem ser respondidas, ou melhor, esclarecidas, para que essas mudanças atinjam seus objetivos. Entre elas elencamos algumas e o que diz os autores da reforma tais como:

 O que vem a serem essas medidas provisórias?

A explicação é simples, é um conjunto de medidas que alteram o modelo de educação nesta fase do ensino básico. Segundo consta o objetivo seria tornar o ensino médio mais atrativo para os alunos. A medida visa ainda, segundo o governo, diminuir a evasão escolar.

Quais as instituições de ensino que devem cumprir essas novas medidas?

Resposta: todas as escolas públicas e privadas que atendem ao ensino médio.

Quais seriam as principais mudanças no novo modelo?

Segundo os autores da medida, um dos principais pontos é em relação à grade que hoje é de 800 horas e passa para 1400 horas durante o ano letivo, o que na pratica faz com que o aluno passe a ficar na escola em período integral, hoje este modelo está restrito a apenas 6% dos alunos matriculados, devendo passar para 25 % em 2024, pelo menos essa é a previsão do governo.

Outro ponto crucial é a flexibilização no currículo, pois apenas parte das disciplinas será comum a todos, podendo o aluno optar por áreas de seu interesse, a saber: linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e/ou ensino técnico. Além de poder ser cursado por módulos, no sistema de créditos, 50% do currículo, seguirá a base nacional comum, sendo que o restante deve ser definido pelas redes de ensino.

Além desses há outros que geram polêmica e, como fica claro, ainda estão envoltos em discrepâncias e duvidas a serem elucidadas. Em uma última analise esse novo modelo de ensino que tem provocado muitas discussões entre os especialistas do setor, segue sem consenso entre a maioria deles. Como disse antes, embora entendendo que é um debate que envolve toda população, pois educação é à base de sustentação e evolução de qualquer nação e ciente do dissenso até aqui provocado, sabendo que uma assembleia aberta poderia onerar em anos sem que nenhuma mudança fosse realizada, entendo que o governo, apesar de ter dado um primeiro passo importante, mesmo que impositivo, deva manter os ouvidos abertos às demanda e criticas de toda população brasileira e fazer os ajustes necessários atendendo a essas demandas e, mais ainda, não fechar questão, pois o tema educação é uma obra sempre aberta e sujeita e variações, chuvas e intempéries, só não pode ser pega de surpresa por tempestades e trovoadas nas quais o maior dos capitães teria dificuldades em conduzir essa tão necessária embarcação sem a qual um povo nunca pode alcançar a qualidade de vida exigida pelos seus cidadãos.

 

Armando Barreto – Jornalista – Mtb 23108

Especialista em Educação, Coaching e Liderança

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A grande meta do Ensino Médio

Publicado em 08/11/2016
A grande meta do Ensino Médio 
 
 
Pelo título, estou certa de que você, caro leitor, lembrou-se do tão falado e temido vestibular. Afinal de contas, existe algum outro motivo do estudante dedicar parte de sua vida adolescente à um Colégio? Existe outro motivo deste jovem perder-se entre livros e pó de borracha durante (in)cansáveis anos? 
 
Ora, é claro que sim! E lhe asseguro que não é por conta do vestibular! Sim, a grande meta do ensino médio não é o vestibular! 
A grande meta deste jovem é um aglomerado entre conhecer suas aptidões, vocações e talentos. É um mergulho em si mesmo afim de descobrir o que ele realmente é. E, à partir disso, construir seu futuro com base em seus desejos e suas potencialidades. 
Sim, parece muito filosófico, mas essa nada mais é do que a grande meta deste que chamamos de vestibulando! E por que vestibulando se esta não é sua principal razão de ser? E qual, afinal de contas, é esta grande meta? 
 
Sejamos claros então. A grande meta deste jovem é o que o fará um cidadão de bem, o que o ajudará a construir sua família e seu futuro. Sua grande meta é o seu trabalho! É a escolha de sua profissão. Uma escolha que terá reflexos em toda sua vida e, infelizmente, ainda não está presente na agenda deste “vestibulando”, perdendo audiência para o “provão vilão”. 
Encorajo os Colégios dedicados na agenda deste vestibulando a incorporar o tema escolha profissional na mesma importância em que vêem a libertadora prova vestibular. Não basta o jovem gabaritar a temida prova se sua escolha profissional não for a correta, não for a mais alinhada às suas competências, habilidades e talentos. Libertador é ter prazer e sucesso em seu trabalho, sendo produtivo e ocupando seu tempo com o que ama fazer. Mas, para isso, há que se dedicar um tempo em um processo realmente investigativo. Investigar quem você é, o que gosta de fazer e faz bem e qual profissão poderia acolher essas características. E este não é um trabalho fácil. 
 
Assim, caros Colégios, auxiliem este jovem a entender que existe a grande meta por trás do exame vestibular e que, sem ela, de nada adianta as noites sem dormir e o pó de borracha aglomerado nos meios de suas apostilas. Esta é uma decisão que precisa do auxilio de vocês e precisa estar na agenda deste futuro profissional, ávido por trabalhar no que ama e construir uma história de sucesso e memoráveis realizações. Isso sim é libertador! Esta é a grande meta! 
 
Andrea Canuto Profissional de Recursos Humanos e Diretora da Vane Ventus Orientação Profissional

www.vaneventus.com.br

 

FIES: botando a boca no trombone

Publicado em 08/02/2015

Se você sabe como ajudar o estudante André Monteiro, ou se passou por problemas similares com o FIES, deixe aqui seu relato!

"Como é sabido, o site do SISFIES que estava inoperante e/ou com problemas desde as alterações nas normativas exigidas no final de 2014 foi liberado há cerca de duas semanas para aditamentos e demais procedimentos de manutenção contratual.

Ocorre que para concluir as solicitações o sistema envia um código de confirmação para o celular do estudante, que deve ser digitado na pagina do SISFIES para dar andamento nos processos.

Na ultima segunda feira, 02/02/2015, efetuei todo o procedimento de aditamento contratual pelo portal, fui até a instituição de ensino na qual estudo por quatro dias consecutivos e informaram que havia instabilidade no sistema, impedindo atendimento. Em minha quinta tentativa conseguiram acesso, mas constava na página da universidade que nenhum aditamento havia sido solicitado, quando minha entrada inicial dava prazo até 11/02/2015 para conclusão. Desde então tento reiniciar o processo, mas não recebo o sms para validação do meu contrato.

Outras pessoas estão com o mesmo problema por todo o Brasil:

http://www.reclameaqui.com.br/11725033/fies-mec/codigo-via-sms/

http://www.reclameaqui.com.br/11705684/fies-mec/nao-recebo-o-codigo-de-seguranca-via-sms/

http://www.reclameaqui.com.br/11737791/fies-mec/esperando-sms-do-fies/

(Há mais reclamações registradas no Facebook)

Entro em contato com o MEC (0800 616161) e informam que não podem efetuar alterações cadastrais a fim de enviar a mensagem para outro numero (o site também não oferece esta alternativa), alguns atendentes pedem para aguardar o prazo de 24 horas, outros informam que é um problema no sinal do meu aparelho (que funciona perfeitamente) e um deles me deu um endereço de Brasília para resolução presencial, vivo em São Paulo.

A sensação é de descaso e/ou boicote, pois não há segurança alguma em qualquer documento quanto aos prazos para consecução destes procedimentos. Vocês podem nos ajudar?

Agradeço desde já.

André Monteiro

agfmonteiro@gmail.com"

 

 

Projeto Escola de Escritores

Publicado em 13/02/2014

"O poeta e escritor Mario Quintana já dizia: "Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas". Pensando nisso, a publiki, uma editora que está completando seu primeiro ano de vida no Rio de Janeiro, lança, esta semana, o projeto Escola de Escritores.

Ao serem apresentados aos mais variados estilos literários, os alunos do Ensino Fundamental e Médio das escolas que aderem ao projeto têm a chance de produzir os próprios textos em forma de conto, poesia, crônica, trova, entre outros, e vê-los transformados em um livro de verdade, com direito até à sessão de autógrafos.

A publiki reúne as produções dos alunos e providencia a edição completa dos livros, incluindo a criação da capa, diagramação, registro de ISBN, indexação da obra na Biblioteca Nacional, impressão e acabamento.

Os professores de Língua Portuguesa e Literatura têm agora uma ferramenta lúdica e pedagógica para inserir os alunos no contexto literário brasileiro e desenvolver neles o gosto pela leitura.

Numa época em que os adolescentes estão cada vez mais "digitais" e "conectados", o projeto Escola de Escritores os transforma em verdadeiros autores de livros. Eles internalizam a experiência literária de forma profunda, desenvolvem espírito colaborativo, além de levar o registro concreto do aprendizado por toda a vida.

Mais informações sobre o projeto Escola do Livro podem ser obtidos através do link: http://publiki.me/editora/servicos/escola-de-escritores/."

Abraço e até a próxima dica!

Adélia Lopes 

Quer um conselho

Publicado em 10/12/2013

Às vésperas dos Conselhos de Classe finais, o desespero. É sempre assim, comigo: olho para trás, refaço a caminhada e vejo que muito pouco mudou. Entristeço-me por saber que não fui compreendida nos Conselhos de Classe ao longo do ano na escola, e todo esse turbilhão de sentimentos me leva aos prantos. Eu sempre choro em dias de Conselho de Classe.

Bem, eu resolvi vir até aqui, para tentar lembrar aos Professores de alguns detalhes dos quais muitos se esquecem, tamanho é o cansaço neste fim de ano. Vim deixar um conselho, para quem quiser. E o “jogo” com a palavra de duplo sentido é proposital.

Fora dos quatro muros da escola existe uma coisa chamada VIDA, que raramente vemos acontecer do lado de dentro desses muros. A VIDA está lá, colorida, turbulenta, dinâmica, e muito, muito fugaz. Recebemos as crianças na escola quando lhes começa a vida. E, quando tudo lhes parece maravilhoso, a colocamos dentro daquelas paredes horrorosas, frias, nada sedutoras que a escola apresenta e lhe dizemos que ali ela irá passar alguns anos. Nós só nos esquecemos – ou nos omitimos – de dizer a ela que são os seus melhores anos, de que são muitos os anos, e de que há adultos lá dentro que a farão ficar ainda mais tempo do que o previsto! Mais tarde, uns doze anos mais tarde, vemos nos olhos daquela criança que colocamos na escola um vazio, uma incerteza, uma tristeza que tem nome: escola.

Há casos e casos, bem sei. Impossível defender todos, por aqui. Mas vim tentar “salvar” alguns...

Reuniões de Conselho de Classe – sobretudo as finais! – devem levar em consideração o que o aluno sabe ou não sabe. Mas isto pressupõe o responsável trabalho do Professor em despertar esse gosto pelo saber ou, pelo menos, pelo querer saber.

Reuniões de Conselho de Classe – sobretudo as finais! – devem levar em consideração o efetivo aprendizado ocorrido na sala de aula (ou fora dela, quando possível), a troca de experiências realizadas e, ao avaliar os resultados, o Professor deve cogitar, inclusive, sobre o que também aprendeu nesse circuito. Alunos ensinam, e isto não é, definitivamente, um jargão.

Reuniões de Conselho de Classe – sobretudo as finais! – devem desprezar avaliações medíocres e superficiais sobre o comportamento indisciplinado dos alunos. Se um tipo ou outro de comportamento sinaliza que algo está errado com eles – seja na sala de aula ou em casa – e nada foi feito pela escola para investigar o problema e tentar saná-lo, essa questão deve ser substituída por um olhar direcionado ao que se aprendeu. Problemas de comportamento não podem tirar do aluno o que ele conquistou. Não há como aceitar que um aluno tenha sua nota ou conceito diminuídos por conta de questões que nada têm a ver com os conteúdos trabalhados durante o ano: um aluno que saiba realizar uma equação de segundo grau não deixa de sabê-lo se atirar uma cadeira pela janela da sala.

Não, não estou defendendo que sejam aprovados os piores alunos da escola. Estou sugerindo (para não dizer clamando) que as conversas que acontecem nos Conselhos de Classe sejam responsáveis. Ando farta daquilo que chamo de “berlinda”, modelo de Conselho que mais me faz lembrar aquela brincadeira (?) onde criávamos apelidos para os azarentos que tinham seus nomes sorteados e ficavam no meio da roda. Hoje essa brincadeira teria outro nome, e seria a perfeita exemplificação de bullying.

As famílias andam diferentes hoje em dia. Os pais não estão educando seus filhos como os Professores esperavam que estivessem. As drogas e todo o submundo da criminalidade estão no entorno da escola. Professores recebem salários aviltantes, têm uma condição de vida humilhante, também. A tristeza e o horror de uma vida indigna levam a violência para dentro da escola, mas nada, nada disto deve interferir na hora de se julgar e decidir sobre o futuro do menino ou da menina: há VIDA lá fora. O tempo passa. As coisas mudam. As verdades não são mais as mesmas. A Terra é que gira em torno do Sol, sabemos disto agora, depois que tanta gente morreu por defender o contrário.

Não precisamos de mais mortes. Não precisamos matar quem já está numa trilha sem muitas perspectivas.

Meu conselho é que se faça dos Conselhos de Classe finais que vêm por aí verdadeiras reuniões de avaliação. E que almas sejam salvas, porque, aos quarenta e cinco anos, já não tenho mais dúvidas de que o melhor da VIDA passamos na escola.

Karla Pontes

karl.apontes@hotmail.com

Novo Concurso Cultural

Publicado em 05/11/2013

 "Um Clic na Cuca

A evolução das tecnologias digitais de informação e comunicação tem transformado profundamente a sociedade em todas as suas dimensões, inclusive a educação. Considerando isso, este livro apresenta e discute dois importantes aspectos que afetam profundamente a educação tradicional. O primeiro aspecto abordado são as mudanças causadas pela disseminação e penetração das plataformas e tecnologias digitais na sociedade, o segundo são os impactos dessas mudanças na educação e as possibilidades que as plataformas e tecnologias digitais apresentam.
Esse novo panorama repleto de possibilidades, conexões e ampliação do potencial humano, traz também profundas transformações e, consequentemente, novos  desafios. A Era da Informação está dando lugar à Era da Inovação e com isso questionamentos surgem: como deve ser a educação na era digital? Que desafios e oportunidades ela nos traz?
O professor exerce um papel essencial nesse novo mundo digital, não mais como um “provedor de conteúdos”, mas funcionando como um catalisador de reflexões e conexões para seus alunos nesse ambiente mais complexo, que também é mais rico e poderoso. A intenção é auxiliar os professores a se sentirem preparados para continuar acompanhando as tendências e possibilidades que surgirão.

Como  este livro trata de transformações digitais, nada mais natural do que apresentar cases e exemplos de forma digital. Assim, para permitir que o leitor acesse links digitais apresentados ao longo do texto, os cases e exemplos trazem um QRcode que pode ser escaneado e acessado imediatamente on-line. Assim, a experiência de leitura do livro físico torna-se totalmente integrada com o conteúdo digital!"

 

Gostou? Então participe do nosso novo Concurso Cultural "Educação & Tecnologia" e concorra a um exemplar deste livro super bacana de autoria de Martha Gabriel! 

Um abraço e até a próxima!

Adélia Lopes

 

 

Aventura consular

Publicado em 17/10/2013

Sentada na sala de espera do Consulado Italiano em São Paulo, escrevo discretamente, sem chamar atenção porque se alguma autoridade italiana resolver ler meus diários, não sei que tipo de carimbo podem grudar no meu passaporte.

Mas vamos ao ponto: como é a representação da Itália no Brasil?

Primeira coisa que vejo, chegando ao endereço: uma p... fila na porta. Mas atenção!! Eu disse: FILA.  No sentido indiano da palavra. Aqui se obedece à geometria da reta, e cada um destes filhos de italianos nascidos aqui obedecem a ordem, e entram um a um no predio.

La dentro, um “carabinieri” especialmente gentil nos recebe. Fala português com pouquíssimo sotaque e brinca. Me dá uma senha e me explica onde devo ir, uma sala lotada de gente, o que me faz já imaginar o tempo que vai levar. Um senhor abre a porta e chama a próxima senha, mas um rapaz negro falando em inglês baixinho se aproxima deste senhor e diz qualquer coisa. O senhor diz “ok”, mas um italiano sentado próximo reclama. O senhor explica que esta fazendo uma cortesia e o italiano faz cara feia, com uma olhar tipo: “siamo in Brasile, qui se fa la FILA”. O senhor pede um minuto, entra na sala e depois volta para chamar o italiano. Quem não chora não mama.

As pessoas vão chegando e saindo, se olham e puxam papo para passar o tempo. Curiosa, vou perguntando o que cada um está fazendo ali e descubro que se cada um aqui estivesse escrevendo o seu diário na Itália, estaríamos falando a mesma coisa. A senhora ao lado me diz que no consulado da Alemanha é tudo muito mais fácil, são sérios, mas não criam problemas. As duas sentadas à frente me olham, sorriem e me dizem: “E nos é que somos o terceiro mundo!!”. Elas estiveram no consulado inglês para fazer um visto de turismo e foram atendidas pontualmente no horário agendado. E em três dias receberam o passaporte com o visto em casa. A moça em pé comenta que aqui fizeram ela voltar 3 vezes por causa de uma palavra no documento.

Faz uma hora que estou sentada aqui, e para a alegria dos meus leitores, esqueci-me de trazer um livro. Mas enfim chega a minha vez, sou a ultima pessoa na sala. Entro sem saber se o senhor que me atendera esta feliz por que acabaram as senhas, ou irritadíssimo depois de atender a todos os que estavam na minha frente. Preparo-me para o pior.

Mas, surpresa!!  Sou atendida com muita gentileza e simpatia ...    Com muita boa vontade, o senhor X ... digamos, ficticiamente, o Beppe, vê todos meus documentos, analisa minha situação e procura uma solução : pela regra os brasileiros estão autorizados a entrar nos países que fazem parte do acordo de área SCHENGEN (praticamente toda a Europa) como turistas ou a negócios para uma permanência de no maximo 90 dias. Ate aqui eu sabia. Mas só podem ficar estes 3 meses a cada 6 meses, ou seja, depois de uma estada de 90 dias, devem esperar 3 meses para poder retornar à Europa.  Isso eu não sabia!

Como estive na Europa de Dezembro a Março, só poderia voltar em Junho. Explico a Beppe que estou trabalhando e que devo voltar à Itália antes de Junho. Tenho reuniões agendadas, devo participar de road show, fazer meu trabalho. Apresentei todos os comprovantes de emprego, renda, parcerias com a empresa italiana e ele encontrou uma solução: vamos fazer um visto de negócios de “longa duração”, com validade ate Setembro e com  um custo de R$ 150,00. Pacientemente ele checa os documentos que devo trazer e me sugere voltar na quinta feira antes que suba o valor da taxa.

Hoje é quinta feira e acordei bem cedo para chegar ao consulado antes da abertura e garantir um lugar na fila. Meia hora de espera do lado de fora ate conseguir entrar e descobrir que estou com sorte: já haviam acabado as senhas e o nosso “carabinieri” estava já para nos dispensar quando, por um milagre, duas pessoas desistiram. A moça que estava na minha frente recebeu a penúltima senha, eu a ultima!!

A sala de espera transbordando, pessoas sentadas nas escadas, no chão, espalhadas pelo andar.  Mas eu estava muito confiante achando que ter conseguido a senha era um sinal de que tudo daria certo.

Passou a primeira hora e eu tentava ler um livro sem conseguir me concentrar.  Do meu lado estavam seis mulatas M A R A V I L H O S A S, altas, imponentes, peitudas e bundudas, passistas de escola de samba que, junto com seu empresário, tentavam o visto para algum evento na Itália. Mas hoje eu não queria puxar conversa e só acompanhei o zumzumzum. Faltava algo na documentação e elas teriam que esperar um telefonema. Assim pularam as suas 6 senhas, anteriores a minhas, o que me fez ter a certeza  de que realmente era meu dia de sorte, seria muito mais rápido do que eu imaginava.

Na sala estava também aquela senhora que já havia feito o visto inglês e com ela trocamos algumas palavras. Contou-me que alem do meu amigo Beppe, tinha também uma moça muito antipática, que foi quem a atendeu na terça feira, que procurava pelo em ovo para dificultar a concessão de um simples visto de turismo (para a sua mãe que é boliviana). Fiquei torcendo para ser atendida por Beppe que já era meu amigo, desde criancinha.

A senha anterior a minha empacou, demorou uns 40 minutos ate chamarem o meu numero, e quem chamou?? Meu amigo Beppe !!!! Viva ... meu dia de sorte, dara tudo certo.

Beppe checou comigo todos os documentos com suas respectivas copias, a carta tinha que ser original, mas tudo bem, eu podia entregar depois e já que tinha que refazer melhor mudar essa palavrinha aqui. Ok !! Como o senhor quiser.

E então meu amigo Beppe se levantou e foi falar com o chefe na mesa ao lado. Não gostei ... Falaram muito e eu sabia que estavam falando de mim .... ele estava explicando que eu já havia estado 3 meses este ano, que a empresa de la me convidava .. foram juntos ate o armário no outro lado da sala e consultaram um livro, falaram novamente e eu comecei a ficar preocupada.

Beppe voltou a mesa e me disse : “Desculpe eu errei ! Não podemos te conceder este visto ! O visto de negócios é de 90 dias, não pode ser mais longo e não posso te cobrar por isso. Porque mais de 90 dias deixaria de ser Negócios e seria Trabalho. Desculpe !!”

E o que eu faço??

A única opção seria a empresa italiana te contratar!

Mas nos sabemos que não funciona assim. Primeiro não se pode pedir para um cliente te contratar, depois fazer este tramite todo de importação de um funcionário, com a já conhecida burocracia la na Itália, mil carimbos, BOLOS a cada 50 linhas em um contrato, taxas para pagar no correio ou no super mercado,  e vistos a serem concedidos por este mesmo consulado que só atende 20 pessoas por dia, 3 dias por semana, não é nada que se resolva em uma semana.

