Palavra de Mestre

Implicações Pedagógicas da Música e Inclusão no Currículo da Educação Infantil

Publicado em 05/03/2017

A educação é um processo global, progressivo e contínuo, que envolve diversas táticas e métodos para sua aprendizagem. Na escola, a música pode ser utilizada para desenvolver a percepção, a coordenação motora, a memorização, o pensamento crítico, enfim, o cotidiano escolar pode ser envolvido por música em diversas situações para que se torne uma atividade prazerosa.

 

3.1 - O desenvolvimento que a música proporciona à criança

Verifica-se que por meio da música, haverá a oportunidade de a criança ter uma formação musical, preservando a cultura de nosso País, e conhecendo também outras culturas.

Contudo a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Pode-se entender que o processo e crescimento de uma criança estão além de seus aspectos físicos ou intelectuais. Esse processo envolve o amadurecimento afetivo, social e cognitivo, e através desta, as habilidades e a sensibilidade dos alunos podem ser reconhecidas e reveladas.

Nota-se que a música possibilita uma diversidade de estímulos quando a criança tem a prática musical, seja ela com instrumentos ou sem: tem caráter relaxante, estimula a absorção de informações, raciocínio lógico, memória, ou seja, a aprendizagem.

Para PENNA (2001, p.2), essa concepção do ensino de música “é bem direcionada, uma vez que consideramos que a função da educação musical na escola de ensino fundamental é ampliar o universo musical do aluno”. A música nos primeiros anos de vida fundamenta-se no estímulo-sensação, que vai resultar numa resposta motora.

Observa-se outro campo de desenvolvimento que é a afetividade humana. Em um artigo publicado na Revista da UFG (2004), Monique Andreis Nogueira relata que em pesquisas realizadas comprovam-se que os bebês permanecem calmos quando expostos a músicas serenas. Por outro lado, dependendo da aceleração da música, ficam mais alerta.

Ela relata que nossas avós sabiam que colocar o neném do lado esquerdo, junto ao peito, deixava-o mais calmo. A explicação científica é que, nessa posição, ele sente a batida do coração de quem o está segurando, pois parece muito com o som que ouvia no útero da mãe, quando estava na barriga.

A música tem sido apontada como uma área de conhecimento mais importante a ser trabalhada na Educação Infantil, ao lado da linguagem oral e escrita, do movimento, da arte.

Monique ainda explica que em hospitais, utiliza a música como elemento fundamental para o controle da ansiedade de pacientes. Esse método surgiu na II Guerra Mundial, quando músicos foram contratados para ajudar na recuperação de veteranos de guerra nos hospitais. Pode-se dizer que esse foi um grande impulso para a criação da musicoterapia, que hoje está cada vez mais comum.

A música também causa efeitos na maturação social e individual da criança. Ao brincar, a criança tem a oportunidade de vivenciar de forma lúdica regras sociais, situações de perda, escolha, decepção, dúvida e afirmação. As cantigas de roda é um exemplo claro.

Essas cantigas que são passadas através das gerações, tratam de temas que a criança enfrentará no futuro, falam de amor, disputa, trabalho, tristezas, etc. São experiências que os brinquedos eletrônicos não podem proporcionar.

Nota-se que nas atividades musicais, exemplo o canto, a criança aprende elementos que farão parte da sua integração social, pois, ao cantar ou tocar em conjunto, ela irá sentir a necessidade de cooperação e respeito ao próximo, tendo o aprendizado de que cada pessoa precisa colaborar individualmente, e de que todos precisam trabalhar em harmonia. Em relação ao repertório musical, ao ser trabalhado as músicas folclóricas, terão a consciência do grupo que pertence, facilitando sua integração social em outras comunidades.

Constata-se outro desenvolvimento, que é o motor, onde predomina o aspecto movimento. Por meio do movimento rítmico-musical, o controle da motricidade acontece de forma natural e precisa, envolvendo a expressão corporal. Isso pode ser trabalhado através da dança, do cantar, do mover-se e do tocar instrumentos, pois a música se comunica por meio do corpo todo.

Outro grande objetivo ao se trabalhar a música é o aprender a ouvir. Ele desenvolve a atenção auditiva e aumenta as capacidades de concentração e memória. Por meio da escuta, a criança passa a perceber todos os aspectos da música, ritmo, melodia, textura, forma, estilo, entre outros. Quando a criança aprende a ouvir, não apresentará níveis tão altos de dispersão e desinteresse, afinal, já estará adquirindo o hábito de estar atenta. O trabalho com musicalização infantil na escola é um poderoso instrumento que desenvolve, além da sensibilidade à música, fatores como: concentração, memória, coordenação motora, socialização, acuidade auditiva e disciplina.

 

Ligar a música e o movimento, utilizando a dança ou a expressão corporal, pode contribuir para que algumas crianças, em situação difícil na escola, possam se adaptar (inibição psicomotora, debilidade psicomotora, instabilidade psicomotora, etc.). Por isso é tão importante a escola se tornar um ambiente alegre, favorável ao desenvolvimento. (BARRETO, 2000, p.45).

 

 

A escola necessita que se prepare para as aulas de música um espaço livre para a movimentação corporal, para a utilização de instrumentos e de outros objetos.

 

3.2 – Do cantar ao escrever

 

No cotidiano escolar a música vem sendo utilizada como prática pedagógica para alfabetizar as crianças. Atividades musicais levam à escrita e a leitura. O repertório musical ainda é restrito e pouco ampliado pelos professores, e merece inovação nesse sentido.

De acordo com Carvalho (2004) o cotidiano escolar é envolvido por atividades que são motivadas pela música em que os alunos desenvolvem a escrita. Inicialmente, cantam, dançam, dramatizam a música que lhes é apresentada. Depois, a professora regente pode lançar o desafio de as crianças realizarem o registro da letra da música.

Nesse estudo será citada a música “De olhos vermelhos” para a reflexão da aprendizagem por meio da música na escola infantil.

 

DE OLHOS VERMELHOS

 

De olhos vermelhos

De pelos branquinhos

De pulo bem leve

Eu sou o coelhinho

Sou muito assustado

Porém sou guloso

Por uma cenoura

Já fico manhoso

 

Eu pulo pro lado

Eu pulo pra trás

Dou mil cambalhotas

Sou forte demais

Comi uma cenoura

Com casca e tudo

Tão grande ela era...

Fiquei barrigudo!!!

 

Essa música é uma de muitas que são utilizadas na aprendizagem da escrita e da interpretação de texto. Para ela foi criada uma coreografia própria que envolve as crianças, trabalhando a coordenação motora, a memória, lateralidade, esquema corporal, expressividade e a criatividade. Por meio desta música podem ser trabalhados os animais, as cores, a noção de número, a alimentação, a páscoa. Por meio do esquema corporal a criança pode apontar partes do corpo, como os olhos. Desse modo, pode criar uma imagem corporal, conhecer suas possibilidades físicas, suas singularidades.

Outro ponto é a orientação espacial: em cima/em baixo, um lado/outro lado, frente/atrás. Nessa dinâmica as crianças assumem situações concretas do seu cotidiano. À imitação dos gestos e do salto que a letra da música sugere não chegam a se constituir em uma oportunidade para a construção das relações espaciais, apenas serve de noção que posteriormente, pode ser trabalhada. Quanto à expressividade, no caso de gestos prontos a serem imitados, não possibilita desenvolver a expressão, puramente. O conteúdo, animais, pode a partir dessa música trabalhar o coelho, seu habitat, sua alimentação, dentre outras características. Os números, as cores podem também ser trabalhados, noção de mais e menos, muito e pouco.

Na prática docente deve haver consciência de como utilizar a música para o desenvolvimento de atividades que despertem a criatividade, o interesse, a motivação para a escrita, para conhecer o significado de cada estrofe, de cada palavra da música.

No caso da música “De olhos vermelhos”, geralmente utilizada para a páscoa, a maioria dos docentes não a utilizam apenas para retratar a época pascal, não utilizam a riqueza que envolve esta simples cantiga.

Paulete Dias D. de Carvalho (2004) relata sua experiência com uma música que utilizou para desenvolver a escrita em seus alunos. Narra a psicopedagoga, que desenvolveu algumas atividades relacionadas a música “Dona árvore”. Inicialmente, pediu aos alunos que escrevessem em tiras o nome das partes de uma arvore: galhos, tronco, folha, fruto, flor e raiz. Após terminarem, outro desafio foi lançado. Montar no cartaz das palavras seguindo a ordem em que elas apareciam na música. Em seguida, ilustrar o trabalho. Cantando as crianças desenharam na cartolina. Em outro momento, a professora gravou as crianças cantando, que ficaram maravilhadas ao ouvirem suas vozes. Depois registraram a música em seus cadernos e por fim a professora tirou uma foto para marcar o momento. A atividade durou alguns dias e as crianças estavam o tempo todo motivadas, pois foi respeitada sua criatividade, seu interesse, e aprenderam muito.

Esse relato mostra a atuação de uma professora que pensa em um novo modelo de aprendizagem, o qual a criança participa e transforma sua realidade, consegue captar o tema com mais facilidade.

Essa deve ser a proposta para a escola atualmente, pois as crianças precisam sentir-se motivadas ao conhecimento, por isso a música é entendida como o melhor caminho. Por meio dela é possível desenvolver diversas atividades, e cada qual com um teor diferenciado causando sempre um novo impacto para manter a motivação.

 

3.3 – Brincando e aprendendo

A música tem forte ligação com a brincadeira. Desse modo, existem muitas possibilidades que podem ser inseridas no ambiente escolar, desde a simples apreciação de uma música, como sua interpretação, improvisar músicas, compor, fazer registro dos sons, das letras, criar, construção de instrumentos musicais, realização de jogos e brincadeiras com música. Por meio dessas atividades a criança pode entender aspectos musicais essenciais: as diferentes qualidades do som, o valor expressivo do silêncio, a necessidade de organizar os materiais sonoros, a vivencia do pulso, do ritmo, a criação e reprodução de melodias, dentre outros, que desenvolve a expressão musical de cada um. (BRITO, 1998).

Os jogos musicais improvisados podem ser usados como forma de despertar a criatividade, deixando as crianças sentir o som dos instrumentos musicais e desenvolver sons e ritmos, canções, acompanhamentos livres de regras, para depois incentivá-las a conhecer a seqüência de uma escala sonora, alguns ritmos e sons que podem ser reproduzidos pelos instrumentos que elas estão manuseando, assim, é possível desenvolver atividades agradáveis e envolventes que levam as crianças a pensar, criar, desenvolver seu raciocínio lógico, atenção, memória sonora, dentre outros.

Por outro prisma, a música possui propriedades como: revelar os princípios morais, organizacionais e culturais das sociedades. Envolve os alunos emocionalmente, desperta o interesse deles, pois, por meio da música é possível viajar no tempo e no espaço, visualizar situações, estimular a criatividade e capacidade de expressão (SILVA; CUNHA; RIBEIRO, 2004).

Além de brincar de roda, cantar, bater palmas, pode-se também desenvolver atividades com objetos sonoros para a construção da percepção visual e tátil, bem como, deve ser lembrada a construção de um conhecimento a partir daquilo que se ouve. Por exemplo, o estalo da língua. É uma experiência concreta para a criança essa análise. Objetos que emitem sons, instrumentos musicais improvisados, podem ser usados em atividades que envolvam agrupar sons ou separá-los, classificar e seriar.

A música pode ser trabalhada também em conteúdos de história, matemática, e demais matérias. A partir de músicas populares brasileiras, o docente pode desenvolver atividades explorando sobre o folclore, biografia dos compositores, cultura popular, visão social dentro do contexto histórico, conhecer os símbolos nacionais, e assim sucessivamente, ou seja, de acordo com a temática da música escolhida o docente cria atividades e elabora a exploração do conhecimento dentro de cada disciplina (SILVA; CUNHA; RIBEIRO, 2004).

Nesse sentido, Sônia Fiuza da Rocha Castilho sugere:

a)           Procurar em enciclopédias o país em que nasceu determinado compositor e tentar localizar sua cidade natal nos mapas ou globos;

b)           Pesquisar sobre a época em que o compositor viveu: costumes, vestuário, acontecimentos importantes, regimes de governo, política, reivindicações sociais;

c)           Descrever os próprios sentimentos ao ouvir cada peça, verbalizando-os para os colegas;

d)           Identificar o tema musical de um personagem;

e)           Pesquisar sobre os instrumentos musicais que integram a orquestra ou que são solistas em determinada peça;

f)            Entrevistar músicos da localidade para que falem sobre a profissão ou mostrem sua arte, tocando o instrumento a que se dedicam;

g)           Procurar versões diferentes sobre o como que serviu de base para a composição musical;

h)           Recontar uma dessas versões para os colegas;

i)             Interpretar por meio de desenhos, as idéias sugeridas pela música;

j)             Dramatizar ou fazer pantomimas com base nas ações dos personagens;

k)           Cantarolar as melodias que oferecem maior facilidade para imitação;

l)             Acompanhar com palmas ou batendo os pés as partes ritmadas;

m)          Pesquisar sobre as danças de antigamente (valsa, mazurca, polca e outras).