Sai do consulado desacorçoada, como dizia a Dadu. Com a cabeça a mil, pensando no que fazer. Decepcionada com meu ex-amigo Beppe. Sentindo-me uma extracomunitária. Triste que só.

E o que eu faço??

Ainda não sei .... vou pensar ... E por isso estou escrevendo este capitulo, para contar que por enquanto parece que fica adiada minha volta. O Andrea diz que as meninas não cansam de perguntar quando eu volto. Que a Gaia, essa semana, queria escrever: “Esseter (que é como ela consegue pronunciar meu nome) Ti voglio bene!”  Mas elas terão que esperar porque a Europa esta cada vez mais xenófoba e tentando dificultar ainda mais a entrada destes povos do sul, e do leste .... 

Bom, enquanto isso, vamos jantar... 

Esther Rapoport

Email : Esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

Uma escola que bate, outra que apanha

Publicado em 10/10/2013

Agora já não preciso mais abrir a boca para falar, para que quem perceba a voz rouca saindo da garganta conclua que sou Professor.

Não preciso do jaleco sujo de pó de giz, da calça jeans com manchas de caneta, do contracheque com aquele valor aviltante registrado. Porque agora, ao meu currículo, foram acrescentados alguns hematomas: é que eu apanho de policiais, também.

Agora Professores e Professoras apresentam em seus corpos as marcas da mais torpe forma de desvalorização. Eles trazem no corpo as feridas causadas por tiros de bala de borracha, socos, pontapés, puxões e empurrões, gás lacrimogêneo e spray de pimenta.

Sim, estou agredido, sou Professor.

Não bastasse a precária oferta de formação de qualidade, quando o primeiro desejo lhe bate ao coração – “quero ser Professor!” – aos Professores e Professoras foi somada, nos últimos dias, mais esta forma de descaso: Arrastados pelas ruas como... Como o que, eu poderia dizer, se não se espera que se arraste o pior dos criminosos, ou o animal mais perigoso?

Como resposta ao primeiro pensamento – o de querer ser Professor – vêm as incontáveis maneiras de se formar um. Infelizmente, são poucos os pretendentes à carreira que podem optar pela instituição mais qualificada para conferir-lhes o Diploma. Então, muitos enveredam nas promessas de aulas presenciais, ou semipresenciais, ou nada presenciais. Tentam dar o seu melhor, esforçam-se sobremaneira, e chegam às salas de aula.

Como resposta ao segundo pensamento – o de querer ser um bom Professor – vem o precário trabalho da escola. Assim, novos (cada vez mais novos!) Professores iniciam sua carreira profissional testando mil e uma possibilidades de realizarem um trabalho digno, contando com o pouco que a escola tem para lhes oferecer: recurso material insuficiente e recurso humano quase nenhum. Professores Orientadores, Supervisores e Orientadores Educacionais dividem seus horários de trabalho entre um número inconcebível de turmas, escolas e professores. Impossível dar-se conta daquele que chegou agora com um Diploma impecável nas mãos...

Segue, então, o Professor, sozinho, manobrando suas dúvidas, suas decepções, suas alegrias...

Neste misto de emoções, do outro lado, a política suja e a polícia que lhe é subserviente. E o apelo por uma qualidade de vida melhor sai ao preço do próprio sangue. Diante da televisão assisto, assustada, ao choro da Professora arrastada, do Professor sangrando.

Meu peito de Professora, de Educadora chora. Talvez eu entendesse, se tivéssemos elegido um representante de Estado que fosse analfabeto. Talvez eu tentasse compreender, se para ser um policial não fosse preciso ter passado pela escola.

Mas... se passaram por lá, todos! Se estiveram por tantos anos nos bancos! Como não puderam perceber o valor de um Professor?

E assistindo à escola que bate em Professores, confundo-me. Será que tudo o que ensinamos nas escolas tem fim, diante da ordem de um Governador ensandecido, ou será que formamos os loucos, sem nos darmos conta disso?

Autoria: Karla Pontes 

Berlim - São Paulo

Publicado em 02/10/2013

1h30 de vôo e estou no 1° mundo.

Vim a Berlim para participar de uma feira de turismo e, como sempre, me sinto muito benvinda nesta cidade.

E a quinta ou sexta vez que venho a Berlim, mas é a primeira vez que escrevo sobre isso.

Em 1996, na minha primeira visita, era ainda dia claro quando cheguei, sobrevoando a capital do Reich sentada na primeira classe em um avião da Lufthansa, muito emocionada. Pensava que pouco mais de 50 anos antes, a cidade que eu via abaixo era o inferno para muitos, mas principalmente para os judeus. E eu chegava, convidada e cuidada por um amigo recente, alemão, e aqui me senti sempre muito bem.

O berlinense é de uma simpatia sincera. São disponíveis e bem humorados. Mesmo sem falar a língua nunca tive nenhum problema para me comunicar e, aqui em Berlim, não vale aquela máxima de que todos os alemães falam inglês. Aqui tem muitos que falam russo, vindos do lado oriental da cidade ou do país. Mas te escutam, fazem mímicas, apontam tudo o que esta na vitrine ate você fazer sim com a cabeça, tentam servir com boa vontade e no final acabamos sempre amigos (como eu digo amigos desde criancinha...). 

Assim destruo mais um mito: que os italianos são mais simpáticos do que os alemães. Isso não é uma certeza! E simpático por simpático, os alemães são muito educados.

Mas é hora de fazer um esclarecimento fundamental.

Tenho contado as minhas peripécias na Itália, mas nunca disse que não gosto de lá, ou que sofro com a “burrocracia”. Eu ADORO a minha vida na Itália. Sinto-me muito feliz onde estou. Os italianos sofrem com as dificuldades que relato, eu não. Eu só conto porque acho interessante olhar o outro e fazer comparações, e sei que escrevendo meus relatos estou propondo, para quem os lê a pensar na nossa vida aí no Brasil.

Como sei que as coisas não são sempre como aparentam, acho que vivendo um pouco mais por aqui descobriria que é tão complicado como em qualquer outra parte do mundo. Porém, vendo assim rapidinho, este é o modelo de primeiro mundo: os trens são limpissimos e pontualissimos, as pessoas fazem filas, as maquinas funcionam e devolvem o troco certo, o funcionário público sorri quando você pergunta algo, as reuniões começam no horário marcado, quem confirmou aparece no evento, as pessoas pagam o bilhete do trem mesmo sabendo que não haverá fiscalização e todos os 34 canais da tv do Carsten só falam em alemão.

Ahhh, mas tem legenda em alguns filmes ... legenda em alemão.

Não falo uma palavra desta língua complicadíssima, mas assisti a um filme inteirinho esta noite e mesmo sendo todo dublado em alemão, acompanhei e entendi tudinho. O nome do filme?  Cantando na Chuva !!!

...

Dois dias de trabalho depois (pouco tempo para passar a sensação de euforia de ver tudo funcionando na maravilhosa Berlim), tenho que começar minha volta para casa ... casa Brasil.

São já três meses fora e este é o limite permitido pelas regras de Schengen para nós, brasileiros. A viagem de volta tem uma parada de 24 horas em Milão, para pegar o vôo da Tap para Lisboa e fazer a conexão para Sampa.

Em território Piratininga, a primeira coisa a fazer foi recuperar parte da minha identidade, ou seja, fui correndo ao cabeleireiro, manicure, depilação, e estou reencontrando as pintas, as manchas, o joelho, os dedos dos pés, revendo as minhas partes que estiveram ocultas por 3 meses, embaixo de muito agasalho. Foi um choque cromático!

Depois de passar todo o inverno na Europa, me sinto bem branca! Mas as peles do rosto e das mãos parecem mais lisas, não sei se é a umidade tropical ou o calor que esta me fazendo inchar. Apesar de estar cansada do frio quero frisar que o inverno na Europa tem uma magia que é a neve. A paisagem branca acalma e não consegui encontrar tristeza no ar. Não concordo com a visão estereotipada de que o inverno no Hemisfério norte é uma coisa cinza, úmida e pesada.

Pesados são os casados que usamos no Brasil. Lá vi uma coisa moderna, chamada termore, que é leve, respira e não esquenta: mantém a tua temperatura corporal. O máximo!

Mas aqui faz calor, muito calor, e mesmo em casa eu não paro de pensar na Itália. Quero continuar vivendo completamente minha experiência no universo psicocultural italiano e por isso vou hoje ao consulado italiano aqui em São Paulo para averiguar se posso continuar nessa vida de ir e vir, ficando no máximo três meses em cada estada lá, ou se devo ter uma relação mais formal com a Bota, ter um visto de verdade e não ser barrada na porta.

No próximo capitulo minha aventura consular! Até lá!

Esther Rapoport

Email : Esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

 

Quanto eu valho?

Publicado em 12/09/2013

Hoje é dia de prova. E eu estou aqui tentando adivinhar o que a Professora irá escolher para me perguntar...

Meu nome é Lucas, eu tenho 14 anos e estou cursando o 7º ano de escolaridade. Ano passado eu reprovei. E agora, assisto às aulas com muitos amigos novos, alguns que perderam o ano junto comigo, e os mesmos Professores.

Sim, eles são os mesmos. Só o de Geografia mudou. Ainda bem, porque foi exatamente em Geografia que fiquei reprovado. Agora para mim está até melhor de entender a matéria: o Professor fala mais devagar, é mais paciente – embora bem mais velho do que o anterior! – e quando termina de falar sobre um assunto, pergunta à turma se a gente entendeu.

Tudo anda muito chato lá na escola. Eu tenho oito disciplinas. Estou repetindo o ano. Tive notas boas em sete, perdi em Geografia. Então, quando entra um Professor na sala e a aula começa, eu tenho a sensação de que “já vi aquele filme”... Estranho, parece que os Professores decoram as coisas, porque aos meus ouvidos, as palavras deles soam como música, repetidas, repetidas, repetidas...

Hoje tenho prova de História. Trouxe para casa o questionário que a Professora passou para a gente estudar: são cinquenta perguntas. Ela disse que dez delas vão cair na prova. E que quem não acertar oito ficará para a recuperação. Eu acho que nem vou estudar, porque ela já avisou que na prova de recuperação só irão cair cinco. Sei lá, estou confuso. Não sei se decoro tudo, ou se jogo meu jogo favorito no computador.

Os Professores da escola dizem que as provas existem para revelar o valor dos alunos. Mais ou menos como “medir o aprendizado”. E eu estou pensando aqui, com meus botões, quanto será que eu valho? O que será que eles medem? Aprendizado? Mas eles não ensinam nada! Essa de História, por exemplo, é igual ao de Ciências: chega à sala, pergunta em que página do livro paramos na aula passada (nem dá “bom dia”!!!) e pede para abrirmos na página seguinte. Lê um ou dois parágrafos, pede que a gente se sente em dupla e faça as atividades do livro. O sinal bate e ela sai sem dizer um “até amanhã”!

Eu acho mesmo é que em dia de prova a gente tira a nota que o Professor vale. Minha Professora de História merecia que eu tirasse um zero. Afinal, se eu acertar todas as perguntas que ela escolher para a prova, estarei “provando” que sei decorar frases e textos, e não que sei História.

Outro dia ela estava falando sobre o descobrimento do Brasil. Eu levantei a mão e perguntei se os portugueses poderiam ter descoberto um lugar já habitado por outro povo. Ela me pediu para ficar quieto, e continuar acompanhando a leitura do texto do livro. Se essa pergunta cair na prova, tenho que me lembrar de escrever que o Brasil foi descoberto por portugueses, embora eu não acredite nisto, não. Já havia índios aqui!...

Os mesmos sete Professores do ano passado. As mesmas sete aulas chatas. Um Professor diferente, e uma aula que gosto de assistir: Geografia. Assim resumo minha vida na escola.

Graças a Deus tenho amigos por lá. Aqueles, sim, eu sei que sabem quanto eu valho. Agora, essas malditas provas... Como diz a garotada da minha geração, “ninguém merece”.

Saindo para estudar... Ainda falta eu decorar sete perguntas. Fui!

Autoria: Karla Pontes

Sobre médicos cubanos e brasileiros: idealismo, formação e irresponsabilidade dos governos

Publicado em 01/09/2013

Tenho acompanhado a discussão dos colegas no FB: uns contra e outros a favor, cada um a partir de perspectiva de análise diferente. Me parece que a questão , infelizmente, tem sido  reduzida aos aspectos corporativistas ou ideológicos partidários,  quando o que está em jogo , no meu entender, é  a situação injusta a que esses médicos cubanos estão  sendo  submetidos , além  da situação de excepcionalidade do ponto de vista legal ,  trabalhista  e educacional . A situação abre precedentes preocupantes,  pois coloca em cheque exigências legais do ministério da Educação e  do ministério  do Trabalho  e, por conseguinte, torna injusta também  a situação dos médicos brasileiros, que deveriam merecer atenção,  independente das questões corporativistas em jogo . Em qualquer discussão exigimos que as partes sejam ouvidas, mas no calor das discussões tendemos a transformar erroneamente alguns em heróis e outros em demônios.

 Comento a questão para refletir sobre os impactos desta excepcionalidade para a política de ensino superior do país e para a vulnerabilidade (e  precariedade) da situação desses médicos que atuarão nos rincões desse país,  que já é vivenciada por muitos médicos brasileiros que sabem da dificuldade que é trabalhar sem  condições mínimas para o exercício da profissão.

No que se refere à questão da validação do título, é  exigência do MEC que qualquer cidadão brasileiro que queira atuar como profissional em categorias que exigem o diploma de nível superior deve ter o seu diploma emitido por uma instituição brasileira reconhecida pelo  MEC. E todas as instituições de ensino superior  brasileiras (públicas ou privadas) para terem o diploma reconhecido devem submeter seus projetos políticos pedagógicos (estrutura curricular, carga horária de aulas teóricas e práticas, exigência ou não de estágios, características do trabalho de conclusão de curso, etc) à análise dos órgãos competentes (secretarias de educação estaduais ou federais)  para aprovação. O MEC define diretrizes curriculares mínimas para qualquer curso. Os cursos aprovados são submetidos periodicamente (a cada 5 anos) à avaliação para possibilitar o recredenciamento . É por isso que, periodicamente o MEC /  secretarias estaduais de educação  informam a lista de cursos públicos ou privados que  não tiveram o recredenciamento aprovado e são impedidos de abrirem novo vestibular. É assim na USP para qualquer curso!

No caso de diploma obtido no exterior, por brasileiro ou estrangeiro,  é exigência do MEC  ( ver http://portal.mec.gov.br/?option=com_content&view=article&id=12405&Itemid=317que o interessado em atuar profissionalmente no país tenha seu diploma reconhecido por alguma universidade pública (estadual ou federal) que tenha o curso equivalente.

As universidades designam uma comissão de especialistas para análise do histórico escolar  de acordo com critérios específicos  de avaliação. No caso da USP,  quando há equivalência de carga horária  e  70% dos conteúdos,  exige-se a complementação via disciplinas ou que o interessado se submeta a prova  para comprovar  domínio de  conhecimentos , competências ou habilidades não formalmente presentes no histórico escolar. No caso de estrangeiro é exigida a comprovação do domínio da língua portuguesa. Na área médica, os formados no exterior , inclusive brasileiros, devem se submeter a provas rigorosas. Isto para garantir que o profissional  tenha reconhecida sua competência para atuar na área e possa ter direito a obtenção do registro profissional  que possibilitará  o exercício da profissão de acordo com as leis  e  garantias trabalhistas. Em troca, será submetido a legislação brasileira  e para os casos de exercício inadequado da profissão  poderá ser responsabilizado  nas várias instâncias jurídicas pelos problemas decorrentes de sua eventual  incompetência profissional.

No caso da Europa, o acordo de Bolonha foi uma tentativa de tornar automático o reconhecimento de título obtido em qualquer dos países que assinaram o acordo para que profissionais formados nesses países pudessem atuar em  toda comunidade européia sem necessidade de reconhecimento do título, mas com exigência do domínio da língua do país onde se quer atuar.  Para tanto, todas as instituições de ensino superior participantes do acordo tiveram seus projetos político pedagógicos compatibilizados  , incluindo aspectos didáticos e critérios de avaliação de disciplinas e alunos.  Como a Inglaterra, por exemplo, não é signatária do acordo, os formados nas melhores universidades inglesas não tem reconhecimento automático para atuar na Europa a não ser por convênios interinstitucionais específicos. Assim como nós, brasileiros, não podemos atuar nem nos EUA, nem na Inglaterra, nem na Europa ou outros países da A. Latina,  sem reconhecimento do titulo. Exceção somente para os casos de dupla titulação.  Em todos os casos, o exercício da profissão é regulamentado pelas leis trabalhistas do país de atuação.

O que se propõe, no caso  dos médicos cubanos,  é a dispensa da validação do diploma sem qualquer avaliação dos profissionais. Para contornar a questão  emergencial se propõe  apenas um curso de  3 semanas  ao cabo do qual serão avaliados  conhecimentos oferecidos no curso e o conhecimento da língua portuguesa .  Isto se contrapõe a exigências legais do MEC, inclusive para brasileiros que obtiveram diplomas no exterior e que não estão atuando profissionalmente em nenhum canto do  país porque não tiveram condições de cumprir com as exigências do próprio MEC.  Para a área da Educação  abre-se  uma brecha de onde se pode passar uma manada.  Como os processos para ingresso nos cursos de nível superior (incluindo pós graduação) são diferentes em cada país,  brasileiros que não conseguem ingressar nos cursos de maior qualificação do país podem  buscar facilidades em outros países, como Cuba,  e exigirem o reconhecimento automático do título no seu retorno. 

Do ponto de vista trabalhista, a situação é ainda mais complexa. Não está claro, além dos aspectos relativos a garantias trabalhistas, quem será responsabilizado pela  inadequação do exercício profissional em casos de acidentes que envolvem a vida humana. Sabemos que a área da saúde é complexa, pois envolve não apenas capacidade de diagnóstico por parte do profissional,  de definição de tratamento e procedimentos de acompanhamento a partir desse diagnóstico e infra-estrutura laboratorial,  farmacêutica, de equipamentos, hospitalar, etc. Assim, a avaliação do desempenho do médico (cubano ou não) é sempre difícil, pois o simples socorro pode salvar uma vida, mas dependendo das condições e da patologia,  procedimentos iniciais inadequados podem agravar a situação e levar à morte do paciente.

Passei praticamente 18 meses  (entre 1979-1980) trabalhando em Santarém, no interior do Pará , em projetos da FAO , e vivi situações inusitadas de saúde,  que não foram resolvidos pelos melhores especialistas de São Paulo.  Em uma das vezes, tive problema dermatológico muito sério que acabou sendo resolvido por uma "curandeira" que tinha  amplos conhecimentos sobre  ervas da região amazônica. Mas, ela me alertou: a erva utilizada era de uma espécie que poderia ser confundida com várias outras que eram venenosas e apenas os índios da região sabiam distingui-la. No retorno a São Paulo trouxe a erva utilizada, que foi devidamente analisada em laboratório e os biólogos atestaram ser verdadeiro o alerta da "curandeira". Também presenciei casos de socorros equivocados e medicamentos emergenciais que foram receitados por agentes de saúde não preparados e cujos efeitos colaterais foram catastróficos.  Faltou anamnese cuidadosa e não é necessário entender de Medicina para saber que o diálogo com o paciente e o conhecimento da cultura local é essencial para o diagnóstico e o sucesso de  qualquer tratamento. Isto serve para todos os profissionais da área da saúde, médicos brasileiros ou estrangeiros, com diplomas de boas universidades ou não. Por outro lado, há uma centena de médicos que passaram pelas mais difíceis situações para conseguirem se formar no Brasil ou ter diploma reconhecido no país que,  injustamente , são considerados mercenários por não aceitarem trabalhar em condições de total inadequação para o exercício da profissão, pois sabem dos riscos que correrão ao assumir tamanha responsabilidade e por isso  exigem condições mínimas de infra-estrutura para o exercício profissional.

Assim,  me parece que a questão  é que os médicos cubanos, com toda boa vontade, dedicação e idealismo,  excetuados aqueles que têm outros interesses inconfessáveis,  estarão se colocando em situação absolutamente vulnerável e injusta com eles próprios, correndo riscos de serem responsabilizados por  qualquer eventualidade típica da área médica , mas que nesse caso,  se ocorrer , será utilizado de forma cruel pelos opositores de toda natureza. Não terão os benefícios trabalhistas que a lei brasileira concede, não terão autonomia para exigir infra-estrutura , não terão  com quem compartilhar ou a quem responsabilizar por situações que fugirão ao seu controle , independente de sua competência. Triste , porque é decorrência de ações  superficiais e  imediatistas de  governos estaduais ou federais  que não estão fazendo sua parte com a devida responsabilidade que o assunto exige , sejam  eles  brasileiros ou  cubanos.  E, se Deus é brasileiro, peço que, nesse caso, olhe também para os cubanos porque na mão deles está sendo colocada uma responsabilidade desumana ...

Asa Fujino

Graduada em Biblioteconomia e Documentação, mestre e doutora em Ciências da Comunicação. Atua como docente da graduação e da pós-graduação na ECA/USP.

REGULAMENTO CONCURSOS CULTURAIS

Publicado em 15/08/2013

1. Todos os concursos de natureza cultural e recreativa promovidos pelo Educadores Online (doravante simplesmente CONCURSO) serão regidos pelo presente Regulamento.

2. O CONCURSO tem caráter exclusivamente cultural/recreativo e não está vinculado à sorte ou subordinado à aquisição de qualquer produto ou ao uso de qualquer serviço ou pagamento adicional por parte dos participantes ou dos contemplados, em conformidade com a legislação nacional vigente (inciso II do artigo 3º da Lei n° 5.768/71, regulamentada pelo Decreto n° 70.951/72).