 

As sugestões da autora são bastante pertinentes, tendo em vista que, todas essas atividades podem ser implantadas no cotidiano escolar ampliando as técnicas de aprendizagem e utilizando a música como principal fonte de estudos.

Por outro lado, as crianças deviam conhecer a música como uma atividade mais aprofundada, como matéria específica. A música como disciplina pode promover na criança um interesse ainda maior sobre os sons, os ritmos, enfim, como matéria curricular a música seria o apoio mais apropriado para as demais matérias.

Giovana Girardi (2004) aponta o certo e o errado na iniciação musical. Segundo relata, para uma orquestra afinada, é preciso:

a)   Cantar muito, variar o repertório;

b)   Brincar de roda: é uma forma divertida de fazer a criança cantar;

c)    Assistir a filmes: neles as crianças conhecem diversos sons;

d)   Contar histórias: as crianças gostam de ouvir, de contar e cantar histórias;

e)   Bater bola: como no basquete, desenvolve o ritmo;

f)     Adivinhar: guardar objetos com sons diferentes dentro de uma caixa, sinos, chocalhos, apitos, reco-reco, latas, flauta. Faça a brincadeira, vendando os olhos para eles reconhecerem os sons;

g)   Pular corda: desenvolve o tempo rítmico;

h)   Construir objetos sonoros: criar instrumentos a partir de sucata, para as crianças conhecer diversos sons;

i)     Tocar flauta doce: fácil de ser dominado e pode se aprender música rapidamente.

Desse modo, a música pode ser implantada de diversas formas no cotidiano das crianças, inclusive como disciplina curricular. A música contribui para o planejamento das aulas, enriquece a aprendizagem, e não deve ficar restrita a eventos, como festas, deve se tornar uma prática diária.

A exemplo disso, a professora musical, Myrna Oliveira (2006), desenvolve um trabalho de musicalização com crianças da Educação Infantil ao Ensino Fundamental I. realiza audições, análise, composição, apreciação, em diferentes níveis, de acordo com as capacidades e habilidades de cada faixa etária. Toma por base o método de Edgard Willems, que divide em: experimentação, verbalização e registro. Assim, os pequeninos manipulam objetos sonoros diversos. As crianças da 3ª e 4ª séries fazem atividades com exercícios e canções, organizando arranjos experimentando o fazer musical. A metodologia muda a todo instante adaptando-se a necessidade do momento.

 

 

 

Professor Marcos Leonardo de Souza

 

> Formado em Música (EMB) Escola de Música de Brasília 

> Pedagogo, pós-graduado em Psicopedagogia e Educação musical.

> Professor de Música desde 2000

> Membro da (ULA) União Literária de Anápolis 

> Membro da (ALBA) Academia de Letras do Brasil - Seccional Anápolis - Cadeira 23. 

> Idealizador e coordenador do projeto (Reciclar e Tocar)

> Coordenador do Instituto de Música e Pedagogia.  

> Educador Musical

 

Livros e métodos publicados.

 

> A Orquestra da Floresta Real - Literatura Infantil 

> Princípios Pedagógicos da Musicalização Infantil

> Música e Bem estar

> Musicalização Infantil 1,2,3,4,5,6,7,8,9

> Teoria Musical e Violão para iniciantes

> Flauta Doce (Método de ensino para crianças)

> Vamos Colorir (Infantil)

 

http://institutodemusicaepedagogia.blogspot.com.br/

http://projetoreciclaretocar.blogspot.com.br/

 

 

 

Educar e Formar

Publicado em 28/10/2016

Nos últimos anos tenho acompanhado com absoluto assombro e indignação o que está acontecendo na educação pública brasileira. E minha indignação se deve principalmente ao fato de eu ser MÃE, além de professora. Eu me preocupo muito com o futuro que este país reserva às crianças de hoje, porque ele não me parece bom... E me incomoda profundamente que tal estado de coisas conte com o endosso ou a omissão de profissionais da área, justamente daqueles que passam a vida a pregar que a função da educação é promover o desenvolvimento de “cidadãos socialmente críticos e atuantes”...

Eu não entendo como se pode achar que a questão ideológica “esquerda/direita” não é relevante para a educação e para o futuro de nossos filhos. Hoje eu vejo que o estudo dos VALORES pregados pelo pensamento conservador versus progressista é á coisa mais relevante para nós, profissionais da educação, para que entendamos, REALMENTE, nosso papel de professores e profissionais da educação.

E não se trata de aderir a uma patota/grupo/tribo apenas por uma simpatia e afinidade superficiais em relação a determinada ideologia. Trata-se, antes de tudo, de se ANALISAR detalhadamente as ideias. Trata-se de VERIFICAR SUA PLAUSIBILIDADE E CORRESPONDÊNCIA COM OS FATOS HISTÓRICOS. Trata-se de CORRELACIONAR TAIS IDEIAS ÀS NOVAS DESCOBERTAS SOBRE A NATUREZA HUMANA, advindas das NOVAS CIÊNCIAS DO CÉREBRO E DO COMPORTAMENTO HUMANO. Trata-se, principalmente, de APRENDER COM OS ERROS e, principalmente com as EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS.

Como amante da Ciência, do Método Científico, do Pensamento Científico, eu sempre sou atraída por resultados de pesquisas empíricas, dados, análise de fatos que são (ou foram), inclusive, reproduzíveis (nesse caso, que foram reproduzidos, espontaneamente, em diversos países do mundo, pelos governos socialistas e comunistas de um lado, e capitalistas conservadores de outro...).

Pais, mães, professores não podem permanecer omissos em suas zonas de conforto, evitando a guerra ideológica do mundo atual, como se suas vidas e escolhas particulares, de alguma forma, não fossem influenciar o futuro de seus filhos, o futuro da SOCIEDADE em que seus filhos viverão!

Por mais que desejemos que a vida e o futuro de nossos filhos sejam apenas condicionados por nossas ações imediatas, temos que aceitar o fato de que o futuro deles dependerá, também e talvez muito mais, das circunstâncias da sociedade brasileira no futuro. Circunstâncias que estão sendo plantadas e cultivadas hoje, por meio da atuação de políticos, legisladores e “educadores” progressistas...

No caso de professores, principalmente os universitários, é ainda mais preocupante o desinteresse político-ideológico. Afinal, professores FORMAM os profissionais que, por sua vez, FORMARÃO as pessoas que, por sua vez, constituirão a sociedade em que nossos filhos viverão.

Portanto, nós, da educação, temos INTEIRA responsabilidade sim, pois se formamos pessoas e profissionais, significa que, em certa medida, nós CONDICIONAMOS A VISÃO DE MUNDO dessas pessoas, bem como sua VISÃO DE EDUCAÇÃO.

Eu lamento muito que a maioria dos professores não leia, embora ache que sim... Porque leem apenas os autores de sua área (no caso, a educação), não significa que possuem elementos para fazer a “leitura do mundo”! Ler e conhecer realmente os assuntos significa ter e conhecer coisas de áreas diferentes.

Não é mais possível, hoje, permanecer lendo apenas os dinossauros da educação do século XX! E é exatamente isso que eu constato quando leio, inclusive, qualquer tipo de argumentação de professores e afins....

Hoje qualquer profissional da educação também deve ler muito sobre economia, política (todos os vieses) e, principalmente, ciência e neurociência da aprendizagem.

O mundo mudou, não é isso que se prega tanto?! Pois é! Mas o que vejo é a imensa maioria de profissionais da educação apenas REPRODUZINDO o que leu na faculdade... Sem tirar nem pôr uma vírgula... Prega-se a autonomia de pensamento, mas se esquece de que, para ser autônomo, é necessário vencer a apatia mental e correr atrás de todo tipo de conhecimento possível. Não só daquele que é bonitinho e fácil de ler... Tal como os alunos, muitos de nós se acomodam. Leem coisas que acham lindas, adotam aquele discurso simpático/salvador/milagroso e o saem repetindo a Deus e ao mundo...

Não gosto desse comportamento intelectual raso. Não em pessoas que não estão mais na base da educação, mas no topo. Não gosto quando vejo “profissionais” que continuam confortavelmente reproduzindo aquilo que aprenderam lá na década de 70/80, ainda que a HISTÓRIA tenha acumulado EVIDÊNCIAS de que seus pressupostos teóricos estão errados (na educação e na sociedade)! Eu acho que são, no mínimo, desonestos intelectualmente.

Em relação ao aspecto POLÍTICO, eu não tenho partido (nem jamais terei!), ou tampouco tenho ideologia de estimação (nem mesmo a direita conservadora!). Se hoje eu acredito que a esquerda progressista deve ser eliminada da política brasileira e, principalmente, da educação, é porque fiz um esforço imenso para entender todas as facetas da guerra ideológica esquerda/direita, inclusive relacionando os impactos dos discursos progressistas na educação (que acabaram, inclusive, com as condições do trabalho docente).

Por outro lado, isso não significa que eu acredite que sociedades baseadas no pensamento conservador de direita são perfeitas. Queiramos ou não, perfeição e igualdade não existem.

E, se eu viver para ver os valores do conservadorismo destruindo a dignidade das pessoas e instaurando o caos social em diversas partes do mundo (como eu vi acontecer com os ideais da esquerda progressista, depois de ter passado a juventude e a vida adulta crendo neles), eu vou criticá-los também.

Simone Benedetti
Professora da Rede municipal de Itatiba
Autora de “A dignidade ultrajada: ser professor do ensino público nos dias atuais. RJ: Barra Livros, 2013.

Doar-se

Publicado em 17/07/2015

Uma escolha simples que pode fazer a diferença. 
Doar-se é uma decisão de ajudar. 
Desejo voluntario, entrega gratuita 
do melhor que podemos dar.
Ato de generosidade em contribuir 
com o desenvolvimento do outro ou de algo. 
Doar-se significa abrir mão de si mesmo para dedicar-se em compreender a necessidade de quem ou do que esta ao redor, acalmando, fortalecendo, reconhecendo, presenteando ou até mesmo curando quem passa por algum tipo de dor.
Doar-se é colocar-se no lugar do outro, é deixar suas vaidades um pouco de lado. Em muitas vezes é quando você se permite sair de sua zona de conforto. 
Para alguns, este é um tipo de atitude que gera um conflito interno muito grande. Tem gente que se sente paralisada para doar-se por medo, falta de conhecimento, egoísmo, orgulho, desconfiança ou até mesmo por achar que são elas que precisam receber.

Tem gente que pensa nada ter a oferecer e com este pensamento preferem que os outros façam isso em seu lugar.
Na verdade, para doar-se não é preciso ter para conseguir, mas Ser para Evoluir.

Doar-se é muito mais que uma atitude,

é o mesmo que superar-se, engajar-se. 
É uma força que independente das circunstancias, te move a querer fazer parte, abraçar uma causa e se comprometer com uma nova arte na vida. 
Este gesto envolve um movimento sincero que vem de dentro. Não há pagamento para quem se doa, mas há uma eterna recompensa que não se mede nem se quantificam.
Só se doa quem acredita que pode contribuir de alguma forma e que não tem nada a perder, pois, requer servir do seu tempo, energia ou recurso com o objetivo claro de levar um pouco de fé, amor e esperança onde não existe ou a quem precisa obter. 
Doar-se é um meio de Inspirar mas também de ser Inspirado. 
Da mesma forma que a gente ensina neste encontro, também levamos pra casa um raro aprendizado que só poderíamos ter nesta troca, na solidariedade, na compaixão, na partilha e na gratidão de um abraço.
Doar-se é um feito não um conceito.
Doar-se é um impacto que começa na alma e toma uma proporção que não imaginávamos.
Doar-se não tem a ver com o tamanho ou a quantidade das coisas que você se propõe a fazer, mas tem a ver com o resultado significativo que isso irá promover.
Para doar-se a pré-disposição deve vir antes dos pré-requisitos.
Nossas competências e habilidades, nosso senso de responsabilidade e propósito, nossa sensibilidade, nosso cérebro, nossa autoestima, a convivência com a família ... Tudo melhora quando aproveitamos as oportunidades para nos doarmos. 
Reconheça em você o lugar onde este ímpeto habita.

Traga esta vontade para a superfície do seu ser, basta dizer sim!
Expresse a sua força e coragem em surpreender alguém e verá quando se doar, jamais vai querer parar de fazer o bem.

Até a próxima!

Matheus Portela

Matheus Portela é músico, escritor e palestrante. Acredita que a Inspiração pelos bons Exemplos seja o melhor caminho para uma vida mais inteligente, saudável e produtiva.

Contato: pedagogiadocarater@gmail.comwww.pedagogiadocarater.wix.com/siteoficial

 

Entrevista com José Luiz Tejon Megido

Publicado em 20/03/2015

               O Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) promoveu nesta quinta feira dia 12/03, a palestra “Pedagogia da Superação: O novo Líder, o Educador do Futuro”, com José Luiz Tejon Megido

                Após este encontro, Matheus Portela realizou uma breve entrevista onde pode tirar algumas dúvidas a respeito deste tema tão pertinente aos dias de hoje, seja na área da Educação, seja em benefício da Sociedade. Confira abaixo!