3. O CONCURSO será realizado exclusivamente pela página do EDUCADORES ONLINE no Facebook facebook.com/educadoresnlinebrasil. O CONCURSO não é patrocinado, administrado ou associado à rede social Facebook, sendo a sua realização de exclusiva responsabilidade do EDUCADORES ONLINE. Todas as informações e conteúdos fornecidos pelos participantes do CONCURSO serão direcionados exclusivamente para o EDUCADORES ONLINE.

4. Dos Participantes

4.1. A participação no CONCURSO é voluntária, gratuita e aberta a qualquer pessoa física residente e domiciliada em território nacional.

4.1.1. Tal qual previsto na legislação brasileira, os menores de 18 (dezoito) anos deverão ser representados e/ou assistidos por seus pais, tutores ou responsáveis maiores de idade, cabendo a estes as responsabilidades decorrentes da participação no CONCURSO.

4.2. É vedada a participação de qualquer pessoa física diretamente envolvida com a organização e realização do CONCURSO, entre eles os empregados do EDUCADORES ONLINE, das agências e empresas envolvidas na organização e realização do CONCURSO e dos membros da Comissão Julgadora, assim como seus cônjuges e parentes em até segundo grau.

4.3. A participação no CONCURSO implica total reconhecimento das condições e aceitação irrestrita deste Regulamento e todos os outros materiais relacionados ao CONCURSO publicados no site EDUCADORES ONLINE, inclusive, sem limitação, o período do concurso, a lista de prêmios e/ou todas as instruções de participação.

5. Prazos

5.1. O período de Inscrição, da apuração e da divulgação dos resultados do CONCURSO serão  informados na página do Facebook do EDUCADORES ONLINE.

5.2. Os prazos estipulados poderão ser prorrogados ou encerrados antes das datas previstas, ao exclusivo critério do EDUCADORES ONLINE, mediante prévia divulgação na página do CONCURSO.

5.3. O EDUCADORES ONLINE poderá suspender ou interromper definitivamente o CONCURSO, a qualquer tempo e ao seu exclusivo critério, sem que sejam devidos aos participantes quaisquer premiações, bonificações, compensações, indenizações ou pagamentos.

6. Como participar

6.1. Para efetuar a sua inscrição no CONCURSO, os interessados deverão, observado o período de inscrição estabelecido: (a) acessar página do EDUCADORES ONLINE no Facebook (facebook.com/educadoresonlinebrasil); (b) preencher o formulário disponibilizado com os dados pessoais do participante, se for aplicável; (c) ler e aceitar o os termos e condições deste Regulamento e do Facebook. Os participantes deverão a todo tempo observar e cumprir os Termos de Uso e a Política de Privacidade do Facebook, que estejam disponíveis no momento da inscrição ou alterados pelo Facebook de tempos em tempos; (d) apresentar a proposta do CONCURSO (doravante denominada resposta), conforme especificações exigidas; e (e) clicar em “ENVIAR”.

6.2. Ao encaminhar sua resposta para o CONCURSO, seja ela selecionada como vencedora do CONCURSO ou não, o participante automaticamente autoriza o EDUCADORES ONLINE, a título gratuito e em caráter definitivo, pleno e total, a utilizá-la livremente, publicá-la, reproduzi-la ou de qualquer outra forma explorá-la, assim como por suas afiliadas ou quaisquer terceiros autorizados pelo EDUCADORES ONLINE, em qualquer meio, mídia ou suporte, inclusive para fins comerciais e/ou publicitários, sem qualquer limitação territorial ou temporal, e/ou quanto ao número de utilizações, no Brasil e no exterior.

6.3. Os participantes poderão participar com apenas uma resposta, desde que a mesma atenda a todas as condições e especificações do CONCURSO.

6.4. O EDUCADORES ONLINE não poderá ser responsabilizado por respostas não recebidas, perdidas, atrasadas, enviadas erroneamente, incompletas, incorretas, inválidas ou imprecisas.

6.5. Para participar do CONCURSO, os participantes deverão se cadastrar no site www.educadoresonline.com.br, sejam como estudantes ou como professores e informar todos os dados necessários para concluir o cadastro. Os participantes são responsáveis pelas informações fornecidas. Serão automaticamente desclassificados e excluídos do CONCURSO, sem necessidade de prévia comunicação, os participantes que não se cadastrarem ou que informarem dados cadastrais incorretos, falsos ou incompletos e/ou que praticarem qualquer tipo de ato considerado fraudulento, ilegal, ilícito, ou que atente contra os objetivos do CONCURSO e do presente Regulamento, sem exclusão das penalidades cabíveis. A decisão do EDUCADORES ONLINE sobre exclusão de participante na forma deste item é final e definitiva, não sujeita a qualquer tipo de recurso.

7. Da Avaliação Prévia

7.1. Se for o caso, todas as respostas fornecidas serão analisadas pelo EDUCADORES ONLINE que desclassificará, de imediato e sem necessidade de comunicar o participante ou justificar o motivo da recusa, as respostas que não se enquadrem nas condições dispostas neste Regulamento, tais como (a) contenham a imagem não autorizada de pessoas; (b) tenham conteúdo inapropriado ou ofensivo, ou que contenham qualquer tipo de situação ou palavra obscena ou de baixo calão, conotação maliciosa, sexual e/ou pornográfica, calúnias, difamações e injúrias, ameaças, ofensas, de cunho violento, ilícito, ofensivo ou imoral, discriminatória de qualquer natureza, ofensiva à liberdade de crença e às religiões,  que contenham dados (mensagens, informação, imagens) subliminares ou que constituam ou possam constituir crime (ou contravenção penal) ou que possam ser entendidos como incitação à prática de crimes (ou contravenção penal), (c) que coloquem em risco a saúde e a segurança das pessoas; (d) que tenham intenção de divulgar produto ou serviço ou qualquer finalidade comercial; (e) que façam propaganda eleitoral ou divulguem opinião favorável ou contra partido ou candidato; (f) que infrinjam ou utilizem indevidamente os direitos autorais, propriedade intelectual e/ou marcas de terceiros, inclusive a marca EDUCADORES ONLINE; (g) que possam causar danos materiais e/ou morais a terceiros, ou que de qualquer forma estejam em desacordo com a finalidade do CONCURSO.

7.2. O EDUCADORES ONLINE fará a verificação respostas inscritas em até 24 horas contadas a partir das 00h01 do dia posterior ao envio da mesma. Caso não seja mantida na página do CONCURSO, entende-se que a resposta encaminhada encontrava-se em desconformidade com o CONCURSO e o presente Regulamento.

7.3. Independente da averiguação prévia acima prevista, os participantes ficam cientes de que o EDUCADORES ONLINE poderá, a qualquer momento durante o período do CONCURSO, e mesmo após a divulgação do resultado, retirar, da página do CONCURSO, as respostas que entender inadequadas e/ou inconvenientes aos objetivos do CONCURSO, estando desobrigada a notificar ou justificar o motivo da desclassificação.

8. Procedimento seletivo

8.1.  Durante o período de apuração estabelecido, as respostas regularmente inscritas no CONCURSO serão submetidas à avaliação da Comissão Julgadora do CONCURSO, que selecionará a(s) melhor(es) resposta(s), conforme quantidade de premiação oferecida, de acordo com os critérios originalidade, criatividade e adequação ao tema proposto.

8.2. A Comissão Julgadora do CONCURSO será composta por profissionais idôneos e capacitados, indicados pelo EDUCADORES ONLINE. As decisões da Comissão Julgadora são de caráter final e absoluto, não estando sujeitas a contestação ou recurso.

9. Validação dos Resultados

9.1. Encerrado o período de seleção, o EDUCADORES ONLINE encaminhará um e-mail ao(s) selecionado(s) para validação dos dados e participação no Concurso.

9.2. O(s) selecionado(s) também será(ão) informado(s) do resultado do CONCURSO através de seu perfil no Facebook, momento em que serão solicitados os dados para contato. Caso o selecionado não responda à solicitação em até 24 horas – ou no prazo estipulado nas regras do CONCURSO – com os seus dados completos, ou caso envie dados não verdadeiros e/ou que impossibilitem o EDUCADORES ONLINE entrar em contato, o prêmio será considerado vacante. Nessa hipótese, o EDUCADORES ONLINE poderá, ao seu exclusivo critério, selecionar o participante classificado de forma subsequente, para que, caso atenda todas as exigências aqui especificadas, tenha direito à premiação ofertada.

10. Divulgação dos Resultados

10.1. Os resultados do CONCURSO serão divulgados no prazo previsto pela página do CONCURSO.

11. Premiação

11.1. A premiação corresponderá àquela divulgada na página do CONCURSO.

11.2. Caso haja indisponibilidade do produto ofertado como premiação no momento da entrega do mesmo, este poderá ser substituído por outro modelo, marca ou produto de valor e qualidade equivalente ou superior, definido pelo EDUCADORES ONLINE.

11.3. A premiação é pessoal e intransferível, não sendo admitida sua negociação ou substituição por outra espécie de bens ou serviços, nem sua conversão em dinheiro ou a transferência de sua titularidade em qualquer hipótese.

12. Local e Procedimento de Entrega da Premiação

12.1. A premiação será entregue livre e desembaraçada de qualquer ônus no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da data da divulgação dos resultados do CONCURSO, no endereço indicado pelo participante, mediante assinatura de Aviso de Recebimento, fornecida pelos Correios no momento da entrega do prêmio.

12.2. Se por qualquer razão, a premiação for devolvida ao EDUCADORES ONLINE pelos Correios, será considerada prescrita.

13. Das Declarações

13.1. Ao participar voluntariamente do CONCURSO, nos termos deste Regulamento, o participante automaticamente: (a) declara ser a responsável pelo conteúdo de sua resposta, (b) declara que conhece e aceita de forma incondicional todos os termos e condições do CONCURSO e do presente Regulamento; (c) autoriza desde já e de pleno direito, de modo expresso e em caráter irrevogável e irretratável, o uso gratuito e livre de qualquer ônus ou encargo de seu nome, imagem e voz em fotos, arquivos e/ou meios digitais ou não, digitalizadas ou não, em qualquer tipo de mídia e/ou peças promocionais, inclusive em eletrônica, impressa e Internet, para a ampla divulgação da conquista do prêmio, do CONCURSO e/ou das respostas vencedoras, com exclusividade e em caráter gratuito, sem que tal autorização signifique, implique ou resulte em qualquer obrigação de divulgação nem de pagamento, concordando ainda, inclusive, em assinar eventuais recibos e instrumentos neste sentido e para tal efeito, sempre que solicitado pelo EDUCADORES ONLINE; (d) autoriza o uso das respostas inscritas, inclusive, mas sem limitação, os direitos de expor, publicar, reproduzir, armazenar e/ou de qualquer outra forma delas se utilizar, o que os participantes fazem de modo expresso e em caráter irrevogável e irretratável, desde já e de pleno direito, em caráter gratuito e sem qualquer remuneração, ônus ou encargo, podendo referidos direitos serem exercidos por meio de cartazes, filmes, vinhetas, bem como em qualquer tipo de mídia e/ou peças promocionais, inclusive em televisão, jornal, cartazes, faixas, outdoors, mala-direta, redes sociais e na Internet, para a ampla divulgação das respostas vencedoras, do CONCURSO e/ou de seu desenvolvimento posterior, com exclusividade e sem que tal autorização signifique, implique ou resulte em qualquer obrigação de divulgação nem de pagamento, concordando ainda, inclusive, em assinar eventuais recibos e instrumentos neste sentido e para tal efeito, sempre que solicitado pelo EDUCADORES ONLINE; (e) autoriza, reconhece e aceita que os dados pessoais e demais informações, passam a ser de propriedade do EDUCADORES ONLINE, que poderá utilizar tais dados para os fins necessários para a adequada realização e conclusão do Concurso;  (f) assume plena e exclusiva responsabilidade pela resposta inscrita, por sua titularidade, originalidade e por sua imagem, incluindo, sem limitação, responsabilidade por eventuais violações à intimidade, privacidade, honra e imagem de qualquer pessoa, a deveres de segredo, à propriedade industrial, propriedade intelectual, direitos de imagem, direito autoral e/ou a quaisquer outros bens juridicamente protegidos, eximindo o EDUCADORES ONLINE e a página do EDUCADORES ONLINE no Facebook de qualquer responsabilidade relativamente a tais fatos, aspectos, direitos e/ou situações; (g) garante que as informações prestadas no CONCURSO possuem total veracidade, assumindo inteira responsabilidade pelas mesmas. Fica claro e ajustado que, na hipótese do EDUCADORES ONLINE verificar a falsidade de qualquer uma das declarações dadas pelo participante, o mesmo poderá ser desclassificado do processo de seleção a qualquer tempo, sem que lhe seja devida qualquer explicação nem qualquer tipo de indenização, remuneração, pagamento ou premiação, ficando ainda sujeito à responsabilização por crime de falsidade ideológica; (h) assume total responsabilidade pelas perdas ou danos que eventualmente causarem ao EDUCADORES ONLINE ou às demais empresas participantes da elaboração e veiculação do CONCURSO ou a quaisquer terceiros por suas ações ou omissões, sobretudo violação das condições previstas neste Regulamento, violação da Lei de Direito Autoral, da Lei de Propriedade Industrial e/ou dos direitos de imagem e personalidade, sendo-lhe aplicadas as penas previstas nas legislações aplicáveis; (i) declara ser o único responsável pelo conteúdo entregue e veiculado pelo EDUCADORES ONLINE, responsabilizando-se integralmente por sua participação no CONCURSO, colocando o EDUCADORES ONLINE a salvo de quaisquer pleitos ou reivindicações, voluntários ou não, que envolvam a exibição de conteúdos em decorrência do CONCURSO, assumindo, por conseguinte, todo o ônus decorrente de tais alegações, como indenizações, perdas e danos, custas judiciais e honorários advocatícios, incluindo o direito de regresso do EDUCADORES ONLINE contra o respectivo participante.

14. Considerações Finais

14.1. Serão sumariamente desclassificadas as inscrições realizadas de forma a fraudar o CONCURSO, que apresentem defeitos ou vícios que impeçam a verificação de sua autenticidade, ou que não atendam a quaisquer das disposições contidas neste Regulamento, bem como os participantes que informarem dados incorretos, falsos ou incompletos e/ou que praticarem qualquer tipo de ato, seja em benefício próprio ou de terceiros, considerado fraudulento, ilegal, ilícito, de pirataria (violação de direitos autorais ou propriedade intelectual), ou que atente contra os objetivos do CONCURSO, sem exclusão das penalidades cabíveis.

14.2. Na hipótese de verificação de fraude, tentativa de fraude ou abuso relativamente às inscrições e participações no CONCURSO, ou ainda de utilização de qualquer meio eletrônico, informático, digital, robótico, repetitivo, automático, mecânico e/ou análogo com intuito deliberado de reprodução automática e/ou repetitiva de inscrições, idênticas ou não, importará na nulidade de todas as inscrições efetuadas pelo participante que tenha se utilizado do referido meio ou com um dos referidos fins, ainda que nem todas as inscrições tenham resultado do uso de tais meios e/ou sido realizadas com tal finalidade.

14.3. O EDUCADORES ONLINE não será responsável por problemas, falhas ou mau funcionamento técnico, de qualquer tipo, em redes de computadores, servidores ou provedores, equipamentos de computadores, hardware ou software, ou erro, interrupção, defeito, atraso ou falha em operações ou transmissões para o correto processamento de inscrições, incluindo, mas não se limitando, a transmissão imprecisa de inscrições ou falha do EDUCADORES ONLINE em recebê-las, em razão de problemas técnicos ou congestionamento na internet.

14.4. Ocorrendo motivo de força maior que o justifique e mediante ampla e prévia divulgação aos participantes pela página do CONCURSO, o EDUCADORES ONLINE reserva-se o direito de modificar os critérios de premiação, bem como a mecânica operacional do CONCURSO, se e quando necessário.

14.5. A participação no CONCURSO não gerará ao participante e/ou contemplado nenhum outro direito ou vantagem que não estejam expressamente previstos na página do CONCURSO e/ou no presente Regulamento.

14.6. Dúvidas relacionadas ao CONCURSO e ao presente Regulamento poderão ser esclarecidas pelo e-mail contato@educadoresonline.com.br.

14.7. As dúvidas e omissões não previstas neste Regulamento ou que possam ocorrer com relação ao CONCURSO e ao presente Regulamento serão julgadas pelo EDUCADORES ONLINE, cuja decisão será irrecorrível.

14.8. Fica, desde já, eleito o Foro Central da Comarca da capital do Estado de São Paulo, com plena concordância de todos os participantes, com exclusão de qualquer outro foro, por mais privilegiado que seja para dirimir a respeito de quaisquer dúvidas advindas do presente Regulamento ou do Concurso a que ele se refere.

Cafés e outras taxas

Publicado em 04/08/2013

O Andrea anda chateado com meus Diários porque diz que fico falando mal do pais dele. Resolvi então fazer uma media e disse que hoje falaria de uma coisa muito positiva, que na Itália é uma das melhores tradições: o café.

Não pretendo entrar na explicação da origem dos grãos, na torrefação, porque isso é matéria para especialista. Vou ficar no nível superficial do consumidor tentando listar e explicar a diversidade de formas para degustar esta bebida, que com o inverno se tornou um ritual diário para mim.

Saio de casa a procura de um bar ou café e é surpreendente a quantidade de locais tradicionais, históricos ou modernos, que oferecem não apenas o café, mas uma atmosfera amarelada envolvente, com balcões em madeira e mármore que contam histórias, prateleiras decoradas com utensílios antigos, caixas de bombons que hipnotizam, croissants recheados, doces cinematográficos e um cardápio misterioso de cafés. Entrei em um site de turismo em Turin e só de locais históricos tem uma lista de 48 bares, alguns com mais de um século de vida, em uma cidade de quase um milhão de habitantes.  Descubro toda semana um lugar novo, que não havia ainda visto. É um deleite.

Mas uma vez escolhido o bar, o que pedir?  Com alguma ajuda, fiz o seguinte resumo,  só das bebidas tradicionais quentes, com café :

·         Expresso – café curto

·         Café Macchiato – café com espuma de leite

·         Café latte – Café com leite, mas sem a espuma do leite

·         Latte Macchiato – leite com um pouco de café

·         Cappuccino – é um café macchiato grande

·         Moretto – cappuccino pequeno

·         Marocchino – café com chocolate e espuma de leite, medio

·         Mocaccino – marocchino pequeno

·         Bicerin – café com chocolate e creme de leite

Existem ainda variações mais extravagantes que acrescentam bebidas alcoólicas, mas como não quero fazer um tratado gastronômico, paro por aqui.

Precisa ter muito cuidado ao fazer o pedido. Aqui não tem muito aquele papo de “pode fazer um cappuccino com mais leite, menos espuma, xícara pequena, mixto quente sem presunto,  e trocar a muzzarela pelo requeijão ...” Nada disso.

Gastronomia é uma coisa seria. Os pratos são feitos de determinada forma e não se alteram nem os componentes nem a ordens dos tratores (como dizia minha mãe). Por exemplo, o Andrea tempera a salada. Primeiro o sal. Não pergunte por que, primeiro o sal e depois o vinagre e por ultimo o azeite. Não é brincadeira, não se pode improvisar.

Bem , nada mais a comentar hoje, sobre comida .... mas ... ficou um texto um pouco morno, sem graça ...

Em nome dos meus leitores, peço autorização para o Andrea para contar como foi tentar fazer o registro do nosso contrato de aluguel do apartamento. Ele não gostou muito da ideia, mas me deixou contar um pouco.

Vamos a Agencia da Entrate (tipo Receita Federal) para pedir orientação. Fazemos uma fila de uns 10 minutos para pegar a senha e ir ate a sala 13, onde esta o guichê 32. Tem uma sala de espera na frente. Entramos.

Nessa sala de espera domina um super painel eletrônico, parece de aeroporto, que avisa também com voz de anuncio de aeroporto, que senha x deve ir ao guichê Y. As senhas são sofisticadas, com duas consoantes e três números. As consoantes podem ser JA, BE, LA ou outras cinco combinações que não me lembro agora. Depois de uns 15 minutos, o consultor vem na sala de espera e pergunta: quem é o próximo? Os quatro que estão nesta sala se olham e dizem: “eu cheguei por ultimo”, “eu tenho a 14”, “eu tenho o 15, vc vai antes” e me fez lembrar novamente que aqui não sabem fazer fila, nem com ajuda do super painel eletrônico de aeroporto.

Entramos na sala 13 para conversar com o consultor, que le o contrato, confere as assinaturas, verifica todos os documentos e explica o que devemos fazer . Temos que pagar o BOLLO (selo) para cada contrato. Quantas cópias nós devemos fazer?

- Quantas vcs quiserem.

- Mas quantas precisamos fazer?

- Não sei? Quantas vcs quiserem ...

- Então podemos fazer 2 vias, uma para mim ?  E precisamos colocar um selo também na nossa via?

- Ahhh simmmm , senão, “che senso ha” ???

Hummmm (do narrador) ......qual é o sentido de  colocar um selo em um contrato ???

- Vcs precisam pagar a taxa de registro do contrato de 140 euros.

- Onde se paga?

- No formulário XYZ63 ...

- Nãooo .. onde se paga?? No Banco??

- Não, no correio. Mas vcs tem a procuração do proprietário?

- Somos os inquilinos? Pela lei, a obrigação do registro é do inquilino.

- Mas vcs não tem a procuração do proprietário?

- Mas o proprietário assinou o contrato, junto conosco.

Saímos de lá com a aprovação do consultor e a orientação de como preencher o formulário XYZ63 de recolhimento das taxas. No dia seguinte voltamos a ENTRATE, fazemos nova fila, pegamos nova senha e falamos com uma nova consultora, que diz que esta tudo certo, exceto que o contrato tem mais de 50 linhas de texto, então precisa de mais um selo, porque é um selo para cada 50 linhas, a assinatura do pai do Andrea esta no lugar errado e ainda nos pergunta: Vcs tem a procuração do proprietário???