 

Matheus – PROFESSOR, A SUPERAÇÃO OU O DESEJO EM SUPERAR-SE É UM ATRIBUTO INATO OU UMA HABILIDADE QUE PODE SER ADQUIRIDA COM O TEMPO? 

Tejon: O ser humano tem o potencial do aprendizado. Pode aprender. Existem potenciais genéticos mais ou menos propícios para o enfrentamento de situações superantes, mas a educação representa o poder Salvador da humanidade e de cada ser.

Matheus - É CORRETO DIZER QUE A SUPERAÇÃO É UMA CARACTERÍSTICA DE TODO LÍDER DE EXCELÊNCIA?

Tejon: Seria impossível ser LÍDER sem o talento SUPERANTE.

Tsunessaburo Makiguti, pedagogo japonês, definiu que superação significa “criar valor a partir da sua própria vida e sob quaisquer circunstâncias. Valor representa o Bem, o Belo e o Útil.” Exceder na profundidade do conhecimento do entorno e de si mesmo. Um talento sagrado para uma liderança sustentável.

Matheus - ATÉ QUE PONTO A SUPERAÇÃO TEM A VER COM A AQUISIÇÃO DE NOVOS HÁBITOS?

Tejon: Adquirir novos hábitos representa aprender a exercitar papeis novos. Somos uma potência de interpretação, considerando a possibilidade de construção de papeis que um ser humano carrega dentro de si. Recomendo o estudo do teatro realista e o Método Stanislavski como caminho para esse crescimento.

Matheus - EXISTE SUPERAÇÃO SEM A DEFINIÇÃO DE METAS?

Tejon:  Sim, existe! Metas podem e devem ser pensadas pelo ser humano, porém, nem sempre representam a expressão da vocação efetiva da pessoa. A meta pode NÃO ser legitima, e colocar o foco errado para um ser humano que precisa aprender a partir de exercícios muito mais instantâneos e próximos. O principal ponto de apoio para a superação significa atuar no instante presente com a vontade do aprendizado que o fato concreto, pedagogicamente, nos ensina.

Matheus - NA SUA OPINIÃO, PROFESSOR TEJON, O ATUAL SISTEMA EDUCACIONAL NO BRASIL NÃO SE SUPERA EM QUALIDADE POR NÃO POSSUIR METAS ELEVADAS, OU NÃO CONSEGUE ALCANÇAR METAS ELEVADAS EM QUALIDADE POR NÃO POSSUIR HABILIDADE PARA ISTO?

Tejon: O modelo educacional precisa de Pedagogia da Superação. Quem educa os educadores segue sendo a pergunta do educador e filosofo Edgard Morin. Preparar pessoas para ampliar limiares de dor, valores, criatividade, NEOTONIA, amabilidade, amar causas, obras e pessoas, engajamento em profundidade, representa muito mais do que tratar das ementas das matérias formadoras.

Matheus - COMO PODEMOS CHAMAR OU DIFERENCIAR O ATO DE NOS SUPERARMOS EM RELAÇÃO A NÓS MESMOS E EM RELAÇÃO AOS OUTROS?

Tejon: Esse ato de superação em relação a nós mesmos significa uma clara opção pela Sintropia, versus a Entropia. Uma vontade determinada que se transforma em NÃO mais vontade, assim como o sol que exerce todo dia sua missão; NÃO se discute mais a vontade.

Matheus - COMO ENSINAR A SUPERAÇÃO?

Tejon: Desde o berço, na infância. As estruturas emocionais, de valores, de discernimento precisam ser exercitadas na criança. Os enfrentamentos da vida, com seus aprendizados. Os educadores devem ensinar uma criança a olhar. Seremos o resultado da canalização de nossas paixões, do fogo temperado do amor, das causas que fazemos nossas. Admirar seres admiráveis será sempre o mais emblemático de todos os poderes pedagógicos da superação.

Como Victor Frankl, filosofo e psiquiatra explica na sua Logoterapia: A única forma de encontrar sentido será estudar seres humanos que conseguiram e comparar com outros que NÃO obtiveram êxito.

 

 

 

 

 

 

 

 

José Luiz Tejon é Publicitário, Jornalista em arte e cultura pela Universidade Mackenzie. Doutor em Ciência da Educação pela Universidade de La Empresa, no Uruguai. Eleito por 4 vezes consecutivas palestrante Top Five do país pelo prêmio Top of Mind ESTADÃO, e medalha do mérito acadêmico ESPM 2013/2014.

 

 

 

 

 

 

 

Matheus Portela é Músico e Educador. Por meio de seus artigos e palestras sobre Educação, Desenvolvimento Humano e Princípios de Liderança, vem inspirando jovens e adultos pelo Brasil a mudarem positivamente o rumo de seus próprios destinos. 

http://pedagogiadocarater.wix.com/siteoficial

Sucesso é promover o Sucesso do outro

Publicado em 19/03/2015

De uns cinco anos prá cá, tenho me perguntado quase todos os dias: “Será que existe uma receita para o sucesso, da qual eu possa bater os ingredientes no liquidificador e depois beber dela?” Dito e feito. De tanto que tenho ouvido e lido, comecei a descobrir que o conceito de sucesso se trata de uma simples combinação construída, de valores e comportamentos que são potencializados por certa quantidade de energia investida com o passar do tempo, dia após dia. Mas, que infelizmente ainda tem gente insistindo em substituir esta regrinha por uma série de hipóteses equivocadas.  

Uns chamam de motivação somada a oportunidades, outros pensam em princípios alinhados a esforço. Afinal, como será que tudo isso acontece?

Ocorre que cada ser humano tem para si a sua própria “Teoria final de como alcançar o Sucesso”.

Do mesmo modo que tem gente decidindo se faz ou não a faculdade que mais gosta, assistimos a indivíduos que estão na mesma vida há mais de uma década e que se consideram confortáveis o suficiente para se intitularem como pessoas bem sucedidas (exclusivamente sob suas próprias perspectivas). Sem esquecer é claro, dos que também atrelam ao significado de que, para ser alguém bem sucedido eu preciso “trabalhar pouco” ou “ter muito dinheiro”.

Para uns o sucesso significa Felicidade, quando na verdade, tropeçamos em outra idéia; a de que para cada um também exista infinitas possibilidades para se definir “o que é Felicidade” e que no final das contas também geram sucesso.

Na era em que vivemos, surgem citações das mais variadas fontes e formatos e que nem sempre são confiáveis. E como não poderia perder a oportunidade, neste texto eu pretendo compartilhar com você a minha definição de Sucesso, sob a qual tenho procurado trilhar minha vida pessoal e profissional. Assim, tenho certeza que te ajudarei a SUA definição de sucesso.

Ao estudarmos a origem dessa palavra tão atraente que convive com a gente no século XXI, mas que na verdade começou a se firmar apenas no século XV, descobriremos que ela vem do Latim: “SUCCESSUS”, que significa avanço, segmento, resultado propício e de “SUCCEDERE”, que significa vir depois, chegar perto de, nos remetendo a duas conotações interessantes:

Sucesso é o que eu faço, mas ao mesmo tempo o que eu deixo para o outro, para alguém.

É a sucessão. Em outras palavras; Sucesso é o acontecimento e também quem se beneficia dele! Eis aqui uma grande questão que nos coloca em xeque. Não aprendemos na escola a promover as realizações dos outros, pois, não sabemos claramente como alcançar as nossas.

Será que é possível ter uma vida bem sucedida apenas você com você mesmo?

No meu caso, prefiro acreditar que seja viável e mais saudável alcançar dois tipos de resultado, de modo que os relacionamentos interpessoais se tornem fonte de força e construção de novos horizontes e possibilidades.

Para isso, imagine-se escolhendo fazer o que ama, ser bem remunerado e ainda se relacionar de maneira saudável consigo e com os demais a sua volta. Será que viver este universo é possível de ser vivido mesmo em tempos de crise econômica e política? Estamos começando a entender a importância do “Empreendedorismo”, mas antes, precisamos degustar uma outra arte chamada de “Apreendedorismo”.

Cabe aqui citar alguns itens que imperam no que diz respeito à convivência coletiva, como a Solidariedade, Empatia, Compaixão, Respeito, Esperança, Reconhecimento, Consideração, Confiança, Amizade e Profissionalismo. E mesmo que tenhamos a consciência destes pontos, possuímos grande dificuldade em desenvolvê-los como Habilidades. É verdade; temos muito que aprender.  

Já ouviu falar da famosa “mentalidade de escassez”?  Nossos pré-conceitos, nossa arrogância, o orgulho e toda forma de violência, seja por palavras ou reações físicas literalmente nos impedem de sermos de fato, Bem Sucedidos.

Por ai nas ruas, infelizmente o que se vê é um ar de indiferença disseminando cada vez mais, quando na verdade todos sentem e sabem que merecem Vencer e conduzir o outro ao mesmo lugar. Todos podem e MERECEM alcançar o Sucesso! Porém, é preciso esforço para alcançá-lo, quanto mais para promovê-lo.

Porque nos isolamos ao invés de nos aproximarmos? Porque nos individualizamos em nosso mundo particular se nós podemos expandi-lo e expandir o do outro?

Talvez, pode ser que você necessite de mais auxílio para superar um trauma emocional ou uma dificuldade com as finanças. E por isso, tem escolhido não expor isso a ninguém. É compreensível. Porém, não devemos ficar sofrendo uma vida toda como reféns de nossas próprias limitações. Entenda; todos nós precisamos uns dos outros em alguma área.

É justamente aqui que aqueles princípios citados mais acima terão grande importância!

Promover o Sucesso do outro pode ser considerado um pequeno gesto de Generosidade, mas significa “sair da caixa”, como a decisão que o tornará em uma pessoa mais útil e realizada, assim quando você oferece alguma ajuda a alguém que passa por necessidade.

Quando você ensina algo essencial a alguém que até então não possuía aquele conhecimento, saiba que você está alcançando o seu sucesso promovendo o sucesso do outro. E o melhor de tudo isso; Além de simples, ainda faz bem!

Promover o sucesso do outro nada mais é do que o compartilhar sabedoria. Pode ser como um alimento muito nutritivo para quem tem fome e que seus olhos nos mostram a sede por aprender a SER quem realmente querem ser; Pessoas de Sucesso.  Identifique de que forma você pode fazer isso.

Lembre-se: Pessoas bem sucedidas dedicam-se em promover o Sucesso do outro!

Matheus Portela

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Um gesto inspirador num bilhete no metrô

Publicado em 11/02/2015

Sexta Feira chuvosa, um jovem universitário descia as escadas rumo a linha 4 do metrô. Apressado, pois, estava bem atrasado para uma prova na faculdade, ficou ainda mais quando viu a mega fila que tinha se formado próximo à bilheteria. Ao perguntar para um rapaz se era ali mesmo que ele deveria comprar o bilhete, o garoto se espantou ao perceber que uma das filas andava com mais rapidez do que a outra, porém, notava que a maior parte das pessoas que estavam na fila gigante não mudava para a outra. "Muito estranho", pensou o estudante, mas resolveu esperar um pouco para entender o "porque" daquele fato inusitado, sabendo que naquele horário de pico o que mais se via era gente com pressa.

Depois de dez minutos de espera e o povo avançando a passos muito lentos, o jovem começou a se estressar, já que nunca havia pegado uma fila tão demorada como aquela. Começou então a murmurar com um casal que estava atrás dele;

- Puxa, vou perder minha prova desse jeito não dá! Como pode, uma estação tão grande como essa, só duas pessoas pra fazer esse atendimento? Vocês sabem por que tá demorando tanto, hoje?

- Bom, pode ser funcionário novo que esteja atendendo na cabine. Pouca experiência, sabe como é. Respondeu a esposa do rapaz.

- Mas, tem outra fila ali na frente. E não é de idoso nem de gestante pelo que vi! Porque será que os seguranças não reorganizam o pessoal, meio a meio, assim a demora vai ser menor, não acham? Perguntou o jovem.

- Na verdade, acho que tem uma coisa que você talvez não saiba, amigo.

Disse o esposo da moça.

- O que? Respondeu o estudante, curioso.

- Deixe que eu conto pra ele. Disse a moça.

- Foi anunciado nos jornais uma pequena mudança com relação a venda de passagens para este ano, não sei se você chegou a ver.

- Mas, é claro que vi! O garoto respondeu de imediato.

- Foi esse aumento absurdo no valor da tarifa que “quebrou as pernas” de muita gente, como no meu caso que tenho de ficar contando o dinheiro todo mês pra poder conseguir manter a bolsa na facu, transporte, alimentação .... Mais essa agora! Tá osso, viu ...

- Nããããoooo ! Não é isso ... O casal sorrindo, respondeu.

- É que agora, estão implementando o que eles chamam de “atendimento diferenciado” aos passageiros, começando pela maneira que o bilhete é vendido.

- Como assim. Virou palhaçada isso aqui! Não tô acreditando!

Só pode ser pegadinha, né?!?! É algum tipo de pesquisa que vocês estão fazendo comigo? Perguntou o estudante, furioso.

- Hahahahahahaha, o casal gargalhando.