Seria esta a versão felininiana de Kafka?

Os portugueses aprenderam com os romanos?

Desculpa Andrea ....

Beijo

P.S. mais engraçado de tudo é que na terceira vez, mesmo estando incompleto, faltando mais selos e a tal da procuração, eles aceitaram e ficou por isso mesmo .... ainda bem !!!

P.S.2. acaba de chegar  mais uma conta para pagar. Esta é muito estranha. Taxa da RAI. A RAI é a rede de TV publica italiana, e cobra uma taxa anual (aprox. Euros 160,00) pela propriedade de uma TV. Ou seja, quem tem uma TV deve assistir a algum programa e por isso deve pagar a taxa para financiar toda a interessantíssima programação disponível. (Big Brother, Ilha dos Famosos, talk shows e outras tantas opções deste calibre..... ). Não vou questionar que se a TV é publica já recebe dinheiro publico, ou seja, dos impostos pagos, e se o cidadão deve pagar outra taxa, é sobretaxa. Depois, e se o cidadão tem uma assinatura de TV a cabo ou satélite porque não se interessa pela programação aberta?? E como é que sabem quem tem uma TV??  Quando alugamos este apto não compramos nenhuma TV, temos uma que nos foi doada, mas, mesmo assim, chegou a Boletta para pagar ....  pagar onde mesmo??

Esther Rapoport

Email : Esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

Vida de Professor

Publicado em 25/07/2013

Cheguei da escola um pouco mais cedo, hoje. É engraçado como estranho minha casa em horas como essas. Uma luz diferente, raios de sol atravessando a janela, uma cor que não conheço... Preciso ficar mais tempo em casa. Preciso calcular o tempo de contribuição, para ver se já posso tentar me aposentar.

Eu sou professora. Completarei meus cinquenta anos de idade em setembro. Com mais de trinta de magistério, acho que meu destino é encerrar minha contribuição. Não sei se consigo, eu amo o que faço. E embora o cansaço me “atente”, me pedindo para parar, falta-me coragem de juntar os documentos e dar entrada no pedido de aposentadoria...

Quando iniciei, aos dezesseis anos, os alunos iam para a escola acompanhados de seus pais. Um ou outro chegava sozinho, ou transportado por vans. Depois de uns dez anos de trabalho, a frequência dos responsáveis pelos alunos foi diminuindo cada vez mais, e mais rapidamente. Hoje, com trinta e tantos anos na profissão, dos quarenta alunos que tenho, conheço os pais de seis.

Nas reuniões pedagógicas na escola, sempre que falamos sobre casos de alunos indisciplinados a polêmica surge: a ausência dos pais, a falta de acompanhamento na vida escolar de seus filhos é, na grande maioria das vezes, a vilã da história. Fico ouvindo o relato dos meus colegas, gosto de prestar maior atenção naquele mais antigo e naquela novata que acabou de chegar para trabalhar. Daí, vou tecendo minhas conclusões. Elas sempre mudam. Tenho vários casos diferentes na minha sala de aula, não poderia definir uma única causa para o comportamento dos meus meninos.

Três professores já foram agredidos por seus alunos. São agora mais comuns os relatos – os desabafos! – de colegas ofendidos por palavrões, de colegas ameaçados, de colegas furtados, e três ocorrências já foram registradas no livro preto da escola revelando agressões físicas a professores, num espaço de seis meses letivos.

Sou professora do primeiro segmento, trabalho com turmas de segundo ano de escolaridade. Nas reuniões em que estão presentes os professores do segundo segmento, a unissonância: os alunos estão vindo para a escola por pura obrigação. Não se interessam pelas aulas, e só frequentam a escola porque seus pais recebem o “Bolsa Família”. Então, fazem bagunça o tempo inteiro, não deixam os alunos mais quietos aprenderem os conteúdos simplesmente porque não deixam o professor trabalhar.

Entre uma fala e outra, entristeço. Eu tenho uma grande dúvida no meu coração, que ninguém consegue tirar: quem é o responsável, quando o aluno caminha para a escola sem o menor interesse? E enquanto eles – os professores – concordam entre si, acenando, balançando afirmativamente a cabeça diante do depoimento acalorado daquele que afirma o desânimo dos seus meninos, eu me preocupo.

Nossas escolas não convidam seus alunos a caminharem para ela com alegria. Tampouco os convidam para que permaneçam nela. Professores fazem o possível e o impossível para darem conta de uma grade curricular muito pouco discutida, porque não há equipe técnica, composta por pedagogos em número suficiente para uma verdadeira orientação àquele professor que leciona determinada disciplina, e não sabe ou não consegue lançar mão de recursos diferenciados para atingir aos alunos que não aprendem. Não há unidade entre o trabalho realizado, cada professor luta sozinho quando quer experimentar uma nova forma de ensinar. Não há integração com as famílias, as escolas não dispõem de calendários que prevejam atividades com os pais dos alunos em dias e horários em que estes possam estar presentes. As aulas são repetitivas e a escola é chata, salvo algumas exceções que ultrapassam seus próprios limites e fazem o que se pode chamar de “milagre”!

Mas, “espera aí!”, penso eu, comigo mesma. Há salas de aula convidativas, ainda. E numa grade de oito disciplinas, às vezes há frequência nas aulas de História quando não há nas de Química. É que professores do tipo “maluquinhos” andam rompendo as barreiras e levando seus alunos aos Museus, enquanto aquele outro obriga a decorar a fórmula enquanto ameaça o teste na semana que vem.

Precisamos ir às ruas e bater panelas para exigir dignidade para trabalhar. Nossa profissão forma quase todas as outras. É cada vez mais imprescindível ter-se passado pela escola para se conseguir sucesso no trabalho. Então, se a escola exclui, há controvérsias nisto.

A tarde está linda e vermelha lá fora. E olhando para este céu multicolorido, penso que está bem mais feliz agora quem tem a oportunidade de sentar-se, ainda que à beira da rua, e acompanhar o pôr do sol. Será que se algum aluno pedisse ao professor para ir lá fora, ver o entardecer...

Karla Pontes

 

 

A Itália e as taxas

Publicado em 19/07/2013

Alguma coisa mudou no clima. O sol esta esquentando. Passei a manha em camiseta regata, dentro de casa, e não senti frio. O ar esta diferente.

Mas vamos ao tema de hoje que é: grana, “soldi” em italiano.

Viajar pela Europa com uma moeda única é, sem duvida, muito cômodo, mas é opinião geral, desde a França até a Romênia, passando por todo o Mediterrâneo, que o Euro fez o custo de vida subir muito e muito rápido.

Os países mais baratos da Europa, como Península Ibérica e Leste Europeu, passaram a ter preços de países sérios e os países sérios chegaram ao nível dos escandinavos. Ainda por cima, o Dólar caiu frente ao Euro, tornando alguns custos altíssimos.

Mas a gente tem contas a pagar e por isso descubro que nós, brasileiros, somos muito melhores que os italianos para pagar contas. Vamos à vida real para ver como funciona aqui.

Primeiro chega uma conta referente a um “período” passado ou futuro, porque aqui não se paga contas de telefone ou luz ou gás por mês .... é por período, que pode ser de um mês e meio ou de dois meses e 20 dias... ahhh, estas contas não são calculadas pelo consumo, é assim :

 Eles estimam que você gastará um tanto por mês, de acordo com teu perfil e te mandam uma conta estimada com um valor fictício de um consumo hipotético, depois, no mês seguinte, eles te mandam outra conta sem valor, porque você consumiu menos do que eles imaginaram, mas no mês seguinte vem uma conta da diferença entre o que você consumiu e o que pagou e o que você deve consumir daqui para frente....  entendeu? Eu ainda não ....

Mas ok. Confio nas multinacionais (todos os serviços básicos já foram privatizados) e pagamos aquilo que eles nos dizem que temos que pagar.

Como se paga?

Chega por e-mail (porque somos sofisticados) uma anteprima da BOLLETTA.

Podemos pagar assim? Não, devemos esperar que chegue um BOLLETTINO pelo  correio.

Então vamos ao banco pagar este BOLLETTINO? Não, se fosse só isso eu não estaria aqui contando toda a historia para vocês ... Com esse BOLLETTINO poderíamos ir ao correio paga-lo. Mas a fila é enorme e temos opções.

Se for a conta do telefone, podemos pagá-la no supermercado, mas não qualquer um, só no GS. Hummm ... ok ... pagamos a conta junto com as compras desta semana.

Depois chega outra conta. Do gás.

Vamos ao GS? Não. Esta se paga ou no correio ou em uma casa lotérica, claro que não é qualquer uma, só nas que tem uma especifica loteria e que esteja online no dia e na hora em que formos lá, o que não é uma coisa simples, conforme a minha experiência.

Por fim chega a outra conta, da Luz.

Lotérica, supermercado ou correio? Não, com esta fazemos o pagamento bancário.

Simples assim? Não, na verdade é um pagamento que deve ser feito no correio, mas podemos também fazer via banco.

 Então o banco e o correio têm sistemas integrados? Não.  Tem um rapaz no banco que vai até o correio para pagar e depois demorará umas 3 semanas para inserir a informação na conta do Andrea, porque esta super ocupado. E fará o Andrea ligar umas sete vezes para um call center reclamando que não consta o tal pagamento na sua conta, a que o atendente telefônico dirá que não sabe porque a informação não esta atualizada, mas que devemos esperar alguns dias até aparecer o debito.

E assim que funciona aqui o código de barras... ainda estou procurando estas barras porque só encontrei umas de chocolate.

Mas, no final das contas, entre o inverno e o verão tem também a primavera, que não é fria, mas também não é quente ... todo dia porque olho lá fora, acho que posso sair com menos roupa e depois me estrepo..., acabou o frio, mas ainda não chegou o calor !!!

Até o próximo diário!

Esther Rapoport

Email : Esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

 

Somos todos imigrantes

Publicado em 04/07/2013

Hoje é domingo, faz sol, o céu esta completamente azul, não tem nenhuma nuvem, maravilhoso depois de uma semana com muita neve e chuva.

O que fazer?

Esquiar, obvio!

Procuramos um local para esquiar, próximo a Turin, para passarmos algumas horas.

Juntamos todo nosso equipamento e fomos para os Alpes.

Saímos pela autoestrada e depois vamos cortando por estradas pequenas e atravessando vilarejos, cujos nomes sempre terminam com “asco” : Brossasco, Vottignasco, Lagnasco, Cherasco, Beinasco, Piossasco, Grugliasco, Osasco, Frossasco, ... paaaara !! Osasco ??? Li direito ???

Simmmm, Osasco! 

Como assim???

Vamos ao Museu da Emigração Piemontesa e descubro que foi aqui em Osasco que nasceu Antonio Agu. Em 1872 emigrou para o Brasil com 27 anos de idade. Trabalhou para a E.F.Sorocabana, juntou um dinheiro e comprou terras perto do Rio Tietê, construiu uma estação de trem e deu inicio a ocupação daquela área e a formação de uma vila a qual deu o nome de sua cidade natal. E assim, fundou Osasco, em pleno centro de Osasco (ehehe, essa é para quem já ouviu Les Luthier).

No museu descubro também que Luigi Bauducco nasceu em Torino e emigrou para o Brasil em 1950 e em Guarulhos iniciou uma pequena confeitaria chamada Bauducco. Assim começo a acreditar em todos os comerciais da Bauducco.

Mas continuamos para a montanha, afinal a ideia era esquiar.

Chegamos a Pian Neiretto, que esta a 1300 metros de altura, depois do meio dia. Faz calor! A temperatura chega a 9° e este é o clima perfeito para esquiar.

Para alugar o ski temos que fazer uma fila, que demora quase 1 hora.

Na Itália não existe o conceito de FILA. As pessoas vão chegando e se aglomerando na frente da porta, guichê, o que seja. Alguém tem que gritar: “eu cheguei antes de você, espere atrás de mim”. Ai todo mundo se olha e um diz para o outro: é .. e eu cheguei antes de você... outro diz: eu estava depois de você ... e assim por diante ... é cômico! Um burburinho, algumas reclamações e eles vão se organizando ... mas não dura para sempre .... vai chegando gente e se acumulando novamente na frente, alguém repete a ladainha e a fila tenta se reorganizar ...

Idiossincrasias! 

Finalmente ski, botas, bastão e o Andrea me da uma pequena aula.

Primeiro tenho que aprender a falar porque ski, que em italiano é sci, se pronuncia “xii”. Esquisito.

Em volta de mim aquelas criancinhas de 5 anos esquiando sem bastão, descendo a montanha em qualquer pista ... e ainda por cima falando italiano melhor do que eu ... ai que pressão  ... Mas depois de 10 minutos lá vou eu, skilift montanha acima e neve montanha abaixo.

A neve é algo mágico. A paisagem branca me transmite da uma paz profunda. O som da neve sob a pressão do esqui é agradável, me lembra da sensação de apertar um pacote de leite em pó. O movimento, quando você consegue fazer bem, e quase uma coreografia.

Chego inteira na base e vamos fazer fila para subir de novo. Todo mundo aglomerado para entrar no corredor onde se encaixa ao skilift. Cadê a FILA ???

Na hora da raiva, mas depois é engraçado pensar nestes pequenos costumes que mudam de país para país.

Às vezes são muito sutis, mas quando a gente os percebe, entende a riqueza cultural deste planeta, o que faz sentir ainda mais raiva porque vivemos tempos de padronização.

Estas grandes empresas poli nacionais (ou seriam pós – multinacionais?) que criam padrões estandardizados e forçam o planeta a viver sob os mesmos costumes e as mesmas regras,  para consumir os mesmos serviços e produtos.

Fico feliz quando entro em um supermercado aqui e encontro alguma coisa, que às vezes não sei nem para que serve,  de uma marca que não conheço e com uma embalagem que não identifico. Mais é raro.

E me dá ainda mais prazer quando se celebra alguma coisa que eu nunca ouvi falar, tipo dia da Befana ou Ferragosto.

Fico indignada quando vejo que na TV daqui também tem o GRANDE FRATELLO (pelo menos eles traduziram o nome) que é impressionantemente IGUAL ao BBB !!! Mesma casa, mesmos participantes, mesmas festas e mesmas intrigas, vai ver que é o mesmo programa só que dublado.

Dublar é uma coisa que aqui me irrita muito. Todos os filmes, cinema e TV, são dublados para o italiano. Acho um exagero, uma deturpação da arte, uma invasão à obra. Mas eles acham que não dá tempo de ler a legenda para entender o filme, tem que escutar já em italiano ... Idiossincrasias!

Fascina-me quando escutando o italiano, que entendo quase tudo, encontro frases construídas de maneira completamente inesperadas, tipo: “come mai?” (come =como e mai =nunca) significa “por que?” entre outros milhões de exemplos. Nestes momentos acho que nunca aprenderei de verdade a língua.

Adoro as diferenças, embora algumas me pareçam um atraso, como, por exemplo, o habito de não tomar banho diariamente, mas tento entender as razões que geram tanta diversidade.

Enquanto isso chegou minha vez de subir a montanha! “Vambora” que estou gostando muito desta nova brincadeira !!!!

Até o próximo diário!

Esther Rapoport

Email : Esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

Manifestações pelo país: como trabalhar o assunto nas escolas

Publicado em 01/07/2013

Um dos maiores erros da instituição escola em nosso país, ainda hoje, é supervalorizar conteúdos antigos e método de ensino tradicional, em suas maiorias bastante desestimulantes para os alunos.

Mas, para a escola fazer sentido para o aluno, o que poderia ser ensinado? E de que maneira?

Uma forma de começar a responder à essa questão seria observando de que maneira a escola relaciona o que ensina em sala de aula com o que o aluno vê acontecendo em seu cotidiano familiar e social.

Um exemplo simples, claro e atual: como os alunos, em suas diferentes faixas etárias e experiências de vida, estão entendendo as manifestações que tem acontecido diariamente em várias cidades do Brasil, neste mês de junho de 2013?

A “pedagogia da libertação”, criada e desenvolvida por Paulo Freire, grande educador brasileiro, é conhecida e pesquisada em diversas universidades ao redor do mundo. Mas, e no Brasil, ela tem sido utilizada? Como?

Esta pedagogia propõe uma educação crítica a serviço da transformação social e utiliza "temas geradores", ou seja, os alunos são alfabetizados com as palavras que usam no dia-a-dia, sempre associando o processo de alfabetização com a vida. Mas ela não termina quando acaba o processo de alfabetização e deve continuar norteando os educadores realmente interessados em pensar e viver a Educação de forma ampla e profunda.

Se utilizarmos outras visões, como a da Psicologia Clínica, por exemplo, veremos que, mesmo vivendo no mesmo meio social, cada indivíduo tem sua subjetividade, identidade e maneira pessoal de reagir ao mundo.

Já a Psicologia Social nos lembra que grande parte da própria subjetividade humana é formada pelo meio e cultura em que vive. Não é algo que simplesmente “vem de dentro”.

Pensando na Pedagogia Libertadora de Paulo Freire e no conhecimento da Psicologia Clínica e Social, entre outros saberes que ainda poderíamos acrescentar, estaríamos levando em conta todas as variáveis que formam o ser humano - a influência do meio, da cultura, da sociedade, da família, da escola, do momento histórico... -, percebendo que são muitas vezes complementares e não excludentes. Nesse caso, com o olhar aberto à complexidade humana, como a escola pode ajudar na descoberta e no desenvolvimento de seus alunos, preparando-os para viverem nesse mundo?

Lembremos que, para Paulo Freire, todos têm saberes. Diferentes entre si, mas igualmente saberes. Nesse caso, como podemos lidar com o aluno que ainda está formando sua personalidade básica – mesmo já tendo seus “saberes”... -, isto é, como podemos lidar com o aluno que é criança ou adolescente?

A subjetividade vai se formando ao mesmo tempo em que a necessidade de aprender a viver em sociedade. E a escola precisa trabalhar nessas duas vias e com a complexidade que cada uma delas traz. Importante que fique claro, para o aluno, que todos somos iguais enquanto raça humana – e essa é a única “raça” a qual nós, humanos, pertencemos – e que, ao mesmo tempo, todos somos diferentes, pois cada um é um e tem algo de original, único e particular para expressar no mundo. A escola tradicional costuma uniformizar tudo (não só vestimentas), reprimindo, nos alunos, muito do que poderia emergir de criativo. Nesse sentido, uma proposta libertadora e transformadora de educação teria muito mais dificuldade de se desenvolver. Portanto, para que a pedagogia proposta por Paulo Freire possa ser utilizada, a instituição escola precisa se comprometer com um novo projeto de educação. Esse é um ponto que não podemos esquecer.

Mas, voltando à questão inicial deste texto, como trabalhar com os alunos o que tem acontecido em nosso país, levando em conta que cada aluno é fruto de um meio social, cultural, histórico, econômico e, ao mesmo tempo, que cada um é capaz de trazer algo de novo ao mundo, criando, pensando, aprendendo, tentando, sem anular seu jeito próprio de ver o mundo e se sentir dentro dele? Como fazer isso? É possível?

Em primeiro lugar, como disse acima, a escola precisa comprometer-se com um modelo de educação transformadora. A seguir, precisamos levar informações básicas aos alunos. Sobre o que é plebiscito, por exemplo, palavra que tem sido repetida e, no entanto, que muitos alunos desconhecem.

Uma ótima forma de trabalhar questões políticas com os alunos é no momento de se votar para escolher o representante da turma. Que um número “x” de alunos possa se candidatar, falar de suas propostas, para, depois, os candidatos serem votados pela turma. Eleição direta, claro! É uma ótima chance de questionar com eles o que é “representar” um grupo.

Uma outra ideia prática, para trabalhar com alunos que ainda são crianças, é pedir que tragam notícias de jornal ou de internet que lhes chamaram a atenção em relação às manifestações. A partir daí, divididos em grupos, podem criar uma forma de apresentar ao resto da turma aquilo que cada um escolheu e mostrar como uniram aquelas percepções individuais em grupo, incluindo perguntas e dúvidas que tenham a respeito, mas chegando a uma produção coletiva, que pode ser expressa em desenhos, colagens, cartazes, expressão corporal, textos (de acordo com a produção possível a cada faixa etária), etc. Estaremos desenvolvendo, com isso, a capacidade de olhar pro que é individual – a visão de cada um e o motivo que o levou a escolher aquela notícia – e respeitar as diferenças que aí aparecem e, ao mesmo tempo, estaremos exercitando, com eles, um outro olhar também, para aquilo que é coletivo, isto é, que é comum a todo um grupo ali reunido. Da mesma forma que milhares de pessoas têm participado das manifestações e de suas reivindicações, eles, alunos, também possuem seus motivos pessoais, suas próprias opiniões ou indagações e, ao mesmo tempo, precisam saber agir em grupo, pensar coletivamente, procurar pontos em comum, a fim de equilibrar o “eu” e o “outro”, o indivíduo e a sociedade.

Com alunos que já são adolescentes, todas as sugestões acima também podem ser utilizadas, estimulando-os a serem autônomos e criativos, e, também, podemos utilizar debates de vários tipos, onde desenvolvam de forma verbal e/ou escrita as suas idéias, aprendendo, na prática, a como se colocar, questionar, negociar, conciliar, encontrar formas de se expressarem sem que precisem da anulação de qualquer indivíduo ou dos grupos. Descobrirão como é importante criar regras, para serem seguidas por todo o grupo, para que consiga realmente contar com a participação de todos, sem que uns intimidem os outros. Estarão, na prática, aprendendo um pouco sobre o que é fazer política, o que é participar, como descobrir e valorizar afinidades sem precisar anular completamente as individualidades para isso, entre outras propostas possíveis. Um grupo pode desenvolver mais a parte crítica, expondo as questões sobre as quais o povo tem reclamado nas ruas. Outro grupo pode exercitar como seria possível desenvolver aquelas críticas já passando para o “como” fazer, isto é, o grupo procuraria desenvolver a capacidade de propor soluções, indo além das reclamações e críticas.