Eles explicaram para o jovem, que na verdade se tratava de uma ação do próprio metrô. A intenção era promover maior relacionamento entre as pessoas durante as viagens, pois, notava-se pelas câmeras do circuito interno, que dentro dos vagões as pessoas não conversavam mais umas com as outras, devido a diversos motivos; o stress, o mau humor, a correria e as preocupações do cotidiano, a tecnologia de celulares e ipads que estão afastavam cada vez mais uns dos outros.

- Não estou entendendo. Afinal de contas, que tal "atendimento diferenciado" é este que vocês estão falando? Disse o jovem, em voz alta.

- Quando você chegar lá você vai ver, comentou o casal.

Quando faltavam apenas três pessoas para que chegasse sua vez de comprar o bilhete, foi quando o universitário conseguiu ver que não se tratava de uma brincadeira ou coisa do tipo.

Ha poucos metros a sua frente, ali na bilheteria, um dos atendentes estava do lado de fora da cabine, sentado em um banco, apenas com um bloquinho de bilhetes em uma das mãos.

Impressionado, o garoto até achou que fosse propaganda de algum produto que estava sendo lançado, algum quadro de um programa de tv, mas não era.

Ao chegar sua vez, já com as quatro moedas de um real e pronto para pegar o bilhete, o troco e sair correndo depois da catraca, o atendente estendeu uma das mãos para cumprimentá-lo. Meio sem jeito, o garoto o cumprimentou e olhou nos olhos dele. Era um senhor de aproximadamente sessenta anos, de fala paciente e uma educação que não se encontra por aí em qualquer lugar.

Ele perguntou o nome do garoto, se apresentou a ele e em seguida perguntou onde o garoto estava indo. Ele respondeu que estava indo para a faculdade e que estava muito atrasado para uma prova. O atendente respondeu que daria tudo certo e pediu que o estudante ficasse tranquilo, em seguida perguntou se poderia lhe dar um abraço para desejar boa prova. O garoto, muito constrangido com a situação, disse que tudo bem. O senhor, após lhe abraçar, entregou um bilhete gratuitamente e disse sorrindo:

- "Tenha uma ótima viagem e que Deus esteja com você onde você estiver."   

- Obrigado, disse o jovem. E seguiu seu caminho, andando em silêncio ...

Muito comovido, o jovem derramou uma lágrima ao se lembrar que sua mãe, antes de ele sair de casa, queria lhe dar um abraço para lhe desejar boa sorte na prova, mas, ele tinha respondido de maneira muito grosseira que não precisava nem de abraço e nem de boa sorte, mas sim, de chegar no horário na faculdade.

Moral:

Às vezes, estamos tão preocupados com as urgências, imersos em nossas necessidades pessoais e físicas, que dizemos "não tenho tempo" para receber gestos simples como este do atendente.

A questão é que, quanto mais tempo nos dedicarmos a viver a simplicidade e profundidade desses gestos, mais gestos como estes poderemos oferecer as pessoas que mais precisam ao nosso redor. 

Matheus Portela

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Para que serve um professor

Publicado em 17/10/2014

Muitos de nós, se não a maioria, já passou alguns anos dentro de uma sala de aula ouvindo uma figura muito enigmática falando coisas lá na frente. Quantas vezes talvez já nos cansamos disso? Quantas vezes resolvemos ir tomar um suco com os amigos do que ter de assistir novamente ao discurso daquele sujeito que tudo sabe? Afinal, pra que nos serve tudo isso?

 Li estes dias uma frase de uma propaganda que dizia: "O Nerd de hoje é o CEO de amanhã" Será mesmo ? E como será que se desencadeia um processo tal qual mobilize pessoas de maneira que começam a buscar novos conhecimentos incessantemente até viverem o que leem?

 O professor é a pessoa que possui nas mãos a palavra "Chance".

Ele tem uma oportunidade nas mãos, quando mal utilizada, multiplica o desperdício de tempo em forma de palavras soltas e aleatórias. 

O professor pode ser considerado sim um herói, mas com prazo de validade. 

Seu tempo é a maior preciosidade que tem, além do conhecimento. 
Se não aplicá-lo com zelo, terá realizado a metade de sua capacidade.

["Um" Professor serve a si mesmo, "O" Professor serve o outro.]

            A condição deste profissional, deste indivíduo é inerente as suas próprias motivações que o levaram estar ali, diante de 40, 50 ou até 120 alunos 

dentro de uma sala. 

Se entristece pelo caminho, mas não desiste!

Se frustra durante semanas ou até meses, porém, não recua!

É persistente, resiste ao fogo, a críticas, a apatia e desinteresse de alguns alunos. Por isso, vence, pois SERVE O OUTRO!

Missionário para alguns, guru para outros.

O professor não "serve para", ele "serve de".

Lecionar não é apenas um serviço, é uma causa, uma bandeira, uma justificativa e o principal motivo da existência do professor.

Sem o professor é como se a educação não fosse completa. 

Todo ciclo que inicia não se fecha; para o professor, continua ...

O professor SERVE o outro e só por isso, já deve ser respeitado e honrado ainda que suas limitações e imposições que lhes são feitas sejam objetos para apontá-lo.

O professor tem direitos e deveria ter até mais privilégios só pelo fato de realizar muitas vezes as funções extras de Psicólogo, Conselheiro, Pai e Mãe. Não deveria você ALUNO, agradecer pelo menos "UM" professor pelo que fez por você, mesmo naquele dia que você estivesse de mal humor ?

Mesmo naquele dia que você tenha preferido cabular aula; seu professor estava lá por você...
Mesmo quando você respondeu de forma grosseira, seu professor estava lá pra considerar sua participação...

Mesmo quando você achava que sabia tudo que estava sendo ensinado, seu professor estava lá pra ter a paciência para te aturar e até mesmo promover suas considerações...

Nunca se esqueça que tem professor que chora quando você vai embora (sente raiva, tem dor, tem família, tem problemas, tem força mas também tem lá suas fraquezas)

E em defesa de sua vida, quero aqui lembrar que devemos ser gratos a cada um deles, pois, aqueles que educarão também os nossos filhos e talvez netos, um dia passaram pela tua história ...

Muitos professores são tão feras no que fazem que chegam a transmitir suas energias positivas como um toque divino. Chegam até a emocionar os que estão a sua frente, fazendo com que nosso coração e nossa mente estejam entregues para admirá-los pra sempre! Só por isso, professor, você merece o nosso aplauso. 

Obrigado, professor, por nos servir esse tempo todo!

Matheus Portela

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O que falta na Educação Brasileira

Publicado em 15/10/2014

Nesta semana, participei de um encontro sobre os rumos da educação nacional. O tema foi o PLANO NACIONAL (E MUNICIPAL) DE EDUCAÇÃO. E a questão central do encontro foi: “o que falta para a educação do Brasil deixar de ser uma das lanterninhas do mundo, atrás até de países como o Cazaquistão?” Ouvindo a argumentação dos palestrantes, eu me perguntava: por que o discurso que impera no seio das “reflexões educacionais” é sempre tão velho?! Muito, muito velho e ULTRAPASSADO! Por que a área educacional permanece estagnada em conceitos, “reflexões”, “saberes”, discursos e paradigmas pra lá de obsoletos? Por que não fincar o pé na realidade concreta e no clamor de quem está dentro das escolas (professores, coordenadores, diretores e demais funcionários)? Por que não colocar a educação nos trilhos da Ciência do século XXI e das tecnologias? Por que insistir em ignorar os avanços da produção de conhecimento científico da humanidade, para permanecer patinando em “reflexões” inócuas?! Por que não ceder ao pragmatismo, ao funcionalismo?! Ao que é concreto?!

Dentre tantas outras coisas, ouvi: “Nós fazemos a educação. As crianças passam dez, quinze anos na escola, em nossas mãos, e saem sem saber nada. Estamos fazendo a nossa parte? Depois não adianta reclamar da sociedade....” E também: “Precisamos perguntar às crianças se a escola em que elas estudam é a escola que elas desejam ter... Que escolas nossas crianças desejam ter?” 
Uma vez que um dos palestrantes pediu que nós, “fazedores da educação”, déssemos nossa opinião, aqui vai a minha. A meu ver, o que falta à educação brasileira? Por que nós, docentes e profissionais “de dentro da escola”, estamos sim tentando fazer a nossa parte, embora sem conseguir?

1- FALTA SUBSTITUIR AS METODOLOGIAS PSEUDOCIENTÍFICAS DE ALFABETIZAÇÃO POR METODOLOGIAS FUNDAMENTADAS EM ESTUDOS DO CÉREBRO. Aliás, sugiro a todos os que “pensam” e “refletem” sobre a educação que leiam o livro do neurocientista Stanislas Dehaene, “Os neurônios da Leitura”. Ele põe em cheque o construtivismo e os métodos globais de alfabetização, com uma belíssima fundamentação neurocientífica. Na verdade, O LIVRO SÓ VEM APOIAR A CONSTATAÇÃO DOS PROFESSORES ALFABETIZADORES DE QUE ESSAS NOVAS FORMAS DE ALFABETIZAR IMPOSTAS PELO IDEÁRIO CONSTRUTIVISTA SÃO COMPLETAMENTE INEFICIENTES. Mesmo assim, os professores foram obrigados a usá-las e, agora, são os “culpados” pelo insucesso da educação básica e pelos altos índices de analfabetismo funcional.

2- FALTA FAZER DAS ESCOLAS UM AMBIENTE COM INFRAESTRUTURA TECNOLÓGICA E DIDÁTICA DE ALTÍSSIMA QUALIDADE. Faltam as tecnologias em sala de aula (além de tomadas que funcionem, ventiladores, iluminação adequada...). FALTA TORNAR AS ESCOLAS ESPAÇOS DE APRENDIZADO E NÃO DE CUIDADOS. A FUNÇÃO DA ESCOLA É ENSINAR E NÃO TOMAR CONTA enquanto os pais trabalham!

3- FALTA ACABAR COM A PROGRESSÃO AUTOMÁTICA (outra experimentação catastrófica baseada em pressupostos pseudocientíficos sobre motivação humana...).

4- FALTA VINCULAR O RECEBIMENTO DO BOLSA FAMÍLIA AO NÍVEL DE RESPONSABILIDADE DO ALUNO E DA FAMÍLIA EM RELAÇÃO AOS ESTUDOS ESCOLARES. Não falo de desempenho, mas de RESPONSABILIDADE, de ATITUDE.

5- FALTA A IMPLANTAÇÃO DE SISTEMA DE MONITORAMENTO AUDIOVISUAL EM TODAS AS SALAS DE AULA e ambientes escolares. Que tal começar a saber o que fazem professores e alunos dentro das escolas?!!!!

6- FALTAM BIBLIOTECAS com acervo suficiente, atualizado e adequado em todas as escolas, e com BIBLIOTECÁRIO!

7- FALTAM LABORATÓRIOS DE CIÊNCIAS e outros AMBIENTES PARA ATIVIDADES DIVERSIFICADAS E ESPECÍFICAS (auditórios, teatros, salas de música etc).

8- FALTA um ASSISTENTE em cada sala de aula, como nas escolas de primeiro mundo.

9- FALTA que os profissionais de educação DEIXEM O PASSADO TEÓRICO DE LADO e finquem pé nas neurociências. FALTA UMA ATUALIZAÇÃO PROFUNDA E DRÁSTICA NOS CURSOS DE PEDAGOGIA E PSICOPEDAGOGIA que também precisam deixar ir embora com o passado as pseudoteorias comportamentais, motivacionais e educacionais do século passado. Os profissionais que dão suporte psicopedagógico os docentes PRECISAM LER LIVROS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA e não apenas livros de autores dos séculos passados... ou de autores que permanecem “ressignificando” e “refanlando” sobre as mesmíssimas coisas...

10- FALTAM MAIS PROFISSIONAIS DENTRO DA ESCOLA, menos sobrecarregados, e com funções delimitadas. Um exemplo: quantos coordenadores pedagógicos deixam de olhar a parte pedagógica porque não conseguem parar de resolver problemas administrativos e disciplinares? Com isso as escolas não conseguem um plano coerente e sincronizado de trabalho didático entre os docentes, principalmente nos últimos ciclos (de 6º ao 9º ano), e cada professor faz o que pode, sem conseguir interligar os conteúdos com os de seus colegas.

11- FALTAM PROFESSORES LEITORES, ESTUDIOSOS, AMANTES DO CONHECIMENTO E MOTIVADOS POR SUAS CONDIÇÕES CONCRETAS DE TRABALHO E NÃO POR DISCURSOS TOLOS e VAZIOS...

12- FALTAM PROFESSORES COM DEDICAÇÃO EXCLUSIVA, trabalhando apenas um período em sala de aula. Ou seja: FALTA UMA REMUNERAÇÃO DECENTE E SUFICIENTE PARA QUE OS DOCENTES SE DEDIQUEM A POUCAS SALAS DE AULA.

13- FALTAM DIRETORES igualmente menos sobrecarregados com questões disciplinares, verdadeiros casos de polícia. Escola não é delegacia e seus profissionais não são policiais!

14- FALTA MAIOR CONSCIÊNCIA por parte dos profissionais da educação QUE ATUAM FORA DAS ESCOLAS (gestores públicos e profissionais de apoio) sobre como é, realmente, o trabalho escolar. FALTA QUEM ESTÁ FORA DA ESCOLA IR ATÉ LÁ DE VEZ EM QUANDO PARA TENTAR “FAZER ACONTECER O PROCESSO DE APRENDIZAGEM”, e não apenas ficar teorizando, “ressignificando com um novo olhar” os problemas educacionais em teses doutorais, ou dando conselhos em congressos e simpósios.