Observar o que foi mais difícil ou mais fácil para cada aluno e para cada grupo e trabalhar essas observações com a turma depois, fazendo-os refletir sobre os desafios que encontramos tanto no momento da crítica quanto no momento da busca de solução para o que foi criticado, seria uma forma dinâmica e bastante prática para que começassem a se envolver e compreender de maneira mais ampla o que tem acontecido. E essa experiência poderia ser usada, depois, para pensarem juntos sobre a própria escola onde estudam, buscando sua melhoria.

Não são precisos discursos partidários, nem nada parecido, para podermos desenvolver, com eles, o que é mais importante, libertador e transformador nisso tudo: a CONSCIÊNCIA de que podemos ser sujeitos ativos, responsabilizando-nos e participando efetivamente das mudanças que almejamos para os problemas de nosso país.

Uma educação só pode ser libertadora, como pretendia Paulo Freire, se oferecer esse espaço LIVRE para as descobertas, dúvidas e construções dos próprios alunos, cada um e cada grupo de acordo com suas capacidades cognitivas, sociais e emocionais, dando espaço tanto para as subjetividades se expressarem quanto para o desafio maior de unir subjetividades em torno de afinidades, idéias comuns, aprendendo, assim, a ser um indivíduo e, ao mesmo tempo, aprendendo a assumir seu lugar na sociedade, como alguém capaz de enxergá-la, criticá-la, se unir com outros indivíduos e, a partir daí, começar a transformá-la.

Mas esses objetivos devem ser trabalhados ao longo de todo o ano letivo, através das atividades citadas acima e de várias outras – inclusive ouvindo as sugestões dos alunos sobre isso -, para que não sejam tratados apenas de forma temática ou imediatista, como se faz muito nas datas comemorativas em que acontecem as festividades anuais das escolas, por exemplo.

Quando as manifestações populares diminuírem, a escola deve deixar de tratar do assunto? Não. Discutindo os desdobramentos de tudo que aconteceu no país, a escola deve continuar desenvolvendo, a partir daí, o hábito de questionar, criticar, ouvir, aprender, ensinar, trocar, ser único e ser parte de uma coletividade ao mesmo tempo. E deve se comprometer a desenvolver tudo isso não só nos alunos, mas em todos aqueles que trabalham em Educação, já que esse é um aprendizado sem fim.

É trabalhoso, exige atenção e criatividade, mas, aí sim, conteúdos muito mais relevantes para a vida dos cidadãos estariam ocupando o merecido lugar de destaque nas escolas brasileiras.

Regina Milone.

Pedagoga – Orientadora Educacional -, Arteterapeuta e Psicóloga.

Rio de Janeiro, 28 de junho de 2013.

 

E por falar em frio

Publicado em 26/06/2013

Estou embarcando novamente .... meu destino hoje é  Helsinki.

Cheguei as 17hrs, mas aqui já é noite fechada. Do aeroporto peguei um ônibus para o hotel e andei uns 5 minutos para entrar no hotel.

Não neva, mas está tudo branco e a neve ainda esta fofa.

Vi pela internet que esta fazendo -14° graus lá fora, vou dar uma olhada para ver como é um frio desses e conto como foi depois ...

Uma hora depois ....

Com a minha experiência eslovaca achei que já estava aclimatada para o frio, mas MEUS DEUS! QUE FRIO !!!!!

Fui procurar algo para comer, andei uns 12 minutos ao ar livre (livre de que ?????) duas quadras  e congelei.  Não sinto o nariz, os dedos estão doendo muito ... entrei no primeiro lugar fechado que encontrei, urgente ... estou congelando, no sentido bíblico. Que baita FRIO !!!

To be continued, quando eu descongelar.....

Dias depois...

Este número do Diário de Bordo pretende ser um manual de cuidados para sul americanos e outros seres de hábitos tropicais, quando em contato com “o” FRIO.

Posso dizer que na Finlândia tive meu primeiro contato com “o” FRIO ... e não tem aquela conversa de “não adianta bater que eu não deixo você entrar, as Casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar”.

Não existe nada nas Casas Pernambucanas que aqueça um lar quase Ártico.

Estive, por cinco dias, vivendo entre -11° e -20°, numa situação urbana de normalidade: andando a pé até o ponto do ônibus, no caso o TRAM, procurando um restaurante para jantar, voltando da feira, passeando pela cidade e tentando não perder os dedos dos pés e das mãos.

Você deve considerar que o frio na Finlândia é muito seco. Neva, neva, neva e nunca derrete, não molha, não vira aquela meleca que normalmente se forma depois de nevar, com poças de água na sarjeta e nos cantos das ruas. Nada disso. Parece que você está andando na areia. Uma parte da calçada fica com uma camada mais compactada, mas em geral a neve que está no caminho, na calçada e na rua vira uma farofa marrom. Os flocos de neve são enormes, talvez tenha alguma relação com a umidade (a falta dela) ou com a altitude onde se forma e quando eles caem você pode ver direitinho o formato do cristal, como nos desenhos. Lindo! Quando tocam a pele ou a roupa não derretem, você empurra com o dedo e ele continua a cair e a se acumular no chão.

Outra coisa linda é que estes cristais refletem a luz. Então, seja de dia como de noite, o caminho é brilhante. Mando algumas fotos em outro e-mail.

Mais uma informação interessante. Quando esta nevando a temperatura é mais suportável porque significa que o calor (eheheheheh) ficara retido entre a terra e a camada de nuvens. Se faz sol, f.... !!!  O calor se dispersa mais rapidamente e o frio é insuportável.

Uma parte porem desta neve compactada vira gelo e é muito perigoso. Todas as águas se congelam: lago, rio e MAR !!!! simmmmmmm !!! Eu, assim como aquele outro judeu famoso, andei sobre as águas do mar Báltico!!! Mando fotos depois.

Os carros usam pneus térmicos com pequenos pregos!!! Existe muita tecnologia para viver nessas temperaturas e uma adaptação natural também.

Parte desta adaptação do ser humano a este ambiente hostil é talvez a coisa que a Finlândia tem de mais bonito: os narizes!!!

Fiquei hipnotizada pelos narizes: todos lindos. Pequenos, arrebitados, delicados. Homens, mulheres, crianças e velhos. Todos com narizes lindos.

Acho que é uma adaptação natural para resistir a um ar tão gelado. O nariz encolheu para não se expor tanto ao ar gelado e para não ficar pingando o tempo todo.

Já que estou falando nisso, vou enumerar para quem não teve ainda uma experiência similar, as reações do organismo nestas condições:

Primeiro você chora!!!

De verdade, não é retórica, é fisiológico, sai na rua e os olhos imediatamente lacrimejam.

O nariz goteja o tempo inteiro. E imagina para quem tem uma napa assim importante como a minha... Desenvolvi uma técnica para poder usar o mesmo cachecol por 5 dias : adaptei um lenço de papel entre boca e nariz para não molhar muito o resto.

Os dedos doem muito com o frio. Varias vezes, nestes 5 dias, achei que teria que amputar mãos e pés. Congelavam e doíam muito.

Você deve se agasalhar muito em ambiente fechado (que normalmente é muito aquecido o que quer dizer que você deve fazer primeiro uma sauna rápida) e sair na rua completamente protegido.

A primeira sensação quando eu chegava à rua era “nada”. Não sentia nenhum choque porque não tinha vento.

Mas ai então que você começa a sentir que o frio vai penetrando, como nos filmes de terror. Vai subindo pelas pernas, atravessando todas as camadas de malhas, blusas e camisetas, entrando entre o gorro e o cachecol, cortando, ai você começa a chorar, agora no sentido bíblico, e pensa em como você é feliz de poder experimentar esse frio só de vez em quando.

No dia de ir embora vejo como está a temperatura em Turim: apenas -1° !!! Oba!!! Parece que a primavera já chegou para mim!!!

Até a próxima!

Esther Rapoport

Email : Esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

Dia Municipal da Luta pela Educação Inclusiva

Publicado em 18/06/2013

Em uma semana repleta de manifestações que paralisaram a cidade de São Paulo, fomos a um evento que mobiliza, há 3 anos, pessoas e entidades ligadas ao 3º setor, com um único e importantíssimo interesse: a inclusão.

O Educadores Online esteve no III Seminário em Comemoração ao Dia Municipal de Luta pela Educação Inclusiva, organizado pelo Vereador paulistano Floriano Pesaro (PSDB-SP) e que reuniu educadores, entusiastas, especialistas e pessoas com diferentes tipos de necessidades especiais, relatando suas dificuldades, superadas com muita força de vontade e também com ajuda de iniciativas como as da AACD e a Vamos Juntos.

O cenário foi o auditório do Memorial da América Latina, localizado na Barra Funda, bairro da Zona Oeste de São Paulo. O Seminário começou com a apresentação da Associação Ballet de Cegos Fernanda Bianchini (veja alguns trechos na nossa página do YouTube, clicando aqui) e, em seguida, cantamos o Hino Nacional, com o coral de alunos do Instituto Seli, deficientes auditivos (assista ao vídeo   clicando aqui).

O que foi possível perceber, no decorrer do seminário, foi que, devido ao longo tempo de reação do governo, cidadãos comuns, pais, irmãos e amigos de pessoas com necessidades especiais, se viram impelidos a agir em benefício daqueles que amam e que precisavam de ajuda. Esse movimento, inicialmente tímido, tomou conta da sociedade de tal forma que o governo não podia mais ignorar esse apelo, e se viu obrigado a tomar ações que propiciassem a inclusão de pessoas com diferentes tipos de necessidade, na tentativa de dar-lhes acesso igualitário a diversos serviços públicos.

Ao contrário do que se imagina, a inclusão é algo muito mais amplo do que disponibilizar banheiros acessíveis em bares e restaurantesu rampas de acesso em bancos. O que o Seminário procurou discutir são as ações que estão sendo tomadas em diferentes setores da sociedade e do governo, que permitem que crianças, jovens e adultos com necessidades especiais tenham iguais direitos de acesso à educação, ao transporte, ao mercado de trabalho, à cultura, ao esporte e ao lazer.

Por esse motivo, estavam ali profissionais das mais diversas áreas – psicólogos, educadores, arquitetos, pesquisadores, esportistas e políticos – para que cada um pudesse dizer o que está sendo feito e o quanto ainda temos que avançar para ter uma sociedade verdadeiramente homogênea e aberta às diferenças.

Está claro que muito ainda precisa ser feito, e esperar que o governo atenda a todas essas necessidades é admitir que não estamos preparados para aceitar todas as diferenças existentes em nossa sociedade.

Como incluir uma pessoa com deficiência auditiva em uma conversa de cafezinho, se ninguém aprendeu libras? A inclusão somente estará completa quando a sociedade não mais enxergar diferenças.

Tivemos a oportunidade de conversar com o Vereador Pesaro, em entrevista concedida minutos antes do início do seminário, e que vocês terão a oportunidade de ler logo abaixo:

EO – Como o senhor enxerga a situação do Município de São Paulo em comparação ao resto do país, no que diz respeito aos programas de inclusão escolar, social e esportiva?

Vereador Floriano Pesaro – Houve um avanço muito grande nos últimos 10, 12 anos no Estado de São Paulo, graças à iniciativa do então Prefeito José Serra, que havia criado a Secretaria para Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida. A partir daí, desse marco, as coisas foram evoluindo no sentido de dar maior amplitude e visibilidade às pessoas com deficiência. Amplitude do ponto de vista da política pública, com mais pessoas envolvidas, e trabalhando com esse tema nos órgãos públicos. Até então, a ideia da pessoa com deficiência era muito restrita à área da saúde e nós conseguimos ampliá-la para a área de educação, com o Programa Inclui, que nós estamos tentando perenizar através de lei (Projeto de Lei nº 95/2011) e nós conseguimos ampliar às demais secretarias, de forma que todos tivessem mais atividades voltadas às pessoas com deficiência. Então eu acho que nós conseguimos dar luz ao tema e mostrar que esse tema é de todos. É mostrar para o Brasil que a quantidade de pessoas com deficiência na cidade de São Paulo é muito grande e que existem várias políticas das mais diversas áreas, com base para isso.

EO – O senhor acredita que hoje, as medidas que estão sendo tomadas, inclusive o seu Projeto de Lei (PL 95/2011), visam realmente à inclusão de pessoas com necessidades especiais no mercado de trabalho, bem como nas escolas?

Ver. FP – Esse é o intuito! Melhorar o atendimento da pessoa com deficiência, assim como temos hoje o atendimento da pessoa sem deficiência. Acreditamos que essas pessoas tem que ser tratadas com absoluta normalidade, respeitadas as suas peculiaridades. Devemos partir do princípio da equidade para que possamos, de fato, ter uma inclusão definitiva. Somos todos iguais e como somos iguais, precisamos ter medidas que os tornem mais iguais perante as políticas públicas. Esse é o nosso intuito.

EO – Nesse sentido, familiares, pais de crianças com necessidades especiais, que tentaram incluir os filhos nas escolas, são da opinião de que seus filhos, na verdade, não estão sendo incluídos, porque a escola não está preparada para receber essas crianças e suas necessidades especiais...

Ver. FP – As escolas em geral não estão preparadas, assim como a sociedade não está preparada. Há discriminação, preconceito contra pessoas com deficiência auditiva – que é uma deficiência menos visível – que muitas vezes são discriminados, maltratados. Então eu acho que há muitos casos de pessoas com deficiência que precisam ser vistos com essa peculiaridade, e as escolas tem que trabalhar por uma inclusão mais definitiva. Essa inclusão deve se dar com a preparação e a capacitação dos professores e diretores. Se os professores não estiverem preparados para receber essas pessoas e suas peculiaridades, não haverá inclusão. A inclusão se dá a partir do momento em que se reconhece o problema, e aquele que vai atender no serviço público, ou mesmo na sala de aula, tem que estar qualificado para esse atendimento ou, como fazemos no (Programa) Inclui, nós colocamos um auxiliar preparado e treinado para esse atendimento.

Pudemos também entrevistar a Dra. Marianne Pinotti (PMDB-SP), titular da Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.

EO – Como a senhora enxerga essa iniciativa de inclusão social de pessoas com deficiência na cidade de São Paulo, comparativamente ao Brasil?

Dra. Marianne Pinotti – A gente tem um movimento muito importante de inclusão das pessoas com deficiência, principalmente a partir de 2008, com a convenção dos direitos das pessoas com deficiência que se tornou emenda constitucional no Brasil. A partir daí, o movimento ganhou muita força e as coisas começaram a acontecer de verdade.

Em 2011 a presidente Dilma lançou um plano chamado Viver Sem Limite que destina, não só recursos, mas também programas de 15 Ministérios para as pessoas com deficiência no Brasil inteiro. Então a gente tem um movimento nacional importante, e estadual já há muitos anos, até antes disso o estado vem trabalhando toda essa questão da pessoa com deficiência, e na cidade de São Paulo, no município, a educação foi a área que mais avançou. Educação inclusiva em São Paulo é uma realidade, nós temos crianças com deficiência estudando junto com crianças sem deficiência na sala de aula regular. Nós temos hoje 1,4 milhão crianças matriculadas no ensino de São Paulo, das quais mais de 15 mil são crianças com deficiência. Todas as escolas municipais da nossa cidade hoje têm crianças com deficiência, estudando junto com crianças sem deficiência. Para mim, na verdade, de todos os programas, de todos os projetos voltados às pessoas com deficiência, a educação inclusiva é o mais importante deles. A educação transforma. É aí que nós vamos conseguir a verdadeira inclusão no futuro, quebrando paradigmas e preconceitos. As crianças com deficiência e sem deficiência convivem juntas hoje e vão enxergar com naturalidade o trabalho das pessoas com deficiência no futuro. E, por outro lado, o fato de as crianças com deficiência estarem no ensino regular, lhes dá oportunidade de avançar e de disputar mercado de trabalho no futuro, com as pessoas sem deficiência. É isso que vai transformar a nossa realidade. Então o movimento do vereador Pesaro, por conta dessa iniciativa do Seminário (em Comemoração ao Dia Municipal de Luta pela Educação Inclusiva) é de dar força para essa questão da educação inclusiva na nossa cidade que é fundamental para todos. Todo movimento a favor das pessoas com deficiência, das pessoas mais vulneráveis, dos idosos, das mulheres, faz bem para todo mundo, principalmente para quem não é pessoa com deficiência conviver bem. E conviver juntos é aprender que há pessoas que, na sua diversidade, ensinam todos os dias para a gente e é isso que a gente tem que olhar como futuro importante para esse país.

Nossos agradecimentos ao vereador Floriano Pesaro e sua assessoria pela atenção que nos foi dada, e também à Dra. Mariane Pinotti.

Por hoje é só e até nosso próximo encontro!

Aurélio Arnholdt

Educadores Online

Abaixo, alguns links para entidades que tem a inclusão como premissa:

Centro Cultural de São Paulo – Livre Acesso

Museu Afro Brasil – Singular Plural

A bordo do meu diário

Publicado em 03/06/2013

Depois de 4 edições do meu Diário de Bordo, retornei a São Paulo e percebi que aquele exercício de observação havia estimulado meu olhar e que São Paulo me revelava outras faces. Pensei então que seria interessante continuar o exercício de narração A BORDO DO MEU DIARIO, e quem quiser me ouvir, ai vai mais um pouco para ler.

Meu retorno ao Brasil foi animado por alguns choques.

O primeiro foi térmico.

Sai de menos de +10° e cheguei com mais de +30°. Mas não se trata só de 20° de diferença. Tem também, no meio, muita umidade, que não é só a chuva! Tem algo diferente no ar que o torna mais carinhoso, leve, faz a pele mais macia, as rugas diminuem, rejuvenesce.

O céu é mais azul, as nuvens são mais brancas, a distância entre o céu e a terra é maior e a imagem tem mais foco. Hoje percebo que a poluição desta cidade é mais amiga do que aquela do vale onde está Turin, entre os Alpes e as colinas, porque lá não venta e o ar não se renova.

Mas tem outra coisa que me chama a atenção: São Paulo tem mais verde do que eu me lembrava.

No bairro onde moro em Turin não existe nem uma graminha nos quarteirões que vão do Parque ate a estação de trem. Nem um verdinho, só prédios e asfalto.  Isso se repete em varias cidades italianas porque reflete um modelo urbano de pavimentação total como sinal de modernidade. Muitas praças são completamente áridas, sem nem uma arvorezinha para fazer sombra.

Ando por Moema e o verde deste final de primavera explode como uma pintura. Putz, não havia percebido a quantidade de cores que há nesta cidade!!!

O segundo choque foi o gastronômico.

Primeiramente na quantidade de comida. Muito. E muito de tudo.

Muita fartura, muita opção, muito arroz com feijão, muita salada, muita carne.

Mas quando eu estava me deliciando com tantos sabores, chegou a 5°feira, que é dia de macarrão no restaurante aqui ao lado.

Ai foi outro choque: não existe um macarrão melhor do que na Itália. Qualquer modelo, marca, forma e molho. Imbatível. Ponto.

 Mas depois da 5°f vem a 6°f que é dia de pizza ... voltamos ao debate : não existe pizza melhor do que a nossa aqui !! Ponto final. 

O próximo choque é um pouco mais sutil. Batizei-o de choque Antropológico.

Aqui tem muita gente! Gente nas ruas, nas lojas, no transito, no escritório, tem muito ser humano circulando, falando, atendendo. Impossível não fazer contatos.

Vou ao cabeleireiro e me sinto atendida por um batalhão: uma nos pés, outra nas mãos, dois na cabeça. Gente te atendendo o tempo todo, em todos os lugares e com uma grande característica: sorrindo.

É, aqui as pessoas sorriem ao menor estimulo. Acho que é essa a grande diferença.

Mas se percebe que eu sou daqui.

Passada uma semana não percebo mais nada de diferente. Tudo é como sempre foi, tudo é como sempre vi e aprendi e agora já estou com saudade da muzzarella de búfala, do prosciuto cruddo, da azeitona gigante, do frio e do meu companheiro, com quem estou aprendendo a olhar para o novo e entender o que cada mundo esconde e revela.

É bom estar em casa, mas também é bom ser estrangeira porque nessa condição a gente consegue olhar melhor para o outro.

Por hoje é só !

Beijos chocados a todos !!!!

Esther Rapoport

Email : Esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

Na Eslováquia

Publicado em 26/05/2013

Neste momento estou sentada no banheiro de um avião, em um vôo da companhia aérea low cost mais famosa da Europa: Ryanair, escrevendo e desmentindo o boato freqüente de que a Ryanair cobra para usar o banheiro.

Ainda não !!

E por isso, aproveito bem a oportunidade para me concentrar e tranquilamente escrever. Mas muita coisa aconteceu até eu entrar neste banheiro. Vou relembrar.

Estava sentada no aeroporto de Guarulhos, comia um pão de queijo e pensava em todas as despedidas realizadas ou não: da manicure a depiladora, da papaia ao feijão com arroz, dos meus amigos e da minha família próxima aos meus companheiros de trabalho e colegas do dia a dia, enfim, não consegui estar com todo mundo que eu queria.

Chamaram o vôo, fui retribuindo aos sorrisos anônimos dessa gente que parece não ter medo de ser feliz, assim como eu, e embarquei.

Cheguei a Turin atrasada para montar a arvore de Natal e arrumar minhas coisas para poder receber a minha filha, que veio passar comigo essa semana de neve e frio. Foi um Natal branco, como a gente vê nos filmes. A filha entusiasmada e brincando com a neve, enquanto a Itália estava vivendo o caos, com aeroportos fechados, trens bloqueados, estradas interditadas, tudo isso por causa de uma forte nevasca que aconteceu exatamente na última semana antes do Natal, com muita gente viajando.