15- FALTA aos alunos brasileiros ADQUIRIR A CONSCIÊNCIA DO QUE É QUE VÃO FAZER NA ESCOLA. Hoje a grande maioria dos alunos vai à escola apenas e tão somente para zoar com os colegas, mas não para assistir às aulas ou estudar.
16- FALTA que as escolas tenham mais AUTONOMIA e AUTORIDADE em suas decisões, além de mais APOIO das instâncias superiores, como as Secretarias Municipais de Educação, ao invés de serem reféns de ÍNDICES DE APROVAÇÃO POLITIQUEIROS e de reivindicações, reclamações e processos administrativos absurdos movidos por pais e alunos.

17- FALTAM PROFESSORES! Será que a sociedade sabe quantas aulas as crianças brasileiras têm perdido todos os anos, em todas as escolas deste país? Será que a sociedade brasileira se importa com isso? Ou será que, para o Brasil, é suficiente que as escolas sejam apenas abrigos cuidadores das novas gerações e que as crianças e jovens estejam seguros lá dentro, ainda que não tenham aula por falta de docentes?

E por último: FALTA VALORIZAR OS BONS PROFESSORES! E LHES DAR CONDIÇÕES DECENTES DE TRABALHO! Se o Brasil permanecer TRATANDO TÃO MAL SEUS DOCENTES E NIVELANDO-OS como tem feito, não enfrentaremos apenas um apagão de docentes, porque sempre vai haver gente querendo “pegar umas aulinhas”. Teremos, isso sim, é um APAGÃO DE BONS PROFESSORES (O QUE JÁ É UMA REALIDADE NACIONAL), um apagão de professores dedicados, estudiosos, sérios e competentes.

Simone Benedetti
Professora da Rede municipal de Itatiba
Autora de “A dignidade ultrajada: ser professor do ensino público nos dias atuais. RJ: Barra Livros, 2013.

Fazer o que precisa ser feito

Publicado em 01/07/2014

Para que fazer o que precisa ser feito?
Independente se alguém nos cobra de algo que precisa ser feito, antes é preciso ter a consciência sobre quais são as coisas que devem ser realizadas primeiro! E não tenho dúvidas que você sabe exatamente quais são ou pelo menos já tenha ouvido falar. 
Mas, não custa nada relembrar, né ?!
Chamamos de PRIORIDADE tudo aquilo o que colocamos em primeiro lugar em nossa vida.
Muitas vezes, uma palavra ou uma situação rotineira nos rouba daquilo o que precisa ser feito. Até mesmo os sentimetos podem nos envolver a ponto de deixarmos para depois aquilo o que precisa se feito. Por isso é importante reforçar: FAÇA O QUE PRECISA SER FEITO ! 
Tome a decisão de fazer aquilo o que precisa ser feito !

No dia a dia, sabemos que esta "tarefa" não é tão simples. Somos tirados do foco daquilo o que é mais importante. Tiramos a prova disso quando perguntamos a qualquer pessoa se ela tem o hábito de terminar o que começa. Atualmente, todo recurso tecnológico que nos possibilita a execução da "multifunção", como por exemplo as várias pastas e janelas em um programa de computador ou celular, a alta capacidade de armazenamento de celulares, pen drives entre outros, nos traz a falsa sensação de que podemos nos concentrar com grande qualidade em mais de uma atividade. Trata-se de uma grande armadilha !

Eu, pela quantidade de compromissos agendados ou funções que tenho a desempenhar, se não tomar cuidado quanto a maneira como me organizo, tenho uma tendência de deixar de fazer aquilo o que preciso fazer. Imagine quantas crianças, jovens e adultos já não foram equivocadamente diagnsticados com Déficit de Atenção ou Hiperatividade pelo fato de serem curiosos, criativos ou até mesmo desorganizados. Será que não seria apenas porque não aprenderam como canalizar de outra forma o potencial que possuíam ?

Este é somente um dos perigos quando nos apegarmos a pequenas muletas como justificativa que utilizamos para não fazer aquilo o que precisa ser feito, ou seja, nós nos boicotamos. Evitamos a responsa a todo custo e se for possível, passamos a bola pra alguém resolver nosso "problema".
O autoboicote pode aparece sutilmente acompanhado pela preguiça constante. Quando dentro de casa os pais não atribuem responsabilidades aos seus filhos desde cedo, eles crescem com uma liberdade exagerada, as vezes até sem limites de respeito, cumprimento de horário, até que o comportamento desanda e daí pode nem ter mais volta !

Em pleno século XXI, convivemos com facilidade de nos distrairmos. Alguns possuem mais esta característica enquanto que outros tem menos.
E para que você possa identificar "o quanto tem feito aquilo o que precisa ser feito?", responda estas duas questões abaixo:

Você tem sido preguiçoso(a) em fazer aquilo o que você sabe que tem de ser feito ?
Você realmente tem se dedicado em fazer aquilo o que é de sua RESPONSABILIDADE ?

Quando nos esforçamos em fazer aquilo o que temos de fazer, não permitimos que as coisas se acumulem. Se você deixa coisas importantes de lado, pode perceber, uma ora elas voltam pra você em um outro momento para que você as resolva de uma vez por todas.
A preguiça em fazer coisas importantes também tem um outro nome: NEGLIGÊNCIA.
A falta de autoresponsabilização pode ser considerada crime, como no caso de uma pensão que não foi paga, ou quando pais deixam de oferecer ao filho o ensino e uma educação adequada, no que diz respeito também aos cuidados básicos com alimentação, higiene, carinho, afeto e proteção.
O contrário disso pode ser representado pela palavra DILIGÊNCIA: Um professor que é zeloso nas coisas que faz, um profissional que é dedicado no serviço que presta. Uma atendente que procura tirar todas as dúvidas de um cliente, até que o mesmo se sinta satisfeito ao menos com a atenção dada ao problema dele, são bons exemplos de pessoas que realmente fazem aquilo o que precisa ser feito.

Outro grande problema que se alastra em diversos ambiente, causador de "confusão" no cotidiano principalmente nos relacionamentos interpessoais, seja na família ou no trabalho, é a mentaidade de que "O CUMPRIMENTO DAS RESPONSABILIDADE QUE SÃO SUAS, DEVEM ESTAR LIGADOS AQUILO O QUE VOCÊ GOSTA DE FAZER"; Isto é um mito !

Mesmo aqueles que só querem fazer o que gostam, uma hora ou outra, terão que fazer aquilo o que precisa ser feito, como por exemplo, pagar impostos !

- QUANDO NÃO FAZEMOS AQUILO O QUE TEM QUE SER FEITO, PAGAMOS, VIA DE REGRA, O DOBRO EM ENERGIA, TEMPO E RECURSOS, ALÉM DE GANHARMOS COMO CONSEQUÊNCIA UMA GRANDE DOR DE CABEÇA! - 

Um outro vilão da Autoresposabilidade é a falta de DISCIPLINA.
Diga; "eu estou disposto á", "eu quero" ao invés de o tempo todo atriuir obrigação nas coisas que tem que ser feitas. É uma mudança estrutural na forma de enxergar, porém, com um poder gigantesco de alterar a qualidade dos resultados obtidos na vida. A começar pela maneira como você administra seu próprio tempo !

- Lembre-se agora quais as coisas que você deixou para fazer depois;
- Liste quais são as tarefas que você mais detesta fazer e questione se existe outrar forma de encará-las;
- Descreva quais serão os benefícios se você as fizer com tranquilidade, naturalmente;
- Habitue-se em planejar, executar e avaliar os resultados sobre tudo o que você faz;

A vida, infelizmente não é feita só de coisas aparentemente agradáveis, fáceis ou confortáveis. Vejamos pelo lado profissional; O que pode acontecer se caso você se recusar em fazer algo que seu chefe lhe orientou a fazer, simplesmente pelo fato de não gostar ? Provavelmente, colherá um grande prejuízo com isso, mesmo porque, pode ser que outras pessoas dependam dos resultados de suas ações. Encontramos aqui o princípio mestre de todo Trabalho em Equipe: a INTERDISCIPLINARIDADE.
O exemplo acima nos ajuda a encontrar outros significados que se associam ao ato de "Fazer o que precisa ser feito":

INTEGRIDADE: É a junção entre aquilo o "Eu posso", o "Eu quero" e o "Eu devo"
HONESTIDADE: É a atitude de manter-se íntegro mesmo quando ninguém estiver olhando
FIDELIDADE: É a escolha de cumprir com o compromisso que foi estabelecido por você mesmo

Outra grande citação que nos mostra como fazer para alterar o padrão de nossos resultados, foi a frase de Cristo: "No mundo tereis aflições, mas, tende bom ânimo, pois, eu venci o mundo".

SENSACIONAL ! Ele não disse que você tem de estar sempre de bom humor pra que nenhuma dificuldade se apresente a você. Ele também não disse que a alegria vai fazer como que todas as coisas ruins se afastem de você pra sempre. Ele na verdade, nos alertou que teremos que aprender a enfrentar e superar momentos difíceis TODOS OS DIAS DE NOSSA VIDA, inclusive, no que diz respeito as nossas maiores dificuldades de relacionamento. Isto é, adquiri FORÇA, RESISTÊNCIA e INTELIGÊNCIA EMOCIONAL.

"A melhor forma de vencer os obstáculos a nossa frente, primeiro, é preciso encontrar coragem para encará-los de frente, em seguida, nos prepararmos antecipadamente a base de treino, estudo e conhecimento que gere SABEDORIA, afinal, novos obstáculos estão a caminho de nós"

#FicaM_as_DicaS:

1 - CUIDADO COM PRAZERES MOMENTÂNEOS: Elogios, Premiações e Reconhecimento em excesso, podem se transformar em fracasso se você não se dedicar para alcançá-los.

2 - ENCARE PROBLEMAS COMO DESAFIOS: Cada vez que você superar uma dificuldade, comemore!

3 - SEJA CRIADOR DE SOLUÇÕES AO INVÉS DE PROBLEMAS: Em muitos casos, problemas são causados pelo bem que deixamos de fazer. 

4 - NÃO SEJA INGÊNUO A PONTO DE ACHAR QUE TUDO PRA SER FEITO DEVE SER LEGAL: A maturidade vai além daquilo o que é compatível com a sua "idade" biológica, mental e educacional. Acredite que você é capaz de romper com meras repetições e que pode muito bem aprender algo novo todos os dias; Confronte suas infantilidades interiores e você se transformará em um adulto mais confiável!

5 - TRACE SEUS OBJETIVOS, SONHOS E METAS: pois, "Quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve!"

DAQUI PARA FRENTE, BUSQUE AVANÇAR SEM MEDO, CORRA NOVOS RISCOS AO SE SUPERAR. TENHA PENSAMENTOS DIFERENTES DO QUE A MAIORIA COSTUMA TER. SEJA AQUELE QUE INFLUENCIA OUTRAS PESSOAS A TAMBÉM SEREM "INTEIRAS" EM SUAS CARREIRAS, BUSCANDO REALIZAÇÃO NO CUMPRIMENTO DE SUAS MISSÕES E PROPÓSITOS.

Faça aquilo o que precisa ser feito:

#SEM_MURMURAR;
#SEM_RECLAMAR
#SEM_DAR_DESCULPAS;
#SEM_ENGANAR_A_SI_MESMO;

Isto é essencial para o seu Crescimento e Desempenho em todas as áreas!
Portanto, prepare-se para abrir mão daquilo o que você gosta de fazer em alguns momentos, para então, aprender a FAZER AQUILO O QUE PRECISA SER FEITO !

Com certeza, esta será uma VISÃO que te impulsionará para lugares cada vez mais altos. 

Um abraço e tenha uma semana IMPRESSIONANTE !

Matheus Portela

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PRESSA: Sua inimiga número um de todas as horas

Publicado em 29/05/2014

["...Será que é tempo que lhe falta pra perceber ? 
Será que temos este tempo pra perder ? ..."] 
Este trecho intrigante da canção do Lenine, nos leva a pensar um pouco melhor sobre a nossa relação com o tempo. Não é a toa que este texto é grande!
Por isso, QUERO TE DESAFIAR A ARRUMAR UM TEMPO para este artigo. Faça uma reflexão sobre cada ponto aqui abordado, procurando avaliar em si mesmo quais os aspectos você pode melhorar sobre esse assunto.

Vou lhe apresentar duas formas diferentes de enxergar como as coisas funcionam em nosso dia a dia. Pode ser que no decorrer da leitura você se identifique com alguma das posturas e a respeito de como normalmente agimos em determinadas situações. 

Sabemos que algumas pesquisas apontam que há uma nítida diferença entre o modo como pessoas que moram em regiões urbanas lidam com o tempo, se comparado com quem mora no chamado interior das cidades. Fato é que, independente do lugar onde moramos, parece que estamos perdendo a noção sobre como a PRESSA está presente em nós. Te convido a descobrirmos juntos qual a consequência disso, ok ? Vamos la !