Depois que ela foi embora, chegou meu irmão, para passar o reveillon conosco, mas interrompo esse momento de recordação porque está na hora de sair do banheiro deste avião e vocês ainda não sabem como vim parar aqui.

Estou voltando de Bratislava!!!

O que fui fazer na Eslováquia? Passear.

Fomos passar o final de semana com um amigo argentino do Andrea que esta namorando uma eslovaca. Ela morava em Buenos Aires e teve que voltar para casa, aí ele veio ver como era a coisa por aqui e nos convidou para conhecer a cidade. Com Ryanair vendendo bilhetes por Euros 5,00 já com taxas incluídas, tudo é possível.

Rodamos um pouco pela cidade. Primeiro a parte medieval, que é sempre encantadora para nós, sul americanos, não acostumados com ruas estreitas, prédios com 700 anos de historia para contar, restaurante em porões e um frio de -4, -5, -6 que depois de um tempo só entendemos que é frio pacas.

Visitamos também a parte ex-soviética. Aquela paisagem dura e cinza de prédios funcionais e espartanos. Mas os comunistas fizeram alguns grandes estragos na paisagem. Como não suportavam a Idade Media e os senhores feudais, derrubaram muita coisa na parte medieval para construir viadutos e pistas rápidas, derrubaram ate a Sinagoga, que ficava pacificamente ao lado da Catedral. Uma coisa impressionante.

O legal de Bratislava é que visitando a cidade se pode comer a verdadeira e original torta Sacher. Eu disse a original, feita na doceira do Hotel Sacher, em Viena.

É só pegar um trem e em uma hora chega-se a Viena. E fomos! Comemos a torta e ainda devoramos um “viena schnitzel” no caminho. A proposito, alguém sabe o que é um bife a “milanesa”? A resposta esperada é: uma carne empanada (passada na farinha de rosca e frita). Mas a resposta correta é: um schnitzel! Explico: Milão era zona de ocupação do Império Austro-húngaro, para onde foi levada a tradição do bife empanado que depois se tornou o bife milanês!

Eu não conhecia Viena e não dá para dizer agora que conheço, mas pelo menos visitamos um dos castelos dos Habsburg.

Voltando à Bratislava, conversamos bastante com a namorada o Gabriel que nos contou as peripécias que tinham que fazer durante o regime socialista para poder viajar para fora da cortina de ferro. Mas contou também que eram felizes, que não faltava escola, atendimento médico, comida, trabalho. Não tinha muita coisa para consumir e poucas opções de lazer, o que promovia muita reunião de família e de amigos. Existia um clima mais relaxado, sem tanta violência urbana. Tem muita gente ali com saudade daqueles tempos vermelhos.

Nosso voo pousa no aeroporto de Bergamo, nas proximidades de Milão.

Vamos de ônibus para Milão e depois de trem para Turin.

Atravessando a periferia de Milão fico com a impressão de que estamos no bairro soviético de Milão, idêntico ao de Bratislava, de Leipzig, de Moscou ... de São Paulo. 

Beijos proletários.

Esther Rapoport

Email : Esther@dialog.tur.br

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Sexta-feira

Publicado em 24/05/2013

 

Hoje o dia não começou nada fácil: minha cisterna está com defeito e recebi uma conta da Companhia de Abastecimento de Água num valor altíssimo! Sem saber como fazer, liguei para o Serviço de Atendimento ao Consumidor. Resultado: parcelei a dívida, e contratei um pedreiro para resolver o problema. Então, minha sexta-feira se resumiu a uma cisterna vazia e um fim de semana chegando. Reclamar? De nada!

Depois de estabelecer com o pedreiro as coordenadas do dia de trabalho dele segui para o meu. É incrível como os homens subestimam a inteligência das mulheres! O homem olhava pra mim enquanto eu lhe falava com aquela expressão de quem me dizia: “hum, hum”... Aff! “Deixa pra lá”, pensei eu, sozinha, enquanto ligava o carro...

No meio do caminho começou a chover. E eu não podia me atrasar. Hoje é dia de reunião na escola. Eu sou professora.

Hesitei entre acelerar e chegar inteira. Resolvi retirar o pé do acelerador. Preciso trocar o carro. Comprei um 0 km em 2008. Foi o que coube no bolso. Contracheque de professor não permite sonhos muito altos. Parcelei, e agora que acabei o financiamento, sinto que preciso entrar num novo. Tenho um filho pequeno, trabalho na cidade vizinha, vivo na estrada, preciso de segurança.

Pensamentos como esses me fazem companhia enquanto dirijo 40 km até a escola onde trabalho: penso na compra do mercado ao mesmo tempo em que listo imaginariamente a roupa que colocarei na máquina de lavar quando chegar a casa, a janta que farei, e a que horas verei a tarefa de casa do meu filho. Nos dias de escolinha de futebol dele é ainda mais complicado. Atrasa tudo, e vamos dormir bem mais tarde.

Eu e o pai do meu filho somos separados. A gente meio que divide as despesas, ele paga a mensalidade da escola, eu fico com a alimentação. Mas sempre que vou ao mercado imagino estar perdendo neste acordo. O preço das coisas está um absurdo! Cada dia levo mais dinheiro e trago menos coisas. E ainda tenho que me organizar para que meu filho não esteja comigo durante a compra, porque senão ele faz a dele e gasto mais ainda. É tão difícil dizer não... A gente fica tanto tempo separados!...

Bem, não teve jeito e eu cheguei atrasada à escola. Mas não fui a única. A reunião já havia começado. Decidimos algumas coisas sobre alunos com notas abaixo da média, porque o Conselho de Classe se aproxima, agora que o trimestre está terminando. Precisamos ver como faremos com os meninos dos sextos anos de escolaridade. Eu fico preocupada, porque eles chegaram este ano, vêm sempre cheios de vícios das escolas de 1º segmento (chamam a gente de “tia”, ainda), são tão pequenos e imaturos! Mas o professor de Matemática diz que é bobagem minha, que todo mundo tem que aprender a mudar, que num instante eles se adaptam ao novo ritmo.

Vamos ver o que será dos alunos... O Conselho de Classe acontecerá na segunda-feira... Trouxe mil e uma planilhas para lançar as notas neste fim de semana. Tomara que chova, mesmo, até domingo. Preciso economizar água. Ufa, como estou cansada! Sentada aqui, diante do computador, sinto o pescoço e ombros rígidos. Ainda bem que hoje é sexta-feira!

Karla Pontes

Gente nova chegando para ficar

Publicado em 20/05/2013

Olá, leitores e amigos!

Gente nova chegando para ficar!!

Hoje vim pessoalmente aqui para contar a novidade para vocês! Esta semana lançaremos uma coluna nova no Educadores Online: a "Vida de Estudante"! E, como o próprio nome sugere, nossa colunista irá falar com muito carinho diretamente aos nossos estudantes! Muito bacana, não é mesmo?! 

De quem é que estamos falando? De Flávia Cerri de Paiva! Uma paulistinha que aos 26 anos de idade é Bacharel e Licenciada em Química, e por isso sempre esteve em contato com assuntos relacionados à Educação, Pedagogia e Didática.

Flávia também teve algumas experiências lecionando, conhecendo assim os dois lados dos principais protagonistas da sala de aula: estudantes e professores. E por isso sabe bem o quão excepcionais são os profissionais de educação, além de serem os maiores exemplos e grandes responsáveis pelo futuro deste país.

Mas as peripécias da Flavinha não param por aí! Além de Química e Compradora ela também é escritora de livros infanto-juvenis!! Também achei o máximo! E olha ela aí no lançamento de seu primeiro livro!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Seu primeiro livro chama-se "Lua...O Anjo Terrestre". 

"Lua é uma garotinha muito especial, que nasceu de uma gravidez inesperada entre Angel e Vinícius. Os dois ainda são muito jovens quando tudo acontece. Angel tenta levar Vini ao altar. Os planos não saem como esperado e eles acabam se separando. Lua nasce e vai crescendo em péssimas condições, sempre passando por muitas dificuldades. Até que um dia, se vê sozinha nas ruas de sua cidade. Válter, ao contrário de Lua, é um garoto que sempre teve tudo o que quis, sempre foi muito rico, mas também acabou se vendo sozinho nas ruas. Valtinho e Lua se encontram e juntos vão passar por incríveis experiências e aventuras em busca de força para voltar e reencontrarem suas famílias."

 

 

 

 

 

 

 

Quem quiser saber mais sobre o primeiro livro da Flávia pode entrar em contato conosco através do e-mail contato@educadoresonline.com.br.

Ainda essa semana o lançamento da coluna da Flávia! Não percam! E em breve iremos divulgar data e local para o lançamento de seu segundo livro, e o Educadores Online estará lá para prestigiar e registrar, com toda certeza!

Seja muito bem vinda, Flávia!!! 

Um abraço a todos e até minha próxima "intervenção"! :)

Adélia Lopes

Educadores Online 

 

 

Primeiro Mundo?

Publicado em 05/05/2013

Estou no primeiro mundo já há alguns meses.

Primeiro Mundo?

Às vezes acho que aqui estão apenas no primeiro mundo, devem ainda progredir e crescer um pouco para chegar ao nosso modelo, já que nos conseguimos chegar ao terceiro.

É, às vezes o modelo aqui me parece um pouco atrasado, baseado em muita tecnologia e pouca gente ... acho isso insustentável.

E assim: vai para o aeroporto e na hora de fazer o check-in, esta sozinha na frente de um computador! Deve fazer teu atendimento sozinha. Chega num hotel, e lá esta a máquina para fazer o teu check-in !!! E também o teu check-out, e não é só isso, se precisar da ajuda do amigo concierge, ele virou uma tela interativa que te relaciona os restaurantes, as lojas, o mapa da cidade, na língua que você escolher, com todo o calor e afeto que uma tela plana de última geração pode te oferecer. Ou seja, você chega e sai de uma cidade e se bobear não trocou uma palavra com um ser humano.

Vai as compras na Ikea e na hora de pagar, não tem ninguém no caixa: você passa tua mercadoria, teu cartão e faz tudo sozinho. Vai passar pelo pedágio, e não tem ninguém para conversar, passa teu cartão sozinho e vai embora. Pega o metro e uauu, não tem ninguém dirigindo o trem, tudo automático, sem nenhum ser humano. Aí pega o carro e para no posto de gasolina, ninguém para te servir: você põe a gasolina, enche o pneu, limpa o vidro e paga com o cartão de crédito, esse sim é o teu grande e inseparável amigo de todas as horas ...

As maquinas fazem tudo sozinhas. Cadê o emprego ?? Onde estão as pessoas?? Os italianos estão fazendo turismo sexual em Fortaleza, mas agora até eu estou com pena deles.

Não entendo. O capitalismo criou o mundo do trabalho, somos criados e educados para o trabalho, é o trabalho que nos dá dignidade e perspectivas pessoais, o trabalho que nos insere no universo das relações pessoais, estudamos não aquilo que nos agrada, mas aquilo que pode nos abrir perspectivas profissionais, e quando terminamos de consumir uma fábula de grana na nossa formação, não tem emprego, as máquinas fazem tudo sozinhas. Tudo não, não podem comprar ou vender frutas e legumes aqui na Itália: é, aqui temos que esperar em fila pela única vendedora na quitanda ou no mercado, que escolhe as bananas e os tomates para nós, porque não podemos meter a mão na sua preciosa mercadoria.

Então, no primeiro mundo ainda é assim, mas daqui a pouco mudam, eles vão aprender conosco, nos copiar e tentar encontrar algum prazer na vida, porque neste item, a gente da uma aula magistral!!!

Semana que vem volto para casa! Chego na segunda-feira e espero contatos humanos de primeiro grau .....

Esther Rapoport

Email : Esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

Por que você gosta de dar aulas?

Publicado em 01/05/2013

O que te cativa, estimula, motiva?

Eu gosto da paixão pelo saber, pelo conhecimento, pela reflexão, pelos questionamentos, pelo debate, pela troca, pelas descobertas, pelas revelações, pelo universo de possibilidades quando encontramos o OUTRO e aprendemos a aprender a cada dia.

O outro que nunca é como em nossos sonhos. O “outro” que pode ser a escola, o aluno, o colega professor, o pedagogo, o diretor, a merendeira, o porteiro… O outro. Que traz um mundo inteiro junto com ele. Que se abre ou se fecha a cada contato, que está vivo, entusiasmado ou frio, distante… O outro rebelde, transgressor, agressivo, explosivo, “mal educado”… O outro. O que tem brilho nos olhos e o que não tem mais. O que acredita, tem esperança, se envolve… O que é indiferente, insosso, quase imperceptível… O outro. O que quer e o que não quer. O que ama, o que odeia, o que só diz amém, o que debocha, ironiza… O hipócrita. O invisível, o que grita em silêncio, o que adoece… O ignorante, preconceituoso, moralista… O que não tem autocrítica, o que pouco ou nada se conhece, o que não se importa com ninguém, o que só obedece, o que só desobedece, o que mente, engana, o que morre de medo, o que se julga ora salvador e ora vítima… O outro. A criança, o jovem, o adulto, o velho. O que ouve e o que só escuta a si mesmo. O que vê e o que, cheio de orgulho, apenas “se acha”. O que se cansa. O que observa, contempla… O que pensa e o que é só impulso e reação. O sensível, criativo, sutil… O que não tem auto-estima, não se valoriza… O que é puro ego. O que acha que só se aprende na prática. O que só vê o concreto, o preto ou o branco; nunca o cinza. O outro. O confuso, vacilante, perdido, perplexo com o mundo que encontra… O que ousa, duvida, pergunta, busca, quer entender, quer sentir… O que pesquisa. O que acha que já sabe tudo. O cínico. O que ensina, aprende, gargalha, chora, morre de curiosidade, se encanta… O idealista, cheio de sonhos de um mundo melhor para todos. O politizado, o apolítico, o religioso… O cético, o crédulo, o diabo e o santo. O outro.

E, em cada um desses outros, o eu.

Em cada um, um pouquinho de nós.

Em cada professor uma história, mil desejos e ideais… E uma certa desesperança que lhe ronda como sombra. Um cansaço sem nome, sentido e doído todos os dias, tecido em um emaranhado de desilusões e alegrias, conquistas e fracassos, paradoxos, contradições… O outro é cada um de nós.

Eu sou cada um de vocês. Empaticamente. Telepaticamente.

Cada um de vocês, professores, também são um pouco eu, um pouco sãos, um pouco loucos, um pouco sábios e um pouco aprendizes, nessa gangorra absurda da educação, nessa montanha russa sem cinto de segurança.

Eu. Vocês. O outro. Todos nós. Vivendo ou apenas sobrevivendo, como dá, como “Deus quer”, como é possível… Adaptados ou não. À margem ou não.

Seres humanos.

Professor. Aluno. Eu. O outro.

Desejo que, apesar de tudo, de toda a injustiça diária que vemos nas vidas de nossos alunos e nas nossas próprias vidas, nunca nos deixemos derrotar de vez. Que consigamos levantar depois de cada tombo, com a pele mais resistente, como os dedos do violonista que, de tanto tocar, criam calos, necessários para que a música se faça.

Que possamos continuar tocando, criando, bailando, fazendo música… Mesmo em meio ao fogo cruzado das tantas rajadas de metralhadoras diárias com as quais convivemos em nosso “pacífico” país…

Não precisamos de um “dia dos professores” para nos homenagear.  Sempre é dia. Hoje é dia!

 Mil beijos e abraços carinhosos em cada um de vocês, professores como eu, 

Regina Milone. 

Professora, Pedagoga, Arteterapeuta e Psicóloga.

Gênio da Matemática

Publicado em 30/04/2013

 

 “TREINE SEU CÉREBRO E SEJA UM GÊNIO DA MATEMÁTICA”

Pessoal, a Coquetel (Ediouro Publicações) deixou o estudo da matemática muito mais gostoso e descomplicado com o livro infanto-juvenil “Treine Seu Cérebro e Seja Um Gênio da Matemática” de autoria do pediatra Mike Goldsmith. A publicação, recheada de dicas e estímulos para a garotada, possui estilo interativo e fascinante especialmente criado para estudantes de 11 a 15 anos que têm dificuldade com o tema e para aqueles que desejam complementar o estudo iniciado nas salas de aula. O grande diferencial desse livro em comparação ao outros comuns é que ele desmistifica a matemática, além de trazer ilustrações, atividades e indicações em cada página para potencializar o aprendizado, tornando a maneira de aprender fácil e divertida.

O livro está divido em cinco capítulos: Cérebro Matemático; Inventando Números; Mágica dos Números; Formas e Espaços e Um Mundo Matemático. Entre outros conteúdos, eles abordam desde sistemas de medidas até probabilidade, passando por geometria, regra de três, álgebra, progressão aritmética e progressão geométrica, teorema de Pitágoras. Os conceitos são explicados de forma animada e ilustrada, muitas vezes, acompanhados de testes e enigmas que dão ao leitor a possibilidade de testar e praticar toda a teoria. O livro ainda reserva espaço para desvendar as teorias e formas que fascinam e, até mesmo, desafiam os olhos e cérebro. Caso das imagens 3D, labirintos, ilusões de óptica e também das figuras impossíveis – séries de figuras 2D que confundem a mente ao tentar identificá-la.

Muitas pessoas acreditam que não são boas em matemática, quando, na realidade, não percebem que usam essa ciência o tempo todo. O livro Seja um Gênio da Matemática demonstra ao leitor que ele pode ser melhor do que pensa em relações aos números. A publicação revela os caminhos simples para aprender a matemática. Por exemplo, você já se perguntou de onde vem essa ciência? Será que as pessoas a construíram? A resposta é sim e não. Os seres humanos – e alguns animais – nascem com as regras básicas da matemática, mas grande parte dela foi inventada.

O livro traz histórias e curiosidades sobre grandes mestres da matemática, a importância de suas descobertas e explicações sobre aplicações de suas teorias. Dentre esses gênios figuram Arquimedes, Pitágoras, Alan Turing (que decifrava códigos na Segunda Guerra Mundial), Isaac Newton, Karl Gauss, Leonard Euler, entre outros.

E, com o oferecimento da Coquetel, o Educadores Online irá sortear 05 exemplares do livro entre professores ! Para participar, basta cadastrar-se no site, entrar no fórum dos professores, e responder a pergunta que estará lá no tópico "Gênio da Matemática"! É muito simples! O sorteio será no dia 30/05/2013 e os nomes dos ganhadores serão divulgados em nossa página do Facebook!

Participem e boa sorte!!!!

Educadores Online

Sou Professor

Publicado em 17/04/2013

Tenho cinquenta anos, e sou professor. Escolha difícil, diante de uma família que esperava um filho médico ou advogado.

 

Não sou médico, nem advogado. Mas muitos dos meus alunos têm este registro em seus diplomas. Formei médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, filósofos, meteorologistas e, graças a Deus, muitos, muitos outros professores!

Bordando minha história, os meninos e meninas que passaram pelas escolas por onde também passei. Sou professor de Matemática, foi difícil – sempre difícil! – convencê-los de que era possível compreender a Matemática, apaixonar-se por ela. Eu consegui, em muitas das vezes.

Com vinte e oito anos de magistério, bato às portas da aposentadoria. Cansado fisicamente da lida, meu corpo já não responde aos estímulos mais severos. Ainda vou trabalhar de bicicleta, ainda jogo uma “peladinha” com a turma na hora do recreio, mas isto tem me deixado de molho nos fins de semana. É que evito ir ao médico, temendo ter que ausentar-me das aulas, então, concentro as dores para os sábados e domingos. Às vezes os sábados são letivos, e a dor aumenta. Mas ainda está dando para aguentar.

O cansaço é, também, emocional. Conviver com professores que já desistiram da profissão, mas não a abandonam, me causa certa tensão. Preocupa-me o futuro dos meninos e meninas, que nenhuma culpa têm daquela desistência, e sofrem-lhe as mazelas. Os professores deste tipo que conheço saem de sala ao primeiro sinal de desordem, ou então gritam desesperadamente em busca de um silêncio que não acontece. Eles não buscam novas formas de ensinar, apenas repetem exaustivamente aquela única coisa que sabem. Então, os meninos e as meninas que não entendem aquela forma de comunicação vão se distanciando, porque tem sempre um colega ao lado – ao atrás, ou à frente – com algo bem mais interessante dentro da mochila. Aí tudo se dispersa como rio sem margem. Não há aprendizagem onde não há ensinamento.

Volto para casa emocionalmente cansado, também, quando sou procurado por algum de meus alunos para uma conversa particular. Graças a Deus, ainda sou referência para eles. A Orientadora Educacional da escola não está lá todos os dias. E acontece algumas vezes de, mesmo que ela esteja, eles preferirem desabafar comigo. Até mesmo as meninas me procuram, buscando uma solução para os seus problemas ou uma palavra amiga. Nessas horas eles me chamam de “tio”. Não tenho nada contra a expressão “tio”. Eles não sabem se é ou não pejorativo. Usam-na com carinho, e eu gosto. Ontem foi um dia desses. Dois alunos me procuraram após ter batido o sinal da saída. Tinham cometido um furto num supermercado, e agora estavam temerosos porque souberam que a câmera interna havia registrado e a polícia já havia sido notificada do caso. Estavam à procura dos meninos. Nunca haviam feito isto antes. Caíram “na pilha” de outros amigos e furtaram uns pacotes de biscoitos e uns sabonetes...

Diante do meu primeiro conselho para que revelassem o ocorrido a seus pais, a história de desgraça prolongada: um, não tem pai nem mãe. É criado pelo avô, que o agride constantemente. O avô não se locomove direito, passa o dia inteiro revezando entre cama e cadeira de rodas. O outro mora com a mãe, que trabalha como diarista, não sabe quem é seu pai. E, diante da forma como é criado (“para ser alguém na vida”) teme decepcionar a mãe ao revelar o erro cometido. Os dois meninos, nervosos, apavorados, choram o desespero que me toma de assalto, também. Ontem cheguei a casa tarde da noite, embora tivesse lecionado só pela manhã, tentando resolver a vida daqueles garotos. Acho que consegui. Acho que o susto que levaram não os fará repetir a bobagem.