Quantas vezes nós já ouvimos alguém dizer frases como: "NÃO TENHO TEMPO", "PERDI A HORA" ou "ESTOU COM PRESSA". 
Será que ter pressa é algo bom ? Aliás, o que significa TER pressa ? Será que é um estado, uma qualidade ou um defeito ?

Em algumas profissões se você não tiver pressa no momento certo, você pode ser demitido ou até mesmo deixar de salvar uma vida (no caso dos BOMBEIROS, por exemplo). Em outros casos, se um TERAPEUTA tiver pressa ele pode perder o cliente. Se o PRESIDENTE DE UMA EMPRESA tiver muita pressa, pode acabar contratando pessoas despreparadas.
Notamos que alguns processos nos exigem maior dinamismo, enquanto que outros envolvem um tempo maior de engajamento, foco e avaliação. 
Mas existem também aqueles que lidam com os dois! 

Para exemplificar situações onde temos de agir de forma Eficaz e Eficiente simultaneamente, basta pensarmos no caso da construção de uma obra que deverá ser entregue num determinado PRAZO ou num prato de jantar que deverá ser servido minutos depois que efetuamos o pedido em um restaurante. 

É! Nunca lidei muito bem com prazos, mas, hoje sei que são o que geram em mim e em você, a DISCIPLINA NECESSÁRIA para a Vida, em todas as áreas.

Em circunstâncias interpessoais que exigem uma virtude chamada PACIÊNCIA, se tivermos muita pressa logo virá a INTOLERÂNCIA, o DESRESPEITO e o STRESS. 
Da mesma forma que diante de prazos estabelecidos, se o combinado não é cumprido pela sua falta de PRESSA, um sentimento de AGRESSIVIDADE e VIOLÊNCIA também pode ser desencadeado no outro. 

O mais curioso é que se buscarmos a tradução da palavra PRESSA, ela quer dizer "Necessidade Intensa de chegar a algum lugar", o que é bom! Mas também quer dizer "Precipitação e Irreflexão", o que é ruim!

Na realidade não é uma carga de culpa que existe em função da pressa que temos. Até porque, nós podemos ESCOLHER ter pressa ou não. 

É simples assim:
Quem geralmente é muito apressado precisa APRENDER a ser mais PACIENTE !
E que bom que as pessoas são diferentes para que uma complete a outra.

"Você é refém do tempo, do excesso de coisas pra fazer ou você é quem faz o seu tempo trabalhar a seu favor, gerenciando tudo aquilo o que decidiu fazer?"
Este é um grande dilema nos dias de hoje ...

Na Era do Conhecimento e de uma infinidade de informações em todos os lugares, não é raro algumas pessoas já nascerem com uma carga de ANSIEDADE em seu DNA e isso só pode ser trabalhado por meio de atividades onde ela seja ENSINADA A PENSAR E AGIR DE MODO DIFERENTE. 

Eu, por exemplo, tenho a consciência de que preciso ser mais ágil em alguns aspectos, por mais paciente que eu seja! Mas, tenho primeiro que entender o PARA QUE, ou seja, compreender que se eu não me planejar com antecedência, tudo me parecerá como uma EMERGÊNCIA para ser resolvido. Sendo assim, andamos sempre com pressa pela falta de planejamento. Já parou pra pensar nisso?

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A PRESSA SEM UM OBJETIVO SIGNIFICATIVO E TRANSFORMADOR, 
É PURO DESPERDÍCIO DE TEMPO, RECURSO E ENERGIA!
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Ser RESILIENTE significa superar situações difíceis enquanto que a INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, definida por Howard Gardner, é reconhecer sentimentos nocivos e produtivos, aprendendo a lidar da melhor forma com cada um deles.

EXISTEM MUITOS CURSOS QUE LITERALMENTE ESTÃO VOLTADOS PARA ENSINAR PESSOAS A PENSAR E A AGIR DE OUTRO MODO: INCLUSIVE SOBRE COMO ADMINISTRAR O PRÓPRIO TEMPO! 

Você se considera uma pessoa CALMA ou com o TEMPERAMENTO EXPLOSIVO ? A questão é "PARA QUE SERVE" cada um destes aspectos e até que ponto as pessoas ao redor se beneficiam ou são prejudicadas por este seu comportamento. 

Como vimos anteriormente, devemos atingir um nível FLEXÍVEL de preparação para situações Imprevisíveis e Improváveis.
Vez ou outra, será alguém que te dará uma fechada no trânsito ou um atendente que não te dará atenção que você esperava porque estava com o que? PRESSA!

SERÁ QUE VALE A PENA SEMPRE ESTAR COM PRESSA ?

Fazendo uma pequena brincadeira com as palavras, uma COMPRESSA de Água Quente ou de Água Fria poderá lhe ajudar a relaxar em casos mais dramáticos (rs).
E já que estamos abordando a PAZ-CIÊNCIA como um item que nos traz mais SEGURANÇA em meio ao cumprimento de METAS, OBJETIVOS e BONS RESULTADOS, não podemos nos esquecer de uma preciosa frase de Gandhi: 
PERDER A PACIÊNCIA É PERDER A BATALHA. 

NÃO VALE A PENA VIVER COM PRESSA, ATÉ PORQUE, QUEM VIVE PERDENDO A PACIÊNCIA É PORQUE NA VERDADE NUNCA TEVE.

#Ficam_As_Dicas:

1 Em momentos nos quais estiver com pressa, procure não se alterar com as pessoas, afinal, o mesmo relógio que você está usando, marca a mesma hora para ela (pelo menos aqui no Brasil);

2 No trânsito, "melhor chegar inteiro do que chegar primeiro";

3 No trabalho, estabeleça prazos, mas não deixe que a seu excesso de exigência se transforme em estupidez e falta de educação com as pessoas ao redor;

4 Em casa, prometeu ? Cumpra ! ... ou seus familiares se entristecerão contigo por você não ter sido responsável em cumprir com o que assumiu; ("tenho aprendido isso da pior forma ...")

5 No dia a dia, ANOTE TUDO; compromissos, tarefas e afazeres. Nada melhor do que um bom planejamento, seja para uma viagem ou um trabalho que deverá ser entregue. Mesmo porque, assim, como na imagem acima, nos tornamos inimigos da quantidade de coisas que assumimos e para reverter isso, somente organizando tudo;

6 Não permita que a pressa torne-se um VÍCIO. Dedique tempo para cuidar da SUA SAÚDE, tempo para os teus filhos, tempo para o teu lazer e prazer, tempo para apreciar a natureza e as coisas simples da Vida;

7 Se você for uma daquelas pessoas que só funciona a base do empurrão ou quando as coisas estão em cima da hora pra acontecer, fique tranquilo(a), você está em processo de desenvolvimento. As pessoas estão com pressa de te ver crescer e se eu fosse você, escolheria aceitar isto com a maior PACIÊNCIA do mundo! 

No final das contas, ser motivado por alguém que tem pressa de ver o seu Sucesso acontecer, talvez seja a prova de que ter pressa não seja algo tão ruim assim! 

"E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." [ Romanos 5:3-5 ]

Um Abraço,

Matheus Portela 

Matheus Portela tem 26 anos, mora em Cotia-SP, é palestrante, professor, músico e atua como Facilitador do programa O Líder em Mim pela Abril Educação.

Por que será que temos uma boca e dois ouvidos

Publicado em 12/05/2014

O bastão da fala tem sido usado há séculos por muitas tribos de índios americanos, como um meio de fala e escuta justa e imparcial. O bastão da fala era usado comumente em reuniões de conselho circulares, para designar quem tinha o direito de falar. Quando assuntos de grande importância vinham a frente do conselho, o chefe da tribo pegava o bastão e iniciava a discussão. Quando ele terminava o que ele tinha a dizer, ele passava o bastão para alguém que desejasse falar. Dessa maneira, o bastão era passado de um indivíduo para outro, até que todos que desejassem falar o tivessem feito. O bastão então era passado novamente ao chefe da tribo, para que ele pudesse guardá-lo em lugar seguro (trecho extraído de artigo produzido por Carol Locust em www.aada.org.br).

Aqui no Brasil, me parece que a fala está intrinsecamente ligada ao direito de expressar-se, até porque estamos nos referindo a um tipo linguagem (oralidade), uma das formas mais primitivas para se comunicar com alguém. Mas, parando pra pensar um pouco melhor a respeito, existem alguns aspectos que devem ser repensados sobre a forma que nos comunicamos uns com os outros. 

Quando vamos em uma palestra, não entendo que seria falta de educação levantar a mão para tecer uma pergunta ao orador. Pior seria se eu começasse a conversar em voz alta com a pessoa sentada ao meu lado, de maneira que isso atrapalhasse o apresentador lá na frente. 

O mais engraçado é pensar que é muito comum isto acontecer justamente nas salas de aula de diversas colégios, faculdades e cursos variados. De uma hora pra outra o professor que está discursando lá na frente começa a ouvir um burburinho no fundão, ou um telefone que toca de repente ... 

Mas, porque será que este fenômeno acontece ? Porque as pessoas não se dão conta de algumas atitudes inconvenientes ? Porque será que nós não nos damos conta que estamos atrapalhando alguém que está com a “vez” de falar ? 

Porque é tão comum ter dificuldade de ouvir o outro ?
“Interrupções causam estresse, assim como discussões intermináveis e sem foco geram conflitos que não são saudáveis.” Por isso, um grande segredo é respeitar o outro quando está falando, da mesma maneira que você deseja ser respeitado (ouvido) quando está falando. 
E entendamos que as palavras "Ouvir" e "Respeitar" é como se fossem Sinônimos, pois, ainda que não estejamos de acordo com a opinião alheia, seremos capazes de permitir que o outro se expresse. Esta é uma regra de ouro que deve ser exercitada em todos os tipos de relacionamentos interpessoais, sejam estes no âmbito familiar ou profissional. 

Utilizar um símbolo (assim como um "Bastão da Fala") nos serve como uma estratégia inteligente ao estabelecer uma cultura de Respeito Mútuo, contribuindo para resultados mais eficazes! 
Imagino que em reuniões corporativas existam muitos momentos de brainstorm, nas atividades em equipe onde as discussões simultâneas são sim parte da dinâmica de trabalho, mas, consideremos que para tudo existe um momento apropriado. Todos nós temos o direito de dar nossa opinião, mesmo porque, vivemos em um pais democrático e seria como uma violação da própria lei, impedir que o outro exponha seu ponto de vista.

Uma das grandes questões que aflige nossa sociedade é a intolerância dos “detentores do saber” por não conseguir enxergar o aprendiz como co-participante do próprio aprendizado. Vou explicar melhor; toda vez que trabalhamos exclusivamente com o paradigma de que EU é que construo as vias de acesso ao conhecimento, quase que inconscientemente, farei de tudo para limitar a participação do outro neste processo, ou seja, não pensarei ou planejarei formalmente, em momentos de contribuição e participação vinda do outro lado.

Estabelecer acordos, combinados, propor ideias inovadoras que funcionem como regras que possam de alguma forma beneficiar a comunicação dois lados, sempre será a melhor alternativa. 

Se você é aluno e sente a necessidade de participar mais da aula com seus colegas e até mesmo com o seu professor, comunique isso a ele, independente de qual disciplina for. Diga sobre a necessidade que você tem de conversar mais a respeito do conteúdo para absorver melhor a matéria. 
Mas, se você é professor ou exerce a figura daquele que ensina algo a alguém, instigue, provoque a participação de todos, atraia-os para que se sintam mais interessados em te ouvir. Estabeleça um diálogo onde ambos tenham a vez para falar sobre o “saber em xeque”. Faça mais perguntas, desenvolva sua interatividade, seu poder eloquente a favor do outro e de você mesmo. 

Imunes de qualquer julgamento, crítica, investigação ou sentença,
busquemos limpar nossa percepção para refletir mais antes de expor a nossa visão das coisas ou sobre o outro. 
No final das contas, teremos sempre algo de valor para aprender quando nos dedicamos em Compreender o outro para depois sermos Compreendidos. 

“Considero próprio investigar a razão de ser de todas as coisas - como são - e rejeitar todas as opiniões sem explicação. (Sócrates)”

Matheus Portela tem 26 anos, mora em Cotia-SP, é palestrante, professor, músico e atua como Facilitador do programa O Líder em Mim pela Abril Educação.

Somos o rolo

Publicado em 29/04/2014

Deito-me sobre a estrada. Aguardo que o rolo compressor passe, anunciando a Copa do Mundo...

Já não ouço mais tambores despedindo-se do Carnaval. Ainda há pouco, os ouvia. Sempre ficam uns, insistentes, persistentes, a sacudirem o chocalho: “é carnaval, ainda... é carnaval, ainda...” Estranhei, quando me dei conta. Mas os trompetes tocam agora a chegada da Copa do Mundo. Alegres, vibram: e é no Brasil!!!

Na minha pouco possante calculadora não há espaço onde eu calcule os zilhões de dólares que entrarão no meu país. Minha calculadora, companheira, cúmplice da minha rotina de Professora, tem poucos dígitos. Meu salário tem poucos dígitos, e tento sempre gastar em dinheiro o número de dígitos que possam caber na minha amiga, depois, na hora das contas...

Resta-me, então, deitar na estrada. E chorar a dor de quem nada faz para mudar esta situação: estrangeiros chegarão a nosso solo – quase uma esquadra de Cabral, novamente! – abusarão de todos nós, levarão o que há de melhor em nosso país, e ir-se-ão embora, zombando das nossas bocas banguelas.

Eu passei quarenta e dois anos da minha vida dentro de uma escola. Trinta deles, como Professora. Que será que fiz, falei, expressei durante o tanto deste tempo que, ainda assim, tenho que olhar para a televisão anunciando a Copa do Mundo no Brasil?

Inacreditável!

Inacreditável saber deste paradoxo luxo-miséria acontecendo diante dos meus olhos de Professora. Onde errei? Se trabalhei toda uma vida com um discurso na ponta da língua de que formo “cidadãos críticos, preparados para o exercício pleno da cidadania”, como posso estar contribuindo para que meus alunos/cidadãos sejam tripudiados com essa brincadeira de Copa do Mundo no Brasil?

Sou o rolo compressor que passa na estrada e esmaga os verdadeiros brasileiros. Se você é Professor, é o rolo, também.

Somos o rolo. Por omissão, por inércia, porque nada fizemos em nossas salas de aula que impedisse que um despautério desses acontecesse.

Em 1992, uma conferência sobre o meio ambiente realizada no Rio de Janeiro, a ECO – 92, fez desaparecer – sem direito a reaparecimento – muitos (senão todos) mendigos da cidade. Foram retirados dos entornos dos locais do evento que reuniu autoridades de mais de cem países. As forças armadas fizeram toda a proteção da cidade, que durante aquele período chegou até a voltar a ser a capital do país! Já ali, um menino que diariamente era visto pedindo esmolas numa lanchonete próxima às Barcas, em Niterói, me deixou saudades: tendo percebido sua ausência, e perguntado por ele aos funcionários do bar, responderam-me que policiais militares haviam-no levado. A ECO acabou, mas nunca mais vimos o menino.

Talvez me escondam, quando me virem deitada sobre a estrada. Apesar de Professora, já sei que não mereço respeito, quando o assunto é contenção de manifestações... E, talvez pelo medo de serem escondidos, alguns Professores optem por conduzir o rolo.

Quando amanhecer o dia doze de junho, avenidas já estarão pintadas de verde e amarelo. Automóveis levarão, para lá e para cá, bandeirinhas patrióticas. Comércios descerão suas portas de aço, findando o expediente. Buzinas soarão, em comunhão com cornetas tocadas por transeuntes. Não haverá mendigo, não haverá, perambulando pelas esquinas, ninguém que levante qualquer suspeita. As tropas militares ganharão espaço nas ruas já mais desertas. Não se verá sequer um cão de rua! E a escola estará fechada, também, ratificando que somos a favor da Copa no Brasil, que concordamos com tudo o que está acontecendo política e socialmente no nosso país, e que sabemos exatamente para onde vai todo o zilhão que entrar em nossa terra, e que nada temos contra o seu destino.

Depois que tudo acabar, que a última corneta for tocada, que o país estiver vazio, que voltarmos a ver os paletós e colarinhos de grife internacional ensaiando seus risos debochados na tela da TV, passaremos para o próximo festejo do ano: serão tempos de eleições. E caminharemos até as urnas, rolos que somos, para reelegermos aqueles que, representantes que serão de nossas vontades, votarão para que o próximo grande circo aconteça no Brasil.

Autoria: Karla Pontes 

O poder da palavra

Publicado em 04/04/2014

"A força que as Palavras tem de nos direcionar para o Sucesso ou para o fracasso".

Como é possível de um mesmo rio proceder água doce e salgada ?
Como é possível uma mesma árvore produzir frutos bons e ruins ?
Mas, como é possível de uma mesma boca, serem lançadas palavras
de guerra e de paz ?

Vamos voltar um pouquinho lá atrás, na nossa infância, na nossa criação, no ambiente em que fomos criados, nossa família e nos remetendo a maneira como fomos educados.
Lembre-se agora da forma como seus pais te tratavam, as palavras das quais usavam (ou ainda usam) pra se referir a você ou sobre algum tipo de comportamento seu ... Você consegue se lembrar de algo que permanece contigo até hoje, que te incomoda ou que ainda não faz bem tocar no assunto, por exemplo ? Ou você se lembra mais das coisas boas que lhe foram ditas ? 
Aliás, na sua opinião, o que são palavras boas de se falar ? Quero convidá-lo neste artigo a refletir um pouco sobre "o que você faz com as palavras que você ouviu até hoje!" Afinal, vamos entendendo aos poucos, que isso é uma das coisas que realmente determinam onde chegamos na vida. 

Vamos lá ?!

Pense no garoto da foto. Com medo, com raiva, curioso por dentro mas sem saber o que fazer após ouvir alguém dizendo palavras duras de serem ouvidas. Palavras do tipo. "Você é burro", "Você não faz nada certo", "Imbecil", "Porque você não se comporta como seu irmão", "Inútil". Como será que você se sentiria ouvindo estas palavras ? De certo que em algum momento ele terá de superar tudo isso, porém, o que o Emissor (quem está falando) não sabe é que pode demorar muito tempo para que ele possa se sentir livre dessa culpa que o persegue. 

Algumas palavras, quando acompanhadas de atitudes, possuem um peso gigantesco, que no calor das emoções, não há uma noção clara disso. Uma palavra de incentivo, acompanhada de um princípio e de um exemplo prático, tem mais valor e significado do que simplesmente uma bronca, um grito, um xingamento ou um gesto agressivo. 

As palavras também deixam marcas, assim como frases de grandes personalidades motivacionais que encontramos aos montes por aqui no Facebook. 

Mas, e na vida real, como isto funciona?

A Neurociência, a Filosofia, e as Religiões nos mostram diversos caminhos e formas do impacto causado pelas palavras que ouvimos ao longo de nossa história. As Palavras geram nosso conjunto de crenças. São o que antecipam ou justificam o nosso conjunto de ações. 

Em alguns casos, as Palavras não são compatíveis com com as atitudes. A isso damos o nome de Incoerência, Antiética, Mentira, etc. E o resultado disso é a permanência nos estágios de desenvolvimento: A imaturidade e a Dependência (seja emocional ou financeira, por exemplo). 

Entretanto, existem também situações onde as Palavras positivas antecipam os fatos, as que conhecemos por Profecia, Provisão, Previsão, Orientação, Coaching ...
Quando alinhamos nossos pensamentos e intenções, somadas as palavras e atitudes, chamamos isso de Integridade. Há uma compatibilidade genuína entre aquilo o que está em minha mente e meu coração com o meu corpo. 

Quando comunico ao outro a minha Integridade em relação ao que está sendo feito ou ao que vai ser realizado, aí está uma ótima oportunidade para se gerar resultados de Sucesso por meio das Palavras!

Palavras são capazes de transformar destinos, revolucionar gerações, seja para o bem seja para o mal. 
Por isso devemos tomar muito cuidado sobre o valor que atribuímos as palavras, seja de um amigo que está apenas brincando com a gente, ou até mesmo um parente que decide ter uma conversa mais séria. 

Nem tudo o que ouvimos deve ser descartado, levando em consideração que nem tudo o que ouvimos (ou vemos) deve ser colocado em prática. 

Exercite em seu dia a dia esta sequência de discernimentos abaixo;

1 - Nem tudo o que é Comunicado quer dizer que deve ser absorvido como um Ensinamento:

2 - Nem toda Informação diz respeito necessariamente a sua Formação pessoal e/ou profissional:

3 - Aquilo o que é Lei não serve para aperfeiçoá-lo como ser humano, mas sim para organizar o todo. Procure identificar a motivação que existe por de traz daquilo o que é falado:

4 - Ser Educado e Educar não que dizer ser bonzinho e gerar outros iguais, da mesma forma que para a alcançar a autodisciplina é preciso praticar diariamente o autodomínio, a começar pelas palavras:

Algumas funções que a palavra tem;

A Palavra emociona, agrega, comunica, revela, ensina, exorta, educa, impulsiona, motiva, esclarece, forma o ser humano, mas se utilizada de maneira equivocada, machuca, interfere, agride e exclui.

Buscando novas referências e ambientes;

Hoje, você descobriu que é possível construir uma história diferente daquela que ouviu as pessoas dizerem ao redor. E não é só uma questão de ser otimista, pessimista ou realista, mas sim, de ESCOLHER o que você quer ouvir e dizer daqui pra frente ao seu próprio respeito. 

Pode ser que você encontre as Palavras das quais precisa em um Relacionamento, ou indo ao Psicólogo, ou ficando em Silêncio em meio a natureza, ou indo a Igreja. Cada um tem a sua forma, porém, o importante é DECIDIR por si mesmo quais Palavras considerar, quais avaliar e quais reproduzir.

Afinal, não estamos todos em busca da FELICIDADE ? 
Comecemos então a declarar palavras que nos levem até ela e a valorizar as palavras que fazem com que tenhamos uma vida melhor.

Reflita sobre o versículo abaixo:
"A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto." [Provérbios 18:21]

- Tenha um ótimo final se semana. -

Matheus Portela tem 26 anos, mora em Cotia-SP, é palestrante, professor, músico e atua como Facilitador do programa O Líder em Mim pela Abril Educação.

 

A tragédia anunciada de alguém que não assume os próprios atos

Publicado em 13/03/2014

Pare por alguns minutos e pense um pouco como se sente uma pessoa que passa a maior parte do tempo se esquivando de suas próprias responsabilidades, mentindo o tempo todo para os outros, fingindo-se de desentendida e quando a bomba explode, ela é a primeira a apontar o dedo pra você. 

Será que ela se sente feliz e realizada com esse tipo de atitude?!

Não raramente, nos deparamos na vida real com indivíduos que ainda não desenvolveram a capacidade, por incrível que pareça, de dar conta das consequências pelos próprios atos. A isto, damos o nome de Estágio de Dependência.
Assim como um recém-nascido que atribui sempre à mãe a responsabilidade de alimentá-lo, ensiná-lo a andar e a falar, na mesma proporção quando não é atendido, uma pessoa já crescida pode demonstrar um comportamento similar ao de um bebê quando não 
é correspondido.

Subentende-se que, uma pessoa quando atinge um nível intelectual-mental de maturidade, onde de certa forma, consegue assimilar o pensamento com a ação e ao que será gerado depois disso, espera-se que ela não venha lançar um julgamento alheio pelo que ela mesma cometeu ou causou. Essa noção de "Eu sou responsável pelo que cativo", infelizmente nem todos tem, ou pelo mesmo parecem se esquecer de que são responsáveis pelo próprio destino, pelas próprias conquistas, até mesmo pelo que não se conquistou. 
Ainda que as circunstâncias não sejam favoráveis, lhes faltam o entendimento de que qualquer fator externo que possa influenciá-los negativamente, não lhes dá o direito de condenar o mundo ao redor pelo que aconteceu. Inclui-se xingamentos, atos de destruição e violência. 

Muitos ainda acham que por serem quem são (terem um "cargo"), podem jogar a batata quente pra quem está mais perto. Todo incêndio se apaga após muitos litros de água. Entretanto, uma pessoa que ainda não gerou domínio sobre si mesma, pode pagar um preço muito caro, seja por não ter pensado direito antes de agir ou por ter jogado a responsabilidade que era sua, para o outro carregar e/ou resolver no lugar dela. 

"A confiança demora para ser conquistada, mas, em poucos minutos pode ir por água abaixo!"

Por isso, 
#Avance para a Independência genuína em seus comportamentos.
#Visualize a Interdependência como alvo a ser conquistado na vida.

Assuma a sua parte na vida e se relacione de maneira mais sábia com os outros. Afinal, eles merecem conviver com a sua 
transparência de alma e firmeza de caráter! 

"Não tentes ser bem sucedido, tenta antes ser um homem de valor ." Albert Einstein

Matheus Portela tem 26 anos, mora em Cotia-SP, é palestrante, professor, músico e atua como Facilitador do programa O Líder em Mim pela Abril Educação.

 

A arte do cumprimento e a feliz história de um mundo sem guerras

Publicado em 18/02/2014

Desde quando me conheço por gente, tenho a forte imagem do meu pai dirigindo e voluntariamente cumprimentando as pessoas que passávamos por perto.

Acredito eu, que isto se deve porque durante um bom tempo ele era dono de uma sorveteria no bairro onde cresci. Conhecia muita gente, lá frequentavam diversas famílias, jovens de diversas idades, crianças iam me chamar pra brincar.

Foi um tempo muito bom e as vezes eu me questionava se era certo ele fazer aquilo. Até brincávamos que ele seria um ótimo político de tanto que acenava dando oi, dando tchau. Até trocava ou inventava o nome de algumas pessoas, mas não deixava de ao menos sorrir para elas quando passavam por ele.

Minha mãe administrava o negócio junto com ele. Da mesma forma, com sua formação em Psicologia, aproveitava para auxiliar pessoas com seu jeito carismático e afetuoso.

Era um ambiente muito agradável aquela sorveteria, engraçado, me lembrei até que se chamava "Casa da Tia".