Minha vida é assim. Sou professor. Eles sabem a Matemática, uns um pouco mais que outros, mas sabem o suficiente para viverem. Para mim, bastaria que fosse assim. Mas assim como todo mundo gosta quando encontra um médico que vai além das consultas e prescrições, ou um arquiteto que entenda, para além das obras de reforma, seus desejos pessoais, sou um professor que enxerga o aluno em sua essência, não só no que escreve nos dias de prova.

Nunca considero notas de provas para avaliar meus alunos. Um menino sob o estresse de ser reconhecido por uma câmera numa ação infeliz de furto não poderia jamais sair-se bem num teste de Matemática. Como não se sairia bem, também, a menina que suspeita estar grávida, ou o menino que experimentou crack na noite anterior, ou mesmo o menino que não conseguiu estudar porque virou concreto ajudando seu pai na construção do patrão.

Eu sou professor, graças a Deus. Não vi o melhor sorriso no rosto dos meus pais quando lhes informei da minha opção no Vestibular. Mas vejo-lhes o brilho nos olhos quando viajo pra casa e conto histórias do meu cotidiano. Como vejo o brilho nos olhos dos meus meninos e meninas quando lhes conto a minha própria história de aluno de escola pública que estudou muito, acreditou nos sonhos e chegou onde queria.

Meu salário não me dignifica. Luto pela valorização da classe, enquanto trabalho nos três turnos para pagar a prestação do carro e quitar a casa. Quero deixar algo seguro para meu neto, que acabou de nascer e que leva meu nome. Quero que ele cresça e viva um tempo de reconhecimento do trabalho que um professor que honra seu diploma tem. A ponto de também valorizar seus professores em sala de aula. A ponto de ver seus olhinhos brilharem quando eu lhe contar minhas histórias. A ponto de – quem sabe? – querer, também, ser professor.

Karla Pontes

karl.apontes@hotmail.com

Democracia e Preconceito

Publicado em 15/04/2013

Estou sentada no lobby de um hotel em Sassari. Alguém já ouviu falar em Sassari ? Sabe onde fica? Bom, essa cidade existe e fica na Sardegna.

Estou esperando o inicio do próximo workshop da Embratur para fazer mais uma vez minha apresentação.  Enquanto isso eu divido com vocês mais algumas observações nessa minha vida europeia.

Estava caminhando um pouco na cidade e vi uma pichação que dizia:

E quando éramos nós os imigrantes? Não ao racismo!”

Imigração aqui é realmente um tema explosivo.

A discussão levanta vários aspectos e ainda não consegui formar uma opinião conclusiva.

Para começar, lembro que entre o final do século 18 e começo do 19, a Itália “expulsou” metade de sua população que, fugindo da miséria e pobreza, encheu navios de imigrantes para a América (Norte e Sul) em grandes hordas. Foram muito descriminados por onde chegaram, tanto nos Estados Unidos como no Brasil

A imigração interna e com destino Itália foi um fenômeno mais recente. Primeiro era um movimento domestico: uma massa de italianos que nos anos 60 e 70 vinha do sul do país, da Sicília, da Calábria ou da cidade de Nápoles para o Norte, para trabalhar na indústria que prosperava no triangulo entre Genova, Milão e Torino. A paisagem humana não mudava muito embora estes imigrantes tenham deixado sua marca, por exemplo, na gastronomia, introduzindo produtos mediterrâneos como tomate e azeite de oliva numa culinária baseada no leite e na manteiga. Conhecidos como os “terrones”, foram muito descriminados.

Nesta ultima década ou pouco mais, cresceu muito a imigração do Leste Europeu, do Norte da África, Ásia e Oriente Médio em direção à Itália e com a chegada desses novos hospedes, se apresentam algumas questões espinhosas como, por exemplo, o uso da BURKA. Estão discutindo aqui a aprovação de uma lei que proíbe o uso da burka e outros trajes que cobrem a face, comuns nos países muçulmanos, por considerarem uma prática que fere a constituição italiana uma vez que “impede a identificação da pessoa”. Os negros sofrem muita descriminação pela cor, como já vimos em varias partidas no campeonato italiano de futebol, os árabes por seus hábitos diferentes e os chineses pela dificuldade de comunicação. A paisagem urbana se enriquece de tipos humanos diversos e idiomas ininteligíveis numa verdadeira nova Torre de Babel. 

E agora? O que fazer para respeitar a tradição daqueles que chegam normalmente também “expulsos” de seus países?

Outra situação complicada. O imigrante, quando legalizado, esta protegido pela política de Bem Estar Social e tem direito ao ensino público gratuito (e de ótima qualidade)  mas que tem vagas limitadas. Nos últimos anos o italiano, que paga impostos pesados para a manutenção dessas politicas, teve que entrar em lista de espera por uma vaga na escola pública porque seu filho disputa espaço com uma enorme população de imigrantes. Impossível controlar o sentimento de discriminação.

Por outro lado, os imigrantes continuam sendo fundamentais porque são eles que se dispõem a realizar todo o trabalho braçal mais pesado. Em menos de dois meses aqui, só vi gente do Leste Europeu, especialmente Romênia, nas funções mais duras como faxineira, pedreiro, varredor de rua, assistências técnicas diversas, zeladores e vigias. Nunca vi um italiano nessas funções, também nunca vi um romeno ou um negro na recepção de um hotel ou de vendedor em uma loja.

Na semana passada, porém, fui levar a Alice na escola, e me surpreendeu ver que a filha da nossa faxineira romena e a filha do egípcio dono do Kebab da esquina de casa estão na mesma classe. Com tantas demonstrações de preconceito e racismo, a classe da Alice é muito heterogênea, com tipos físicos variados, e com algumas crianças que apreendem a falar italiano na escola porque em casa vivem em verdadeiras ilhas culturais, mas todos recebem aqui a mesma informação e tem acesso a mesma formação. Essa classe escolar multiétnica me pareceu mais racialmente democrática do que um desfile de escola de samba onde os negros que vivem na favela e frequentam uma escola pública brasileira carente de recursos e professores, se divertem ao lado da burguesia branca que estuda em colégios particulares caríssimos.

Passaram-se dois dias e estou num trem rumo a Milão, última rodada desde Road Show. Estou bem cansada, mas não consigo relaxar porque tem um chinês que está no telefone há mais de uma hora, gritando, não percebeu que está em um lugar público.

Com as horas passando presto atenção nelas: nas horas, nos minutos...

É curioso perceber que aqui o tempo rende muito mais do que em São Paulo porque não se perde tanto tempo em deslocamentos.  Isso às vezes me desorienta.

Hoje precisava pegar um trem às 14h59.

Às 12h45mins eu começo a me arrumar para sair as 13h15mins para o centro da cidade.

De ônibus chego ao escritório do Andrea às 13h30mins (será que meu relógio parou?) e vamos a pé almoçar num restaurante ali pertinho. Fico aflita porque demoram em nos servir...

13h50, almoço na mesa. Tomamos um cafezinho às 14h15 e ele me sugere ir a pé ate a estação onde devo pegar o trem, mas como a mochila esta pesada prefiro esperar um ônibus e quando desço, em frente a estação, são 14h35.

Perco alguns minutos procurando a plataforma e tenho que esperar ainda 19 minutos até que chegue o meu trem! Uma eternidade! Passaram antes dois outros trens nesta plataforma o que significa que cheguei muito cedo. Por que eu corri tanto?

Estamos chegando a Milão, faltam apenas 15 minutos para começar a apresentação o que significa que da estação de trem devo andar até o hotel, encontrar a sala de reuniões, abrir o Power Point e ainda terei tempo para tomar um café!

Desligo o computador. Faz-se silêncio no trem, ufa...acho que acabou a bateria do celular do chinês.

Por hoje é só.

Esther Rapoport

Email : Esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

 

No sul da França

Publicado em 12/04/2013

 

Cheguei a Lyon e encontrei com a Cathy, uma amiga francesa que participava comigo do “road show” da Embratur na França. No programa, depois de Lyon iriamos para Nice e Marseille, trajeto a ser feito todo em trem e para o qual ela me disse que já havia comprado os nossos bilhetes pela internet.

No dia de embarcar para Nice ela tentou imprimir os bilhetes nas maquinas da estação, mas não conseguiu. Explicamos aos supervisores na plataforma que tínhamos uma reserva, mas que não havíamos conseguido imprimir os bilhetes e nos autorizam a entrar no trem para falar com um chefe do controle e encontrar uma solução. Entramos e a Cathy foi falando com um e com outro sem que eu conseguisse entender o que eles propunham ou ela conseguisse explicar exatamente o que acontecia. Depois de várias tentativas nos sentamos e, por sugestão dela, fizemos de conta que dormíamos cada vez que passava o fiscal. Chegamos a Nice e nunca saberei se a Cathy comprou mesmo ou os bilhetes ou não, se foi um problema técnico ou um problema ético. Mas chegamos ... Ainda estou na Europa !!

A proposito, a rede ferroviária francesa é muito boa e os trens são ótimos, ainda mais se comparados com os italianos. São modernos, decorados com cores vivas, assentos anatômicos, dois andares, bar panorâmico, um luxo. De Nice continuamos para Marseille e como neste momento já havíamos formado um grupo de participantes do Road Show, todos brasileiros ou franceses amigos, resolvemos pegar um só taxi para o hotel onde ficaria a maior parte das pessoas. Estávamos em oito pessoas e paramos no ponto de taxi dentro da estação para ver se encontrávamos um carro grande. Um dos motoristas disse que iria nos levar em uma van e foi buscar o carro. Abriu-nos o porta-malas e quando perguntamos quando custaria a viagem, o cara, um norte-africano provavelmente do Marrocos ou Tunísia, começou a gritar conosco. Ninguém entendeu bem onde residia o problema de querer saber a tarifa antes da viagem, mas ele fechou a porta e nos mandou pegar dois carros por que ele não nos levaria mais. Desorientados, fomos falar com os outros taxistas que disseram que não poderiam mais nos levar e o primeiro cara, gritando histérico, fechou a saída com o seu carro não permitindo que nenhum outro taxi saísse dali.

Depois daquele bate boca em francês, fomos para a rua, para tentar pegar um taxi fora da estação e o único que parou disse que não poderia nos pegar fora do ponto, que o melhor seria pegar o metro, nos indicou em qual estação descer e a que distancia do metro ficava o hotel!

Acho que nunca vi isso antes, motorista de taxi em uma estação de trem se recusando a pegar cliente, provavelmente porque não conseguiria nos enganar com o preço, e indicando o metro!!!

Estou na Europa?

Esther Rapoport

 

Email : Esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

 

 

Indo para a França

Publicado em 02/04/2013

 

Estou sentada em um trem, indo para França. Estou na Europa.

Cruzando as pequenas cidades no caminho vejo placas e outdoors: Carrefour, Yamaha, Midas, FNAC ... Estou na Europa ? Sim ... Estou na Europa e ontem foi um domingo bem europeu.

Após o almoço saímos em família,  Andrea e suas duas filhas, Alice e Gaia, para comprar uma bicicleta para mim. Agora estou motorizada!! Tenho uma bicicleta de cidade, com seis marchas e um cestinho na frente para colocar as flores e as borboletas ...

Comprei a magrela porque este final de semana estava valendo um incentivo do Estado para vendas de bicicletas, parte do programa de melhoria da qualidade do ar, com um desconto de 30% para o cliente. O Estado paga a diferença para o fabricante através de uma verba de x milhões de Euros reservadas só para esta ação, quando acabar a verba, acaba a promoção. Assim é que em menos de duas semanas de vida europeia meio clandestina já estou usufruindo das vantagens do Estado Italiano, mas tive que fazer tudo usando o CPF do Andrea.

Da loja saímos os quatro, Alice na minha garupa e Gaia na do Andrea, para passear pela cidade. Turin (Torino em italiano) tem 18 Km de “portici” que são arcadas que cobrem as calçadas nas principais ruas e servia de caminho para o Rei, que podia se locomover sem se molhar em caso de chuva. Essa região, o Piemonte, foi uma monarquia encabeçada pela família Savoia, por mais de mil anos. Foram os grandes responsáveis pela unificação da Itália em 1861, elevando Torino à condição de primeira capital do Reino Italiano, que durou até o final de Segunda Guerra Mundial.

Sob estes “portici” estava acontecendo uma feira de livros, tipo Bienal do Livro, mas sem ter que pagar ingresso e ao ar livre, por quilômetros e quilômetros de calçadas até uma praça central. Nesta praça haviam varias tendas armadas que apresentavam atividades variadas como apresentações e leituras de livros para crianças. Bem no meio da feira encontramos uma outra feira: de chocolate ... uauuuu .. Estou na Europa !

Quase pirei. Sorte que estou me controlando seriamente para não engordar, já que é ridículo falar em emagrecer com tanto macarrão em volta, e me contive. Consegui sair dali com apenas um salame de chocolate.

Findo o domingo, começava mais uma semana de trabalho na Europa. Indo a pé para a estação de trem, encontrei uma amiga.

É,  já estou assim, encontrando amigos pelo caminho. Ela trabalha com o Andrea, pára para me cumprimentar e me pergunta onde vou.

Vou para França ..... Estou na Europa !!!

P.S. Aqui se lê muito, mais muito mais do que em qualquer cidade brasileira. Os livros são muito mais baratos e as opções de comprar livro usados ou de trocar livros existem em quase todas as esquinas.

Esther Rapoport

Esther@dialog.tur.br

 www.dialog.tur.br

 

Vida Nova

Publicado em 30/03/2013

 

Eu quero uma vida nova.

Quero poder dizer adeus. Algumas pessoas se foram da minha vida, sem que eu tivesse me despedido. Quero dizer adeus a Wilson, amigo engraçado que se foi de repente, e me deixou sem sorrir durante um longo tempo... Wilson fez isto. Morreu. E mandou alguém me avisar por telefone. Dias antes estava comigo, brincando, me divertindo. Como pôde ter sido assim?

Quero dizer adeus à Madalena. Quero atender ao telefone naquele dia que ela me ligou, às vésperas de deixar o mundo, e eu não atendi. Quero saber o que ela me falaria. Quero pedir sua bênção, para continuar vivendo, mesmo com a saudade que não me deixa ter paz.

Eu quero uma vida nova. Aproveitaria ainda mais o tempo ao lado de Wilson e Madalena. Gargalharia com as histórias de um aventureiro, que veio ao mundo para vivê-lo, e aprenderia com as histórias de Madá, que veio ao mundo para que eu pudesse ser mais feliz.

Na minha vida nova, eu teria um sítio para acolher os animais que vagam abandonados nas ruas. Lá seria o céu – daria este nome ao sítio – já que dizem que no céu não há animais... Faria campanhas de preservação da natureza em tempo de ver bons resultados. Ensinaria às crianças que o que se planta hoje se colhe amanhã. Ensinaria aos adultos que vale a pena investir na semeadura, ainda que não estejamos vivos para testemunhar a colheita.

Preciso de uma vida nova. Quero dizer do meu amor para as pessoas que amo. Essa vida corrida que levo não tem me deixado fazer isto. Quero abraçar – muito! – para matar saudade, quero beijar, fazer carinho. Preciso escrever cartas, quero perfumá-las, para que seus destinatários fiquem com o aroma da lembrança do que é uma amizade verdadeira.

Uma nova vida para ajudar as pessoas que moram tão longe de mim e sofrem por carências materiais. O mínimo, eu não quero muito, mas uma vida nova me impulsionaria a largar tudo isto que vivo aqui, e sair mundo afora ajudando ao meu próximo.

Eu quero uma vida nova. Preciso pedir perdão a algumas pessoas por coisas que fiz, que disse, que pensei. Preciso perdoar algumas dores que sinto, que me deixam doente de vez em quando. Preciso falar mais verdades, mas preciso ser mais cuidadosa, e observar que nem todo mundo está preparado para ouvi-las. Preciso omitir certas opiniões, evitar brigas, desgastes, porque isto não leva a nada.

Quando se chega a querer uma vida nova, é porque já se sabe alguma coisa. Fico aqui, na frente, tentando alertar a Antônio do que é triste, do que é chato, do que faz mal. Mas ele cai do mesmo jeito, machuca o joelho, chora, sofre. Graças a Deus eu dou colo. Aqui em casa, quando ele chora, já vem “subindo” em mim. Depois do consolo, desce. Sempre me beija antes, e agradece, como se não fosse minha a total obrigação de amenizar o sofrimento dele...

Quero amenizar sofrimentos, na vida nova. Ter palavras certas para dizer, para que as lágrimas nos rostos de todas as pessoas cessem. É difícil chorar sozinho. Ninguém nunca se esquece do dia que chorou sozinho... Quero estar lá, no momento preciso, em que a primeira lágrima for derramada. Quero ser porto, ajuda, companhia, servidão.

Eu quero uma vida nova, mais próxima de Deus.

Quando se chega à metade da vida, se quer viver. Jovens não sabem de nada, crianças sabem menos ainda e, no entanto, são as crianças e os jovens que sabem viver: amam a vida, respiram cada minuto dela como se fosse o último. Riem-se de si mesmos, são alegria para quem está por perto. Quer vida melhor?

Se eu pudesse ter uma vida nova, afastaria os jovens das drogas. Dessa morte que convida a partir o nosso filho, nosso amigo, nosso vizinho. Que leva consigo as famílias, que desagrega, que torna dependente do inferno toda uma sociedade. E eu apresentaria a VIDA aos meninos e meninas que não experimentaram alegria diferente, e só conhecem o prazer dos cinco minutos de êxtase. Mostraria a eles que existe o circo, o parque, a arte, o livro, o sol, o mar, a natureza. Mostraria que existe o outro, o irmão, a palavra, o carinho. Mostraria que afeto existe, que é possível amar e ser amado. O amor cura, liberta, e nos livra dos vícios desde muito tempo atrás!...

A metade da vida é o sinal que se acende amarelo: ATENÇÃO!

Tudo o que fiz até aqui, está feito. Orgulho-me dos acertos, envergonho-me pelos erros. Mas com acertos e erros aprendo e, tendo aprendido, ensino. Hoje olho pra trás e tento lembrar-me dos sonhos que tinha ajoelhada aos pés da cama aos dezesseis anos. Sonhava em ser feliz. Tenho quarenta e quatro, sonho em ser feliz. Antônio já me é quase certeza de que sou, de que serei. Mas resta-me pouco tempo ao seu lado.

Todos os dias, quando saio de casa para trabalhar e pego a estrada, peço a Deus que me leve e me traga de volta. Mas não há um só dia em que, trocando uma estação do rádio do carro ou um CD, eu não pense em morrer num acidente. Sempre penso, não domino isto. E já não sei se é um alerta ou uma intuição.

E se um dia eu não voltar pra casa?

Deveríamos viver a vida inteira pensando nesta possibilidade, ainda que prefiramos não pensar nisto.

Um dia a gente não volta do trabalho, do passeio, da internação, do banho, do sono. E, no entanto, mesmo cientes disto, a gente perde tanto tempo com coisas que valem tão pouco, e adia pra muito depois o que realmente interessa.

Quero uma vida nova. Começar tudo de novo. Amar, acolher, saber retribuir na mesma medida o amor que recebo...

Minha vida nova começa agora. Já vivi quarenta e quatro anos. Se eu mudar minha vida e conseguir planejar meus outros quarenta e quatro, já valerá a pena.

Para quem sabe (re)viver, vida nova é todo dia!

Karla Pontes

karl.apontes@hotmail.com

Quanto custa viver?

Publicado em 23/03/2013

   Antônio está na praia, neste momento. Seu pai o levou. Trouxe para buscá-lo, um amiguinho. O menino escondeu-se no carro. E até agora está na minha memória o sorriso do meu filho ao ver o amigo surgir na janela.

Eu fiquei no portão até perder o carro de vista. Os dois no banco de trás, brincando, felizes, felizes!

Tenho estado pouco com Antônio. Trabalhando demais. E, por estar certa de que não sou a única, quis escrever uma pergunta que ando fazendo a mim mesma. Eu me faço perguntas demais, não consigo responder a todas. Quanto custa viver?

Estou na metade da vida. E confesso que é verdadeira aquela história de que quando se chega aos quarenta anos quer-se ter os dezoito de volta. Mas não os dezoito do viço. Os dezoito do futuro mais distante, da morte quase impossível.

Ontem soube da morte de Talita, uma pessoa que quando conheci só pude concluir uma coisa a respeito: amava viver. E aí fiquei pensando em como Talita deve ter ido embora insatisfeita! Mas ela já vivia seus oitenta anos, daí o desejo de prender-se à vida que se despedia dela.

Hoje deve ser o dia mais feliz da vida de Antônio. Crianças têm isto de bom, todos os dias são seus melhores dias. Crianças não planejam muito o amanhã, tampouco choram pelo ontem como os adultos. Crianças amam o dia de hoje. Antônio abriu as janelas do seu quarto e me disse que o dia estava lindo lá fora, enquanto eu abria as da sala e supunha que iria chover. Meu filho – Deus menino – é o meu otimismo, quando a vida me obriga a entristecer. Isto foi há algumas horas atrás. Olhando para o céu agora, vejo que o dia de Antônio venceu a batalha contra o meu, graças a Deus!

Eles estão por aqui por perto, mesmo. Na lagoa. Disseram que vão comer um churrasco num quiosque. Antônio saiu coberto de filtro solar, com um boné na cabeça e uma bola embaixo do braço. Eis o preço do dia mais feliz da sua vida...