Só depois de alguns anos descobri que tal simpatia nada tinha a ver com o estabelecimento em si, nem mesmo pelo fato de haverem guloseimas sendo vendidas ali.

Desvendei o segredo que justifica a construção de laços de amizade tão saudável com os vizinhos naquele bairro: meus pais simplesmente os tratava bem...
A começar quando os cumprimentava.

Há aproximadamente uns 16 anos, era muito mais comum pra mim que as pessoas não temessem olhar umas nos olhos das outras, apertassem as mãos, se abraçassem e declarassem a importância da amizade existente. Me parecia não haver conflitos, pois, uma cultura de paz havia sido estabelecida. Uma cultura quase que de respeito mútuo.

Claro que outros fatores também contribuíram para que não existisse violência ao redor, sendo que não estávamos imunes à assaltos, por exemplo, algo que graças a Deus nunca ocorreu.

Aos poucos, me lembro que de alguma forma eu procurava reproduzir este pequeno e precioso ensinamento em minha escola com meus amigos. Quando saia briga eu podia ser o que apanhava, não por estar envolvido na briga exatamente, mas por querer evitá-la até as últimas consequências. Sempre agia assim.

Hoje sou grato por não ter sido ensinado a revidar com a mesma moeda se caso for agredido. Aprendi observando meus pais, a me defender primeiramente   
utilizando a força da minha inteligência. Minhas mãos são armas dispostas a cumprimentar as pessoas caso elas passem por mim. Hoje, pode ser que eu também não lembre o nome de todos, também nem conheça suas histórias profundamente, mas procuro multiplicar a mesma cultura de reverência, cordialidade e generosidade que um dia me foi transmitida. E tudo isso começou ali, a poucos metros de casa, onde aprendi que cumprimentar as pessoas pode ser a melhor e mais rápida forma de se fazer amigos.

Por isso, #Fica_Dica: Se alguém passar por você, não ignore-o; Cumprimente-o!  

Matheus Portela tem 26 anos, mora em Cotia-SP, é palestrante, professor, músico e atua como Facilitador do programa O Líder em Mim pela Abril Educação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pensamento Científico e Educação

Publicado em 10/02/2014

Graças ao incessante avanço da Ciência, dispomos hoje de toda a tecnologia que facilita nossa vida cotidiana, de recursos médicos que ampliam nossa expectativa de vida, de medicamentos que aliviam nosso sofrimento diante de doenças e debilidades físicas e mentais. Atualmente o estilo de vida da humanidade baseia-se fundamentalmente nos produtos da Ciência, mas raramente nos damos conta disso ou nos interessamos em conhecer como a Ciência funciona. Seria de se esperar que a maioria dos profissionais da Educação, principalmente os acadêmicos, tivesse como uma de suas primeiras obrigações profissionais o acompanhamento do trabalho científico da atualidade. Seria ainda mais coerente que a escola fosse o local onde as novas gerações ingressassem nesse universo de conhecimento, tendo condições de se apropriar de sua forma de pensar e conhecer o mundo. Mas isso não ocorre, pelo menos não no Brasil. Infelizmente, na área educacional pouco se conhece sobre Ciência, enquanto sistema de busca e produção de conhecimento.

Enquanto imperam na área educacional acadêmica críticos do método científico, a Ciência avança ininterruptamente. Enquanto esses críticos do “cartesianismo” científico clamam por “avanços” e atualizações no ensino, a escola pública afunda cada vez mais na absoluta carência de tudo. Enquanto as ciências do comportamento e do cérebro continuam a descobrir novas facetas do ser humano, de como ele tende a se comportar e aprender, os acadêmicos educacionais que pregam a inovação escolar permanecem repetindo pressupostos e teorias de autores do século passado e retrasado... Que inovação pode advir dessa alienação científica?

É muito comum na Educação encontrarmos autores de prestígio que criticam a Ciência e seu método. Para eles, a Ciência é cartesiana, fragmentadora, positivista, não-criativa. A meu ver esse discurso é não só um grande entrave à compreensão do pensamento científico, como reflexo da absoluta ignorância dessas pessoas sobre como a Ciência e o pensar científico realmente funcionam. Em Educação qualquer autor que seja simpático, carismático e bom de oratória pode angariar legiões de seguidores fanáticos, independentemente de seus argumentos ou teorias terem ou não sustentação científica. Bastam ter discursos otimistas, idealistas e politicamente corretos.

Ao contrário, uma das belezas da Ciência – e o fator que a torna realmente bem sucedida enquanto método de busca de conhecimento – é que ela não acolhe bons argumentos, frases “de efeito” ou teorias idealistas apenas porque são simpáticas. Em Ciência, bons argumentos não são suficientes, ainda que eles sejam “politicamente corretos”. Em Ciência, argumentos, hipóteses e teorias devem ser reproduzidos e validados. A Educação formal, escolar, precisa, portanto, resgatar sua função de introduzir as novas gerações no mais importante e eficiente processo de busca e construção de conhecimento desenvolvido pela humanidade: a Ciência. Finalizando com uma frase do astrofísico Carl Sagan:

“Nossa sociedade baseia-se na ciência e na alta tecnologia, mas só uma pequena minoria entre nós entende, e mesmo assim superficialmente, como elas funcionam. Como podemos esperar ser cidadãos responsáveis de uma sociedade democrática, tomadores de decisões, informados quanto aos inevitáveis desafios representados por esses poderes recém-adquiridos?”

Simone Benedetti

Professora de Língua Portuguesa da rede municipal de ensino de Itatiba/SP. Mestre em Música pelo Instituto de Artes da UNESP/SP. Autora de A dignidade ultrajada: ser professor do ensino público nos dias atuais. RJ: Barra Livros, 2013.

 

 

Ensinar para aprender

Publicado em 03/02/2014

Toda vez quando entro em uma sala de aula, logo observo o tamanho da lousa. Em minha mente é como se eu precisasse de bastante espaço para compartilhar minhas ideias, mas sem a necessidade de escreve-las ali.

Talvez, sejam coisas interessantes de se observar, de se apreciar, que basicamente auxiliarão tanto o aluno quanto eu mesmo. Sei que simultaneamente nós refletiremos a respeito do conteúdo, de um princípio e por fim, construiremos juntos um novo caminho que faça sentido para ambas as partes.

Lecionar não é (e nem poderia ser) um sacrifício no meu ponto de vista. 

Para mim é um Privilégio! Por mais que em determinados momentos o processo de destrinchar e ramificar temas e exercícios para se chegar a uma compreensão mais profunda seja complexo, ao que chamamos de Entendimento, vejo que se trata de uma dinâmica rica e saborosa, como se adentrássemos em um restaurante para degustar os mais variados pratos, percebendo temperos, admirando as texturas e absorvendo tudo o que está relacionado a forma do fazer; o Amor em servir o outro.

Você conseguiria relacionar uma sala de aula com um restaurante? 
O que é servido alí ? 
Quais serviços são prestados ? 
Como é servido o prato principal ?

Alguns me falam, "Ahh! Eu não tenho paciência para ensinar os outros". Engraçado que sempre quando precisamos de alguma informação nos dias de hoje, desejamos que a velocidade da tecnologia corresponda de imediato as nossas expectativas. Assim, pensamos que as pessoas também devam atender as nossas exigências pessoais, profissionais e emocionais. Porém, com a Educação não pode ser assim. Cada indivíduo funciona em um tempo específico, necessitando de um atendimento exclusivo que se equilibre ao seu modo de aprender, desta maneira, nos damos conta que o jeito de ensinar não pode ser o mesmo para todos. 

"É preciso amar como se não houvesse amanhã", já dizia Renato Russo ... 
Porque será que vemos ainda alguns profissionais lecionando como se não houvesse mais o que fazer de bom para alcançar resultados melhores ?!?!?!
Será que lhes faltam motivação, força, entusiasmo, foi a paixão por lecionar que se perdeu ?!?!?!

Um professor deve ser flexível, mas também questionador!
Um professor deve ser firme, mas também carismático!
Um professor deve se interessar pelo saber do outro, mas 
também deve ser convicto dentro daquilo o que acredita!
Um professor deve saber utilizar a razão para fortalecer conceitos,
mas também deve sensibilizar seus alunos para que não sejam meros copistas!
Um professor deve cumprir com as exigências sobre o papel que desempenha, mas também deve romper com os limites das apostilas, inclusive dos muros da escola, levando aqueles que estão ao seu redor a encontrarem o grande potencial dentro de si, rumo a um novo nível de convivência, ensino e aprendizagem. 

Matheus Portela tem 26 anos, mora em Cotia - SP , palestrante, professor, músico e atua como Facilitador do programa O Líder em Mim pela Abril Educação

 

 

Educação Significativa

Publicado em 20/01/2014

Existe atualmente um discurso na área educacional que chamo de “o discurso da escola significativa” – assumido e divulgado por pessoas que, via de regra, vivem bem longe das escolas públicas, geralmente na academia. Esse discurso, ao invés de atacar o cerne do problema da falta de “significado” das escolas públicas – e parece-me que o cerne do problema é a precaríssima infraestrutura física, tecnológica e legislativa dessas instituições – acaba por equivocar-se e perder-se em críticas inócuas à escola e aos seus profissionais.

Para que a escola se torne significativa, dizem os adeptos dessa perspectiva, é necessário que os professores diversifiquem sua prática, utilizem estratégias de ensino inovadoras, que saibam como motivar os alunos e despertar neles o desejo pelo aprendizado. É necessário mudar o foco do ensino: da memorização de conteúdos (que hoje se encontram disponíveis online) para o aprendizado do uso das ferramentas de busca e compreensão desses conteúdos.

CONCORDO PLENAMENTE. Essa mudança é realmente muito pertinente e necessária. Contudo, como concretizá-la no cotidiano escolar, quando não se tem nem ao menos salas de aula com tomadas que funcionem? Como diversificar a prática docente e trazer a riqueza do mundo informatizado para as salas de aula quando não se dispõe de materiais, de espaço físico ou de qualquer outro requisito necessário?

Não é segredo que em muitas escolas públicas falta o básico do básico em relação a aparelhos tecnológicos e instalações. Sem contar que é enorme o tempo desperdiçado das aulas para montar e desmontar equipamentos sucateados, quebrados e que já deveriam ser instalações obrigatórias das salas. E os “laboratórios de informática”? Com máquinas ultrapassadas, quebradas, lentas, em número insuficiente, que não carregam isso, não baixam aquilo, não rodam nada, sem caixinhas de som...

Um país que ocupa a 6ª posição no ranking de potências econômicas do mundo já era para ter escolas completamente informatizadas em todos os seus âmbitos de funcionamento: pedagógico, administrativo e de segurança. O funcionamento das escolas públicas brasileiras é impressionantemente arcaico. É inacreditável que todas as dimensões de nossa vida cotidiana funcionem a partir da tecnologia informática, com exceção da educação básica, que é o berço da formação das novas gerações!

Quantos e quantos professores deixam de realizar trabalhos diversificados, geralmente de arte-educação ou esportes, porque não conseguem o mínimo do mínimo de condições para fazê-lo? Como não pedir que os alunos copiem certos conteúdos da matéria quando não se tem não só uma cota suficiente de fotocópias, como muito menos condições de disponibilizar online os conteúdos das aulas? Não é irônico que os defensores da “escola significativa”, não-mecanicista e não-copiadora não mencionem esses problemas? Como se toda a questão se resumisse apenas na boa ou má vontade dos professores em diversificar suas aulas!

Quantas instituições de ensino e educação do mundo todo não possuem canais na internet, com vídeos-aula de todas as áreas do conhecimento humano, documentários, animações, jogos, mateiral para educação infantil? Um material riquíssimo e que não chega às escolas não só porque os professores não os levam, mas principalmente porque as escolas não têm infraestrutura mínima para que os professores trabalhem com eles. Como usar a internet (e todo o seu conteúdo) em sala de aula? O mundo do conhecimento e da informação hoje acontece na internet. E há coisa mais distante das salas de aula do ensino público brasileiro que a internet?! E isso é culpa dos professores?!

Com o que a maior parte dos professores brasileiros pode, realmente, contar para exercer seu trabalho? Com salas de aula superlotadas, quentes, com lousas cheias de calombos e giz branco. É claro que isso não se aplica a 100% das escolas públicas, mas aplica-se à maioria, com certeza.

Por isso parece-me que parte desse discurso da “escola significativa” é um tanto equivocado e outro tanto hipócrita, uma vez que deixa a cargo dos sujeitos mais subalternos da cadeia hierárquica do ensino público – os professores – a responsabilidade de tornar a escola mais significativa para os alunos. É claro que os professores precisam sim fazer a sua parte. Contudo, parece ainda mais claro – pelo menos para mim – que quem não está realmente fazendo a sua parte é a sociedade brasileira como um todo e principalmente os acadêmicos da área educacional e os gestores públicos responsáveis pelas políticas educacionais.

Simone Benedetti

Professora de Língua Portuguesa da rede municipal de ensino de Itatiba/SP. Mestre em Música pelo Instituto de Artes da UNESP/SP. Autora de A dignidade ultrajada: ser professor do ensino público nos dias atuais. RJ: Barra Livros, 2013.

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