Enquanto meu menino se diverte à custa de uns picolés e de um churrasquinho de beira de lagoa, eu aproveito o silêncio de casa para fazer as contas das despesas. Preciso saber se o dinheiro que tenho durará até o fim do mês. Preciso saber se conseguirei pagar as contas de luz e água antes do corte. Preciso renegociar a dívida do cartão de crédito, cuja fatura já venceu e eu não tive condições de pagar. Preciso ver se a quantidade de ração que há no pacote alimentará as cadelinhas até a semana que vem. Preciso de informações junto ao RH sobre a data do pagamento, para saber se vai dar para comprar o ovo de Páscoa dos Thundercats, que Antônio tanto quer! Pretendo passar o feriado em São Gonçalo, vou precisar ter dinheiro para o combustível e para os pedágios...

Às vezes – em muitas das vezes! – desisto de continuar. Papéis sobre a mesa da sala, calculadora, anotações, boletos bancários, carnê do carro, caneta, tudo aquilo misturado me dá sono. As contas não se encaixam, não cabem no total que acusa o saldo da conta corrente, e eu nunca sei como fazer. Junto tudo, guardo na gavetinha da cozinha e deito para dormir.

Lá fora me exigem comprar a bolsa e o sapato de marca. Exigem que eu não tenha cabelos brancos, muito menos crespos. Exigem que meu manequim seja trinta e oito. Lá fora eu não posso ter barriga protuberante, nem estrias, nem celulites. Não posso ter cravos nem espinhas, e tenho que me lembrar, quando vou à manicure, de que um dos dedos tem que ter a unha pintada numa cor diferente das demais. Quando me esqueço de alertar para este detalhe fico me punindo e, na rua, sempre acho que estão olhando para o meu anelar de forma discriminadora.

Quanto custa viver, verdadeiramente? Quanto me custaria estar lá, com Antônio, na lagoa? Quanto me custa caminhar com ele pela orla, levá-lo ao parquinho da praça?

Na metade da vida, o desejo de abandonar as ordens de lá de fora e viver e ser feliz. Viver como criança, como Antônio, que sente a mesma alegria se lhe presenteio com um boneco do Ben 10, ou com uma régua geométrica, ou com um bilhetinho dizendo “Te amo!”, ou com um abraço numa hora inesperada...

Para viver para “lá fora”, eu trabalho o dobro do que deveria. Mal vejo meu filho. E de nada adiantará preparar um futuro “mais confortável” ao lado dele, porque nada me certifica de que estaremos juntos nesse futuro. E, mesmo que estejamos já não estarei ao lado do meu menino, porque infelizmente sua infância está passando na mesma velocidade com que acelero o carro rumo ao trabalho.

Há cinco anos completei quarenta anos, e desde então estendi minhas mãos para o tempo. “Eis-me aqui!”, suplico todos os dias, implorando por um pouco mais de vida – de tempo de vida – porque Antônio não tem culpa se eu decidi ser mãe aos trinta e sete. Olho a vida agora e invejo a época em que tinha dezoito. Quero voltar, não há mais como. Queria estar com dezoito anos agora, para correr atrás de Antônio, para ser perseguida por ele, para ter juventude e energia o suficiente para acompanhá-lo. Vou querer ter os mesmos dezoito anos quando ele tiver também essa idade, para entender as suas dores da adolescência e ter, naquele vocabulário esquisito que se tem aos dezoito anos, a palavra certa para lhe fazer sorrir quando a tristeza vier lhe importunar.

Viver custa caro demais, demais! E a gente vai se entregando às exigências cada vez mais fúteis da vida sem se dar conta de que abrimos mão daquilo que nos é mais importante: o amor verdadeiro. A família, os amigos, nossos animais de estimação, o bem ao próximo.

Feliz de quem aprendeu a negar os apelos imundos do mundo ainda em tempo de viver bem. Feliz de quem se despede todos os dias da vida, com a mesma alegria com que os recebe. Não estamos nós, todos os dias, morrendo um pouquinho?

Imaginando um Antônio que chegará ao meu portão com bochechas avermelhadas que emolduram e embelezam – e eternizam! – ainda mais o seu sorriso, desejo que a mensagem deste texto de hoje penetre no coração do seu leitor como semente. Semente de uma vida melhor. De uma vida que caiba no bolso de todos aqueles que veem prioridade e relevância naquilo que lhes é mais sagrado – cada um tem a sua – daquilo que, justamente por isto, o mundo só quer afastar.

Quanto mais a gente paga para viver, mais se afasta do que é a vida. Está na hora de vivermos o gratuito: o sentimento, a acolhida, o fim de tarde, o nascer do sol, o plantio, a colheita, o sorriso, o afago, a palavra, a ajuda, o perdão, o afeto. Por isto não se paga nada. E só por isto se vem ao mundo. Só por isto se custa viver.

Karla Pontes

karl.apontes@hotmail.com

Entre dois mundos

Publicado em 19/03/2013

Sou formada em Historia, mas trabalho no turismo há mais de 30 anos. Em 2003 aceitei uma proposta de trabalho que mudaria bastante minha vida. Assinei contrato com uma operadora de turismo e passei a viajar muito, especialmente para a Europa, visitando novos clientes.

Assim, tive a oportunidade de conhecer muita gente, criar laços afetivos com pessoas em diferentes países e entender que as relações comerciais passam primeiro pelo filtro pessoal de cada um. E que as relações pessoais e afetivas se desenvolvem mais facilmente onde existem afinidades profissionais.

Entre uma feira e outra, entre um work shop e um sight inspection, entre Londres, Turin, Foz de Iguaçu, Quito, Rio de Janeiro, Berlim e Fernando de Noronha, conheci o Andrea, que embora tenha nome de menina, o que na Itália acontece com alguma frequência, trata-se de um rapaz, gerente de produtos de uma operadora de turismo italiana.

Nos aproximamos, piano, piano, primeiro no sentido bíblico, depois em todos os outros, expandindo a nossa primeira relação comercial em algo muito mais interessante e verdadeiro, mas sempre condicionado a algumas horas de voo.

Em Junho de 2009 fiz uma viagem à Europa um pouco mais longa, passando pela Holanda, França, Alemanha e Itália, e entendi que havia chegado o momento de fazer uma proposta ao meu chefe de me transferir parcialmente para a Europa, para poder desenvolver a relação com nossos clientes.

Não precisei de muito mais do que 10 minutos de exposição para ele concordar comigo e em Agosto de 2009 voltei para Torino para alugar um apartamento com o Andrea e organizar meu home-office.

De lá para cá estou dividindo meu tempo entre São Paulo e Turin, entre trabalho e vida pessoal, entre o conhecido e o inédito, entre os velhos amigos de lá e os novos amigos de cá, entre a saudade de casa e a saudade de casa, olhando meu entorno com mais curiosidade, com um olhar de estrangeira que consegue perceber as diferenças e comparar os modelos e, acima de tudo, enriquecendo a minha experiência de vida com tanta diversidade. 

E por isso escrevo. Para contar, lembrar e dividir com todos essa experiência de viver entre dois mundos.

Neste espaço quero registrar minhas descobertas e proponho um dialogo com quem quiser me acompanhar nesse percurso.

Por enquanto deixo aqui um abraço e nos veremos na próxima edição.

Esther Rapoport

esther@dialog.tur.br

Site/blog: www.dialog.tur.br

Uma rotina e tanto

Publicado em 17/03/2013

 
Maria acordou sobressaltada. O barulho do despertador a fez pular da cama. Certamente estava no melhor do seu sono...
 
Ligou o celular, confirmou a hora. Não tinha jeito, era hora de se levantar. Olhou João, que dormia. Sono pesado. A noite foi longa, o menino Pedro estava febril – garganta inflamada! – e João revezou com ela as idas ao quarto da criança.
 
Saiu do quarto tranquila: hoje João só trabalha à tarde e, como é dia dela dar aulas só pela manhã e à noite, Pedro estará bem, em casa.
 
Tomou seu banho, passou um café forte e açucarado, sentou por uns minutos à mesa da cozinha e, enquanto cortava o queijo relembrou os passos da aula de hoje.
 
Maria é professora de Língua Portuguesa. Ama o que faz. Pega sempre turmas que, a princípio, a escola toda chama de problemática: muita distorção idade/série, portanto, muitos alunos repetentes. “São muitas histórias para ouvir e aprender a viver”, diz ela, sempre que fazem careta quando ela explica seu trabalho.
 
Dá partida no carro e segue para a escola. Chega um pouquinho antes de o sinal tocar. Dá tempo de dizer “bom dia” a todos que estão pelo pátio e descansar da viagem de quarenta minutos e trânsito pesado. Algumas vezes acontece até de pegar no sono, porque debruça-se sobre a mesa da sala dos professores. Hoje é um dia em que Maria corre este risco, dada a noite que passou. Pensa nisto. E evita sentar-se. Olha o relógio, calcula o horário do remédio de Pedro. Lembra dele e de João. Seu corpo está na escola, enquanto o coração... Ah, esse veio pela metade!...
 
O sinal toca longamente. É sempre assim, as crianças parecem não ouvi-lo. Há sempre um inspetor de alunos que conduz os alunos para a forma: cara zangada, fria. Os meninos riem. Ele já não os convence mais, o Sr. José. Mas todo mundo obedece e as filas vão se formando perfeitas, dá gosto de ver.
 
Maria segura a mão de Inácio, o menorzinho da turma do sexto ano, o primeiro da fila, e segue para a sala de aula. Ela segura com firmeza e carinho. Descobriu dia desses que Inácio não recebe carinhos em casa. Criado pela avó paterna – que o faz por “desencargo de consciência”, como ela mesma confessou muito rispidamente a Maria – não conheceu a mãe, nem o pai. Soube, pela avó, que os dois se separaram quando ele ainda era um bebê, casaram-se de novo, formaram novas famílias e ninguém quis ficar com ele. Inácio repetiu o ano. Tem a idade de Pedro, seu filho. E Maria ama Inácio.
 
Findada a manhã, Maria se aproxima da porta para esperar o sinal de saída tocar. Ela se despede de cada um da turma do nono ano, onde ministra as duas últimas aulas do turno. Passa a mão carinhosamente na cabeça dos rapagões e das moças. Naquela sala há uma menina grávida, a Marcela. E Marcela já disse a Maria que se o bebê for homem irá chamá-lo de Pedro. Uma homenagem ao tanto de histórias que já ouviu Maria contar sobre o seu menino, durante as aulas de Português. Quando passa pela porta, Marcela recebe um carinho especial na cabeça, e outro na barriga. Maria ama Marcela, e já ama o novo Pedro, também.
 
Despede-se de todos, apaga o quadro, percebe que passou dever demais. Sorri sozinha. Ainda lhe restam trinta minutos. Senta-se, corrige algumas atividades. Separa as folhas de quem errou muita coisa. Fará uma revisão na próxima aula. Hoje Maria não esteve inteira na sala, e ela reconhece que pode ter prejudicado, com isto, a aprendizagem dos alunos. Liga para João e avisa que em quarenta minutos estará em casa. Ela sempre chega em quarenta minutos. Ele sempre sabe. Mas ela sempre liga. Fica esperando o “vem com Deus”, dele.
 
Chega a casa, beija Pedro. João espera sua vez. Pedro agora é o primeiro a receber os carinhos daquela mulher que já foi sua esposa, mas há dez anos é mãe. E reconhece seu lugar “na fila”. Maria o abraça, sente-se menos cansada da viagem dentro dos braços de João. Sentam-se para almoçar, já está tudo preparado. É o que cabe a João quando ele só trabalha à tarde: organizar o almoço.
 
Percebendo Pedro melhor, é hora da refeição. João conta como passaram a manhã, Pedro conta sobre um livro que leu, Maria conta sobre o dia na escola. Fala sobre Inácio e sobre Marcela, marido e filho já sabem. Todos muito preocupados com o que será do futuro do menino – aquela vida tão sofrida! – e com o que será do bebê da adolescente. Ninguém sabe quem é o pai da criança...
 
A conversa flui naturalmente. Até que João avisa que está na hora de ir trabalhar. Pede as chaves do carro a Maria, que o alerta sobre um barulho diferente no motor. Ele ri. “O problema está entre o banco e o volante”, faz a piada de todos os dias, beija Pedro e Maria – exatamente nessa ordem, também – e deixa a casa.
 
João é professor de Matemática e ama o que faz. Trabalha numa escola mais próxima. Particular. E enquanto espera a chamada do concurso público da cidade onde moram, dá aulas particulares de Matemática e Física nos fins de semana. João e Maria querem comprar uma casa. Estão juntando dinheiro.
 
Maria recolhe a louça e segue para a pia. Pedro hoje não vai à escola, ainda não está bem. Volta para a cama e liga a televisão. Mas acaba adormecendo.
 
Ela volta da cozinha com a toalha de pratos ainda nas mãos e olha seu menino. Fecha as cortinas do quarto, desliga a TV, ajeita-lhe o travesseiro e o lençol. Encosta a porta. Vai para a sala de estar com seu material preparar a aula da noite. Hoje dará aulas de produção textual para seus alunos da EJA. Prepara a melhor aula que pode.
 
Quando João chega, Maria e Pedro já estão lanchando. Conversam rapidamente sobre o dia de trabalho dele. Maria pega a bicicleta – agora a escola fica há dois quarteirões da sua rua – e vai ao encontro dos seus senhores, que a recebem no portão, carregam sua bolsa, seus livros, lhe trazem frutas e verduras. Certa vez Maria ganhou de um deles uma galinha da roça! Maria se diverte, é uma noite feliz. A aula acaba e ninguém quer ir embora, mas o ônibus chega, carrega todo mundo e sai, levantando poeira.
 
O caminho de volta Maria faz em oração. Agradece a Deus pelo seu trabalho, pelos seus alunos, pela família linda que tem. Agradece porque a febre de Pedro cessou, agradece porque ama a sua profissão. E pede a Deus que o seu dia de amanhã seja, da mesma forma, abençoado.
 
Entra em casa sem fazer barulho. Os dois já estão dormindo. Toma um banho quente e, antes de deitar-se ao lado de João, confere se o despertador está acionado. Amanhã a rotina será a mesma, naquela família. Uma rotina e tanto!

Karla Pontes

karl.apontes@hotmail.com

Procura-se uma escola

Publicado em 09/03/2013
(Algum tempo depois de escrever o texto sobre a experiência de meu pai com a Escola eu escrevi sobre as lembranças de minha mãe sobre o seu tempo de estudante. O texto é romântico - porque é muito pessoal - mas oportuniza a reflexão responsável sobre o que estamos fazendo com a Escola dos dias de hoje. Na minha opinião, as coisas não mudaram muito...)


 

Eu quero encontrar a Escola em que minha mãe acredita.
Toda vez que escolhia o arroz para o almoço minha mãe me contava histórias sobre o seu tempo de estudante. E era com tanto orgulho que o fazia! Eu quero saber onde essa Escola está.
Na memória da minha mãe ficou tudo, apesar de sua passagem tão efêmera por lá. E até hoje seus olhos ficam cheios de emoção quando se lembra do lugar em que há tantos anos passou tão pouco tempo de sua vida. Que estada marcante!
Minha mãe se lembra de que as suas Professoras se vestiam bem, andavam sempre perfumadas e arrumadas. Eram carinhosas e atenciosas com seus alunos. Perguntavam-lhes por que faltavam às aulas, deixavam os alunos mais bagunceiros “tomando conta da turma” quando precisavam se ausentar. Ensinavam-lhes bordado, desenho, e sempre elogiavam os alunos, até mesmo aqueles que não tinham muitos dons. Falavam o Português correto, e sabiam explicar o motivo pelo qual uma palavra se escrevia com “x” e não com “ch”.
Da turma da minha mãe alguns meninos tornaram-se médicos. Um deles cheguei a conhecer. Sua mãe vendia empadas para lhe custear os estudos.
Mas naquela Escola tão perfeita não havia lugar para a minha mãe. Na casa dela eram todos muito pobres (minha mãe era a caçula de cinco!) e ela sempre dizia que enquanto a Professora dava aulas ela ficava tentando imaginar um jeito de ganhar um dinheirinho para ajudar a minha avó: primeiro tentou vender os desenhos que aprendera a fazer nos azulejos, depois começou a fazer umas trancinhas de couro para uma fábrica de sandálias que pagava por produção. Outra vez tomou conta de um bebezinho para uma vizinha. E chegar em casa com dinheiro foi ficando bom, e poder ganhar mais significava ter que sair da Escola, e na hora de optar, diante do convite para trabalhar no balcão da farmácia do bairro não houve muita dúvida: já naquele tempo a Escola perdia a concorrência para o mundo “lá fora”...
Era trabalhar o dia inteiro e dar todo dinheiro na mão da minha avó no final do mês. Minha mãe tinha quatorze anos nesta época. Caminhava um “pedação” para economizar o dinheiro do bonde para ajudar em casa. E nunca mais voltou para a Escola.
Ela conta isto com orgulho, mas desconhece algumas coisas que, por eu ter avançado um pouco mais (nos estudos, não na sabedoria), percebo. Minha mãe ficou com o desejo de fazer Faculdade de Farmácia escondido no coração. Ela própria manipulou muitos remédios, anotava as bulas no Livrão, mas não pôde ir além. Pôs a culpa no cansaço do trabalho, depois no casamento, depois nos filhos, depois na idade.
A Escola que separou meu pai dos seus sonhos fez o mesmo com a minha mãe. Mas o fez de maneira tão capciosa que ela nem se deu conta. E nos criou nos obrigando a estudar, nos dizendo que só a Escola dá futuro, que quem não estuda não é nada na vida. Minha mãe é tudo na vida: batalhadora, inteligente, honesta, segura, cautelosa, organizada, precavida. Minha mãe é tudo na minha vida também. E na vida da minha irmã, tenho certeza.
Eu aprendi que há algo de bom na Escola com a minha mãe. Fui buscar lá aquilo tudo o que minha mãe contava enquanto escolhia o arroz: primeiro estudando, depois trabalhando, e ainda busco. Estou procurando a Escola em que minha mãe acredita até hoje, mas não encontrei. E olha que ela ainda acredita: está orgulhosa de mim, porque serei Diretora de Escola em breve.
O tempo passou e hoje eu tenho um filho, mas não escolho arroz. Um bom motivo pra eu não ter que contar pra Antônio sobre a Escola do meu tempo. Só espero que ter passado tanto tempo dentro de uma Escola não tenha feito com que eu me desviasse dos bons valores que minha mãe me ensinou, e que eu saiba passá-los para meu filho, sem vícios. Admiro minha mãe pelo que ela foi e ainda é. E sinto muito pela Escola que não a convenceu a ficar. Dona Vanda hoje seria uma excelente farmacêutica. Quem foi que saiu perdendo?
 
Karla Pontes
karl.apontes@hotmail.com

 

Meu pai que a escola excluiu

Publicado em 06/03/2013

(Já faz tempo que escrevo coisas sobre educação, meu "palco" de trabalho... São muitas as aflições... Hoje postei um texto de 2005. Nele falo sobre o meu pai e seus múltiplos saberes que a Escola desprezou. Alguns amigos já o conhecem...)
 


Na tarde de sábado passado dei um cordãozinho com dois nós na corrente para o meu pai desatar. Quando ele vem me visitar sempre encontra uma lista de coisas para fazer.
Estou aqui me lembrando da figura do meu pai à mesa da cozinha: cabeça baixa, concentrado, com uma agulha nas mãos e o meu cordão. Os dedos grossos mal conseguiam acertar os furinhos da corrente. As mãos trêmulas... Mas meu pai jamais me diria que não conseguiria.
Mãos grossas e unhas pretas. Meu pai foi mecânico. “Médico de carros”, diz ele toda vez que fala sobre o que se tornou quando a Escola lhe negou o sonho de ser médico.
Meu pai repetiu algumas vezes os anos de escola, e ao chegar à quarta série tinha muito o que fazer fora dela. Dono de um Cicle, meu avô precisava também dele para seguir com o trabalho. E a alegria de trabalhar com os irmãos e o pai e de logo aprender o prazer da motocicleta e, depois, do automóvel, não concorreu com a tristeza das notas baixas e dos evidenciados erros de português.
Só que alguma coisa de errado aconteceu nessa história. Foi meu pai quem tudo me ensinou nos meus anos de estudante. Desde aprender a ler e escrever (eu aprendi antes de entrar na escola) até as provas de geografia, física e história. Ah, lembro-me também de que foi ele quem me ensinou os advérbios de tempo, modo, lugar... E se foi por ele que aprendi o malabarismo de não deixar a escola negar os meus sonhos, como pode ele não ter chegado lá?
Eu acredito que, como diz Victor Paro, nós aprendemos apesar da escola, e não por causa dela. Meu pai hoje é um senhor de setenta e um anos. Inteligente, educado, íntegro, justo, honesto. Dono de valores que não aprendeu na escola e vejo muito pouco, hoje, a escola ensinar. Escreveu algumas palavras de forma errada. Desrespeitou alguns sinais de pontuação. Talvez não tenha respondido a tabuada na ponta da língua. E, por isso, recebeu da escola o pior castigo: a exclusão. Até hoje meu pai se lamenta de não ter seguido os estudos. Culpa-se.
Não sabe o meu pai o quanto é superior a tantos de nós, educadores, graduados. O quanto já era superior aos seus próprios professores. Tão menino e profundo conhecedor das traquinagens das bicicletas, motocicletas, automóveis. Meu pai sabe tudo: pinta, desenha, planta, canta, constrói, cozinha, costura, conserta, dirige. E sua escola não se curvou aos seus saberes. Muito pelo contrário: esticou-se tanto, tanto, que ele não conseguiu alcançá-la.
Alguns dirão: “pobre desse homem”. Pois insisto em dizer: pobre da escola de ontem que deixou nossos pais, avós e bisavós sem aquele maldito papel que legitima o saber que ela pensa que detém enquanto renega os muitos, tantos de seus educandos. E infinitas vezes mais pobre da escola de hoje, que ainda o faz.
Voltando à cena do cordão, depois de alguns minutos meu pai o entregou pra mim. Os nós? Desfeitos, revelando mais uma de suas tão desprezadas habilidades.

Karla Pontes

karl.apontes@hotmail.com